Tesla chega a 10 milhões de carros elétricos produzidos e vive momento desafiador
Marca de Elon Musk reduz quantidades entregues e tenta se reinventar

A Tesla alcançou nesta semana um dos marcos mais importantes da história da indústria automotiva mundial. A fabricante norte-americana anunciou que produziu seu veículo elétrico de número 10 milhões, feito inédito entre as montadoras dedicadas exclusivamente a carros movidos a bateria.

O exemplar histórico é um Model Y preto que saiu da linha de montagem da fábrica de Fremont, na Califórnia, berço da empresa fundada em 2003. A conquista reforça a posição da Tesla como a marca que ajudou a popularizar os veículos elétricos em escala global, mas chega justamente em um período de desafios comerciais, financeiros e estratégicos para a companhia comandada pelo bilionário Elon Musk.

A trajetória da Tesla impressiona pela velocidade. O primeiro milhão de veículos foi alcançado apenas em 2020. A partir daí, a expansão ganhou ritmo acelerado graças à inauguração das fábricas de Xangai, Berlim e Austin, além do enorme sucesso comercial do Model 3 e, principalmente, do Model Y, atualmente o carro mais vendido da fabricante e um dos automóveis mais vendidos do mundo.

Em apenas seis anos a empresa multiplicou por dez sua produção acumulada, consolidando uma escala que poucos imaginavam possível para uma montadora focada exclusivamente em veículos elétricos.
Desafio com forte concorrência
Apesar da marca histórica, o momento está longe de ser tranquilo. A Tesla enfrenta uma fase de transição em que o crescimento acelerado observado nos últimos anos perdeu força.

A concorrência aumentou significativamente, sobretudo na China, onde fabricantes como BYD, Xiaomi, Geely, Leapmotor, Xpeng e Li Auto ampliaram suas participações oferecendo produtos mais modernos, ampla oferta tecnológica e preços bastante competitivos.
Na Europa, o avanço das marcas chinesas também pressiona a fabricante americana, enquanto nos Estados Unidos o mercado de elétricos cresce em ritmo menor do que o esperado.
Embora a Tesla tenha registrado recuperação nas entregas do segundo trimestre de 2026 e mantido lucro, os resultados ficaram abaixo das expectativas de parte do mercado. Investidores reagiram negativamente à falta de novidades concretas sobre projetos considerados fundamentais para o futuro da companhia, como a expansão dos robotáxis e o robô humanoide Optimus. Após a divulgação do balanço, as ações chegaram a acumular forte queda, refletindo o aumento das dúvidas sobre a capacidade da empresa manter as elevadas taxas de crescimento do passado.
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