Logo R7.com
RecordPlus
Espaço Prisma

Noriega: futebol é feito de fases boas e ruins, e falar sobre isso não é proibido

Nem toda oscilação é sinônimo de fim de ciclo, e grandes momentos podem maquiar defeitos

Espaço Prisma|Maurício Noriega, especial para o R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Guga e Flaco López na partida entre Fluminense e Palmeiras, válida pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, no Maracanã
Guga e Flaco López na partida entre Fluminense e Palmeiras, válida pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, no Maracanã André Fabiano/Código 19/Estadão Conteúdo - 15.08.2026

É normal no esporte de alto rendimento que ocorram oscilações de desempenho. Nenhuma equipe ou atleta atua sempre bem. Até mesmo os maiores de todos os tempos enfrentam fases ruins e, provavelmente, mais perderam do que ganharam na estatística geral de suas carreiras.

A discussão sobre esporte no Brasil é pautada pelo futebol. Terreno fértil para paixões, teses definitivas, compra e venda da verdade.


O maior protagonismo desses debates pertence, justamente, aos dois melhores times do recorte histórico atual do futebol brasileiro: Flamengo e Palmeiras, por ordem alfabética, que fique claro. Eles dividem taças, elogios, críticas e provocações.

Flamengo e Palmeiras oscilam como todos os outros times. O que faz de ambos protagonistas indiscutíveis na atualidade é a forma como lidam e superam as dificuldades. Não há trabalho no futebol sem momentos ruins.


Antes da parada para a Copa, cobrava-se do Flamengo mais energia e atitude em campo. Após a parada para a Copa, cobra-se do Palmeiras mais organização e qualidade.


Partida entre Mirassol e Flamengo, válida pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, em Mirassol
Partida entre Mirassol e Flamengo, válida pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, em Mirassol Wendell de Giuli/Agência O Dia/Estadão Conteúdo - 16.08.2026

O que é diferente em Flamengo e Palmeiras é a forma de lidar com as adversidades. O Rubro-Negro troca de treinador sem pestanejar quando entende que algo está fora de controle. O Alviverde aposta na continuidade de um técnico histórico para solucionar problemas.


Como ambos têm conseguido enfrentar bem as frentes frias do caminho, é impossível apontar qual modelo é melhor.

A impressão que fica é que Flamengo e Palmeiras entendem que exercem tal superioridade que a disputa se resume a eles. Nada mais equivocado. Estão longe de serem imbatíveis. Como todos, são derrotados, eliminados e perdem decisões.

Tudo na vida é momento. A administração dos bons e ruins provavelmente será determinante para que o derradeiro se mostre feliz ou triste.

No futebol brasileiro, desde sempre, só presta quem ganha. Um time que passe a temporada invicto e, eventualmente, perca uma única partida, a decisiva, será taxado de perdedor.

O debate sobre desempenho e qualidade tem sido constantemente substituído por um ambiente tóxico, de gritarias, xingamentos, ofensas e humilhações.

É possível, sim, criticar momentos em que o Flamengo de Jardim não entrega o desempenho de qualidade que se espera de um elenco recheado de qualidade.

É compreensível, sim, que se critiquem momentos em que o Palmeiras de Abel deixe a desejar em competitividade e organização, marcas desse elenco forrado de boas opções.

Não há nada de absurdo em dizer que time X vive seu melhor momento na competição, e time Y, o pior. São situações corriqueiras.

Isolados em suas bolhas de centros de treinamento, jogadores e comissões técnicas lidam cada vez pior com questionamentos. Talvez seja reflexo de uma bolha de salários astronômicos e bajulações. A cobrança e a explicação fazem parte do esporte de alto rendimento, das atividades em que a remuneração é vigorosa.

O Flamengo foi eliminado na Copa do Brasil e, nem por isso, deixará de ser um time forte e candidato a títulos. O Palmeiras está jogando muito mal, vive situação difícil na Libertadores, mas segue líder do Brasileirão e vivo na Copa do Brasil. Caso caia na competição sul-americana, continuará sendo protagonista onde estiver.

Infelizmente, as entrevistas coletivas da atualidade são um desserviço ao bom debate. Invadidas por influenciadores caça-cliques e jornalistas que se comportam como torcedores, espantam treinadores e jogadores do questionamento duro, porém honesto e necessário.

Muitos treinadores não aceitam críticas e usam uma velha tática de mudar de assunto ou interromper a entrevista para não falar sobre temas que não lhes convêm. Mesmo que interessem aos torcedores.

Para melhorar o futebol, é preciso debate. Aceitar prêmios e elogios com sorriso no rosto e entender críticas e cobranças honestas e embasadas como parte do processo. Assim como quem critica precisa estar pronto a receber a contrapartida e o argumento que refuta sua posição.

*Maurício Noriega é comentarista esportivo da RECORD.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.