Teste: Ram Dakota Laramie Night Edition aposta no visual escurecido sem abrir mão da tração 4x4
Picape média ganha acabamento exclusivo, mantém motor 2.2 turbodiesel de 200 cv e reúne pacote tecnológico completo para enfrentar Hilux, Ranger e Triton

A Ram estreou a Dakota no Brasil no início de 2026 para ocupar um espaço até então inexistente na gama da marca. Desenvolvida sobre a mesma base da Fiat Titano, a picape trouxe a proposta tradicional das médias com chassi sobre longarinas, tração 4x4 e motor turbodiesel, mas com acabamento mais refinado e uma lista de equipamentos mais completa. Agora, a Dakota Laramie Night Edition adiciona um visual mais esportivo e contemporâneo, substituindo praticamente todos os detalhes cromados por acabamentos escurecidos.
Painel de instrumentos da Ram Dakota Laramie Night Edition
Marcos Camargo Jr 28.07.2026
O R7-Autos Carros avaliou a versão durante uma semana para entender se as mudanças vão além da estética.
Visual mais esportivo
Enquanto a Laramie convencional aposta em uma aparência clássica, a Night Edition segue a tendência adotada em diversas picapes do mercado ao eliminar os cromados. Grade dianteira, emblemas, retrovisores, molduras das janelas, santo-antônio (RamBar) e diversos detalhes externos recebem acabamento em preto.

O conjunto transmite uma personalidade mais moderna sem alterar o desenho conhecido da Dakota. As rodas de liga leve de 17 polegadas também reforçam essa proposta, acompanhadas dos faróis Full LED e lanternas em LED. Mesmo derivada da Fiat Titano, a Dakota possui identidade própria, principalmente na dianteira e nos detalhes de acabamento.
Cabine bem equipada
O interior também acompanha a proposta da Night Edition. O revestimento predominantemente preto combina com bancos em couro, acabamento parcialmente revestido no painel e nas portas e teto escurecido.

A posição de dirigir agrada. Os bancos dianteiros possuem ajustes elétricos para motorista e passageiro, enquanto o volante oferece regulagem de altura e profundidade.
O painel reúne quadro de instrumentos digital de 7 polegadas e central multimídia de 12,3 polegadas compatível com Apple CarPlay e Android Auto sem fio. O sistema também oferece navegação embarcada, carregador de celular por indução refrigerado e câmeras com visão de 540 graus.

Embora compartilhe arquitetura com a Titano, a cabine apresenta acabamento mais sofisticado e melhor percepção de qualidade.
Segurança no nível das principais concorrentes
A Dakota entrega um pacote bastante completo de assistentes eletrônicos. Entre os principais recursos estão frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres e ciclistas, piloto automático adaptativo, assistente ativo de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, controle de descida, controle eletrônico de estabilidade, seis airbags e câmera com visão panorâmica.

É um conjunto competitivo dentro do segmento e que aproxima a Dakota das principais rivais.
Motor conhecido e bom equilíbrio
Independentemente da versão, a Dakota utiliza o motor 2.2 Multijet II turbodiesel, que entrega 200 cv e 45,9 kgfm de torque, sempre associado ao câmbio automático de oito marchas.

O conjunto também equipa outros modelos da Stellantis, como Fiat Toro, Jeep Commander e Fiat Titano, mas na Dakota recebeu um acerto que privilegia conforto e suavidade. Durante o teste, o funcionamento mostrou baixo nível de ruído para um diesel, respostas progressivas e boa calibração da transmissão automática.

A tração 4x4 dispõe dos modos 2H, 4 Auto e 4 Low, além do bloqueio eletrônico do diferencial traseiro, permitindo enfrentar pisos de baixa aderência com segurança.
Conforto acima da Titano
Uma das evoluções mais perceptíveis está na suspensão. Apesar de manter eixo traseiro com feixe de molas — solução tradicional das picapes médias — a Dakota absorve melhor as irregularidades e transmite menos impactos para a cabine do que sua irmã de plataforma.

O espaço traseiro continua sendo suficiente para viagens médias, embora o banco seja relativamente curto quando comparado às líderes da categoria.
Chassi continua sendo diferencial
A Dakota mede 5,36 metros de comprimento, 1,89 m de largura, 1,82 m de altura e possui 3,18 m de entre-eixos. A capacidade de carga chega a 1.020 kg, enquanto a capacidade máxima de reboque é de 3.500 kg, uma das maiores entre as picapes médias vendidas no Brasil.

A caçamba acomoda 1.200 litros, reforçando a proposta para quem precisa combinar uso profissional e lazer.
Consumo
Ao longo do teste, a média ficou em 13,5 km/l, resultado superior ao índice rodoviário divulgado pelo Inmetro para o modelo, de aproximadamente 11,5km/l. Testamos a Dakota nesta versão ao longo de 2.300km rodados abastecendo mais 2 vezes sempre com tanque cheio.

Dirigimos entre São Paulo e Foz do Iguaçu onde ficou evidente um acerto pensado para a eficiência. O motor não tem muito brilho de potência mas oferece torque, conforto e segurança dentro do que existe no segmento.
Em rotações mais altas na estrada se nota o pouco cuidado com a acústica que poderia ser melhor. O espaço do banco traseiro também é mediano e o revestimento do teto poderia ser escuro para combinar com o exterior.
Vale a pena?
A Dakota Laramie Night Edition consegue entregar exatamente o que muitos consumidores esperavam da Ram em uma picape média sem custar muito.

Ela não pretende oferecer o luxo encontrado em uma Ram 1500, nem o comportamento quase de SUV da Rampage. Em vez disso, aposta na fórmula tradicional das picapes médias: chassi robusto, motor turbodiesel eficiente, elevada capacidade de carga e um pacote tecnológico bastante completo.
A Night Edition ainda acrescenta um visual mais moderno, eliminando os cromados da Laramie convencional e tornando o conjunto mais discreto e esportivo. Para quem procura uma picape preparada para o trabalho, mas que também ofereça conforto, tecnologia e boa dirigibilidade no uso diário, a Dakota aparece como uma das alternativas mais interessantes entre as médias lançadas recentemente no mercado brasileiro. O preço público é R$ 329,9 mil mas é facilmente encontrada em programas de vendas direta para CNPJ e produtor rural por R$ 285,9 mil.
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