Quanto custa preparar o Brasil para um clima mais extremo?
No Brasil, ainda se gasta muito para reconstruir depois da tragédia e pouco para evitar que ela aconteça
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Enchentes, secas, incêndios florestais, deslizamentos e ondas de calor deixaram de ser episódios isolados. Os eventos extremos estão mais frequentes e colocam uma pergunta cada vez mais urgente para o Brasil: quanto custa se preparar para um clima que já está mudando?
A resposta ainda não está concentrada em uma única conta. Os recursos estão espalhados entre União, estados e municípios, além de fundos e programas específicos. Mas alguns números recentes ajudam a dimensionar o desafio.
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O Ministério da Saúde, por exemplo, prevê investir R$ 9,8 bilhões até 2035 para ampliar a capacidade do SUS de responder a eventos climáticos extremos. O plano inclui sistemas de alerta, preparação de equipes e estrutura para atendimento em situações de emergência.
A necessidade de investimento também aparece nos prejuízos. Um levantamento sobre 2025 estimou em R$ 3,9 bilhões as perdas econômicas provocadas por eventos climáticos extremos no país. Mais de 336 mil pessoas foram diretamente afetadas.
O problema é que, no Brasil, ainda se gasta muito para reconstruir depois da tragédia e pouco para evitar que ela aconteça. Estimativas citadas pelo World Resources Institute indicam que cada R$ 1 investido em adaptação pode evitar até R$ 10 em despesas após um desastre.
É uma conta que envolve obras de drenagem, contenção de encostas, sistemas de alerta, planejamento urbano, recuperação ambiental e proteção de serviços essenciais. Tudo isso custa dinheiro. Mas não fazer também custa, e geralmente muito mais.
O governo ampliou os recursos destinados à agenda climática. O Fundo Clima, administrado pelo BNDES, tem orçamento bilionário para financiar projetos ligados à transformação ecológica e à adaptação às mudanças climáticas. Agora, o desafio é acompanhar quanto desse dinheiro realmente chega aos projetos, quais obras são executadas e quais resultados são obtidos.
E a urgência pode aumentar nos próximos meses. A NOAA estima alta probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro deste ano. Para o Brasil, o fenômeno pode trazer mais chuva para o Sul e condições mais secas para partes do Norte e do Nordeste, além de aumentar o risco de calor e incêndios em algumas regiões.
A crise climática, portanto, já não é apenas uma questão ambiental. É também uma questão de orçamento público.
A pergunta que fica é simples: quanto o Brasil está gastando para enfrentar os desastres e quanto está investindo para evitar que eles aconteçam?
Essa é uma conta que precisa ser acompanhada de perto.
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