Campanha de Lula vê espaço para sair da defensiva e aposta em agenda positiva no Congresso
Nova estratégia inclui 7 de Setembro com discurso de soberania e mais viagens pelo país
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A equipe de campanha do presidente Lula (PT) fez um balanço dos primeiros dez dias da disputa eleitoral e avalia que há espaço para deixar a postura defensiva das últimas semanas e avançar, a partir da próxima, sobre uma agenda positiva, com foco em propostas que ganharam tração para serem aprovadas pelo Legislativo até as eleições de outubro.
A avaliação interna é de que Lula passou cerca de duas a três semanas pressionado pelas investigações que atingem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. As apurações sobre suspeitas de tráfico de influência ganharam espaço no debate eleitoral e passaram a ser exploradas por adversários do petista.
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Agora, a campanha pretende aproveitar o avanço de pautas de interesse do Planalto no Congresso para tentar mudar o foco do debate. A estratégia é incorporar essas propostas ao discurso eleitoral, destacar medidas com impacto direto para a população e reforçar a imagem de Lula como um presidente com capacidade de articulação política.
O principal movimento nessa direção ocorreu nesta quarta-feira (26). Em almoço no Palácio da Alvorada, Lula se reuniu com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e acertou o avanço de cinco temas: o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública, a medida provisória que acaba com a chamada “taxa das blusinhas”, o Redata - voltado ao setor de data centers - e o marco dos minerais críticos.
Segundo interlocutores da articulação política do Palácio do Planalto, os relatores das PECs da escala 6x1 e da Segurança se comprometeram a apresentar os textos entre terça e quarta-feira da próxima semana. Para a MP da “taxa das blusinhas”, o nome do senador Confúcio Moura (MDB-RO) surgiu como possibilidade para a relatoria e é bem recebido pelo Planalto.
Entre as demais propostas, a avaliação é de que o Redata tem maiores condições de ser aprovado antes das eleições. O marco dos minerais críticos, por outro lado, enfrenta mais divergências e é considerado o mais difícil de avançar no curto prazo.
Politicamente, o encontro com Motta e Alcolumbre também é explorado por integrantes da campanha como uma demonstração da capacidade de articulação de Lula com o Congresso. A leitura no entorno do presidente é de que a aproximação com os dois chefes do Legislativo evidencia ainda o isolamento de Flávio Bolsonaro (PL) em relação aos principais partidos do Centrão.
A intenção é completar essa sequência positiva prevista para a próxima semana com as comemorações de 7 de Setembro. De acordo com interlocutores da campanha e do Planalto, Lula deve fazer um discurso centrado na defesa da soberania nacional, tema que ganhou espaço no programa de governo e vem sendo explorado pela campanha diante das disputas comerciais e geopolíticas envolvendo o Brasil.
No balanço sobre as primeiras viagens, coordenadores também consideraram positivos os eventos realizados nos três estados do Sudeste, região que concentra a maior parcela do eleitorado brasileiro. A avaliação é de que o público superou as expectativas, e Lula deve retornar aos estados mais vezes ao longo da campanha.
Na próxima semana, porém, o presidente deve priorizar Brasília para acompanhar de perto as votações no Congresso. A primeira viagem de campanha à Região Norte está prevista para 5 de setembro, Dia da Amazônia, quando Lula deve ir a Manaus para compromissos relacionados à agenda ambiental.
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