Vai comprar elétrico ou híbrido? Veja os riscos de carregar o carro em casa
Especialistas alertam para instalações improvisadas, carregadores sem certificação e falta de aterramento

O mercado brasileiro de veículos eletrificados vive seu melhor momento. Atualmente, mais de 25 mil carros elétricos e híbridos plug-in são vendidos por mês no país, impulsionados principalmente pela chegada de marcas chinesas e pela ampliação da oferta de modelos em diversas faixas de preço.
Mas, junto com esse crescimento, aumenta também um problema que raramente recebe atenção: a segurança das recargas realizadas em casa.
Embora praticamente todas as fabricantes recomendem a instalação de um carregador residencial (wallbox) por empresas especializadas, ainda é comum encontrar proprietários que optam por soluções improvisadas para economizar.

Em muitos casos, basta puxar um circuito de 220 volts diretamente do quadro de energia da residência, sem projeto elétrico, sem proteção adequada e, principalmente, sem aterramento. O resultado pode ser muito mais grave do que uma simples interrupção da recarga.
Uma instalação subdimensionada pode provocar superaquecimento dos cabos, derretimento de conectores, curtos-circuitos e até incêndios. Em situações mais críticas, a ausência de aterramento também aumenta o risco de choques elétricos e dificulta o funcionamento dos sistemas de proteção presentes tanto no carregador quanto no próprio veículo.
Outro problema crescente é a venda de carregadores paralelos em sites de comércio eletrônico. Muitos desses equipamentos chegam ao Brasil sem certificação do Inmetro e prometem justamente aquilo que os fabricantes recomendam evitar: permitir o carregamento mesmo quando não existe aterramento na instalação elétrica.
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Na prática, esses dispositivos burlam sistemas de segurança existentes nos carregadores homologados. Em vez de interromper automaticamente a recarga quando detectam uma instalação inadequada, continuam fornecendo energia normalmente, expondo o equipamento e a residência a riscos muito maiores.
Especialistas do setor elétrico alertam que um carregador certificado verifica continuamente condições como aterramento, corrente elétrica, temperatura e possíveis fugas de energia antes e durante a recarga. Já equipamentos sem certificação podem não oferecer essas proteções ou utilizar componentes de qualidade inferior.
“Não faço instalações sem o devido cuidado, mas há muitos profissionais que apenas ‘puxam o fio’ e improvisam uma tomada industrial ou um 220 sem nem mesmo isolar os conectores. É um grande risco para a residência e para o carro”, diz o eletricista Jonas Albuquerque.
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Outro erro comum é utilizar extensões elétricas, adaptadores ou tomadas convencionais para alimentar carregadores portáteis durante várias horas consecutivas. Mesmo quando a potência parece compatível, conexões mal dimensionadas podem aquecer excessivamente após longos períodos de uso.
O que diz a lei
As normas técnicas brasileiras já estabelecem critérios para esse tipo de instalação. A ABNT NBR 17019, específica para infraestrutura de recarga de veículos elétricos, juntamente com a ABNT NBR 5410, que trata das instalações elétricas de baixa tensão, determina requisitos como circuito exclusivo, proteção contra sobrecorrente, dispositivos diferenciais residuais (DR), aterramento adequado, dimensionamento correto dos cabos e equipamentos certificados.
Na prática, porém, essas exigências nem sempre são seguidas. Como as instalações residenciais não passam por fiscalização sistemática após sua execução, muitas adaptações acabam sendo realizadas por profissionais sem experiência específica em infraestrutura para veículos elétricos ou até pelos próprios proprietários.

“O wallbox precisa ser instalado em circuito próprio senão o cliente perde a garantia do equipamento e do carro em caso de acidente”, diz Albuquerque.
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Veículo mais caro com instalação inadequada
Além da segurança, uma instalação correta também protege o investimento feito no veículo. Uma alimentação elétrica instável pode reduzir a eficiência da recarga, provocar desligamentos constantes e, em situações extremas, causar danos ao carregador embarcado do automóvel — um componente de alto custo.
Cuidados antes de instalar um carregador residencial
* Contrate empresa ou eletricista qualificado para avaliar a instalação da residência.
* Utilize apenas wallbox ou carregadores certificados pelo Inmetro.
* Nunca elimine ou burle o sistema de aterramento.
* Instale um circuito exclusivo para o carregador.
* Verifique se cabos, disjuntores e proteções suportam a corrente exigida pelo equipamento.
* Evite adaptadores, extensões e “gambiarras” elétricas.
* Desconfie de carregadores muito baratos vendidos pela internet sem certificação ou assistência técnica.
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