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Afonso Paciléo

Não ser convidado para uma festa é bullying? Internet monta tribunal para julgar adolescentes

Vídeo viralizou sobre o caso de uma adolescente que foi ‘excluída’ pelos amigos de um evento de debutante

Empreendendo Direito|Afonso PacileoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Um vídeo viralizou sobre uma adolescente que não foi convidada para uma festa de 15 anos, gerando debate sobre "bullying de exclusão".
  • A discussão gira em torno de se a exclusão de uma festa pode ser considerada bullying, com opiniões divididas.
  • Bullying é definido por lei como uma prática intencional e repetitiva de violência, e nem toda exclusão se enquadra nisso.
  • É importante diferenciar entre um ato isolado de exclusão e uma sequência intencional de humilhação e exclusão.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Caso dividiu opiniões nas redes sociais e levantou debate sobre o bullying Imagem gerada por IA/Gemini

Um vídeo viralizou nas redes sociais nos últimos dias. Um advogado relata o caso de uma adolescente que teria sido a única de seu grupo a não ser convidada para uma festa de 15 anos. A discussão ganhou nome: bullying de exclusão.

Como era de se esperar, a internet imediatamente montou seu tribunal. De um lado, pessoas defendendo que excluir uma única adolescente, enquanto todos os demais são convidados, pode ser uma forma cruel de humilhação. Do outro, quem pergunta: desde quando alguém é obrigado a convidar outra pessoa para a própria festa?


A discussão é boa porque nos obriga a enfrentar uma questão que vai muito além de uma festa de aniversário: toda exclusão é bullying? Não.

Veja o vídeo que viralizou:


Bullying é assunto sério demais para que qualquer conflito, rejeição ou frustração entre crianças e adolescentes receba automaticamente esse nome.

A própria legislação brasileira define bullying como uma prática intencional e repetitiva de violência física ou psicológica, sem motivação evidente, envolvendo atos de intimidação, humilhação ou discriminação. A exclusão social pode, sim, ser uma das formas pelas quais o bullying se manifesta.


Mas contexto é tudo.

Uma criança que, repetidamente, é isolada pelos colegas, ridicularizada, impedida de participar das atividades do grupo e submetida a uma campanha deliberada de exclusão pode estar sofrendo bullying.


Isso é muito diferente de um episódio isolado em que alguém simplesmente não foi convidado para uma festa.

E aqui entramos em um terreno delicado.

Nem toda dor é uma violação de direito. Nem toda rejeição é bullying. Nem toda frustração precisa terminar no Judiciário.

Crianças e adolescentes precisam ser protegidos, evidentemente. Pais e escolas não podem minimizar perseguições, humilhações ou exclusões sistemáticas. Quando os sinais aparecem, é preciso conversar, investigar e agir.

Mas proteger também significa preparar para a vida.

Em algum momento, nossos filhos não serão convidados para uma festa. Não entrarão em determinado grupo. Não serão escolhidos para um time. Não conseguirão uma vaga de emprego. Não serão correspondidos em um relacionamento.

Nós, adultos, também somos excluídos.

E isso dói.

Só que aprender a lidar com rejeições e frustrações também faz parte do desenvolvimento emocional.

Às vezes, inclusive, uma situação de exclusão pode ser oportunidade para conversar com nossos filhos. O que aconteceu? Existe algum conflito? Como estão as relações com os colegas? Há algo que precisa ser revisto? Ou simplesmente duas pessoas não têm afinidade?

Não podemos ensinar uma criança que toda vez que alguém não quiser sua companhia necessariamente estará praticando uma violência contra ela.

Da mesma forma, não podemos cometer o erro oposto e dizer a uma criança vítima de perseguição sistemática que aquilo é apenas “coisa de adolescente”.

O segredo está justamente em saber diferenciar.

Um ato isolado deve ser analisado como ato isolado. Uma sequência intencional de humilhação, intimidação e exclusão exige outra resposta.

Sobre a famosa festa de 15 anos, não conheço todos os fatos e, portanto, seria irresponsável decretar quem está certo ou errado. O relato que viralizou pode ser apenas a cereja do bolo de uma história muito maior.

Mas a polêmica deixa uma reflexão importante: talvez estejamos vivendo uma época em que precisamos proteger melhor nossos filhos do bullying, sem tentar protegê-los de absolutamente todas as frustrações da vida.

Porque combater violência é dever dos adultos. Ensinar a enfrentar a vida também é.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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