Maurício Noriega: Futebol brasileiro doente vive dias de fúria
Crianças e famílias ameaçadas, xingamentos e agressões, investigação por envolvimento com tráfico. Nem os microfones escapam
Espaço Prisma|Maurício Noriega, especial para o R7*

“Mas nos deram espelhos, e vimos um mundo doente”. Legião Urbana, Índios. A voz grave de Renato Russo avisava, no clássico “Índios”, da Legião Urbana, que o mundo estava doente.
Como o futebol faz parte do mundo, o vírus da intolerância aproveitou a falha do sistema imunológico da razão e contaminou o esporte que já foi sinônimo de alegria.
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As cenas lamentáveis vistas no estádio do Corinthians, em que uma criança e sua família foram ameaçadas e intimidadas apenas porque um garotinho corintiano pediu a camisa do craque santista Neymar, são a ponta de um iceberg de estupidez.
Aconteceu em 2012 com Lucas Moura, do São Paulo, num jogo entre Tricolor e Coritiba, no Couto Pereira. Aconteceu recentemente com Weverton, goleiro do Grêmio, no estádio do Inter. Aconteceu e acontece com frequência perturbadora.
Em Criciúma, o pai de um jogador ameaçou com arma de fogo a equipe de arbitragem depois de um jogo de crianças de 10 anos!!!!!!
As redes antissociais estão coalhadas de vídeos que trazem agressões covardes a árbitros e jogadores em partidas profissionais, amadoras, de várzea, de futsal, soçaite e tudo mais. No Brasil e no mundo.
Notícias recentes dão conta de suposto envolvimento de jogadores profissionais de futebol do Brasil com tráfico de drogas. O que nos remete a escândalos recentes envolvendo grandes nomes.
O que tem a dizer Abel Ferreira, treinador do Palmeiras, que corretamente diagnosticou a doença, da cena ridícula em que ele chuta os microfones da transmissão de TV durante Mirassol e Palmeiras? Enquadra-se no diagnóstico de futebol doente feito por ele?
O futebol não poderia ficar imune à doença da sociedade. Intolerância, ódio, violência estão aí, no dia a dia, em doses alarmantes.
Treinadores e jogadores têm suas atitudes copiadas por jovens em campos espalhados pelo país. Comemorações divertidas, provocações, chutes em microfones e em adversários. A responsabilidade de quem influencia e é exemplo não pode ser negligenciada.
Os clubes têm seus nomes envolvidos em imagens tenebrosas. Quais as atitudes de quem comanda os clubes?
Oficialmente, quais serão os posicionamentos das direções de Corinthians e Palmeiras sobre o comportamento dos maus torcedores na Neo Química Arena e de Abel em Mirassol?
Como o Santos se posiciona sobre o comportamento de Neymar em relação à árbitra Edna Alves Batista?
O primeiro passo rumo a um tratamento eficaz é a aceitação da doença pelo paciente.
*Maurício Noriega é comentarista esportivo da RECORD.
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