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A hora e a vez da Polônia

Heródoto Barbeiro|Do R7

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Agora, as fronteiras da Ucrânia foram superadas pelas tropas russas
Agora, as fronteiras da Ucrânia foram superadas pelas tropas russas

A Polônia está salva. As potências ocidentais prometem ao país total apoio caso sofra algum ataque de potência estrangeira. O governo local não tem condições de investir grandes somas para prover as Forças Armadas de equipamentos modernos para rechaçar um ataque de uma grande potência. Contudo, há no país um forte sentimento nacionalista que pode se traduzir em convocação militar e na formação de um exército poderoso pela defesa nacional.

Os poloneses aprendem com o passado, quando o país foi por diversas vezes retalhado entre as potências militares da época e partes do seu território perdidas permanentemente. O partido que está no poder garante que isso não vai mais acontecer e que o governo está vigilante nos movimentos dos que pretendem fragilizar a nação.


Eles avaliam que a conjuntura mundial não é favorável às nações menores, que investem pequena parte do PIB na defesa nacional. Mas, depois da crise que abalou o sistema capitalista mundial, sobraram poucas opções, não só para a Polônia, mas para a maioria dos países.

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A geopolítica mundial se altera rapidamente, sobretudo na Europa. Nenhum dos tratados de paz do século 20 foi suficiente para satisfazer o desejo de nacionalidades de constituir os seus próprios países. Permanece uma quantidade significativa de povos com diferentes origens sob um mesmo Estado. Daí para os conflitos de ordem ética, cultural, religiosa é um passo.


Há ameaças de todo lado. Os movimentos separatistas ganham força e não se acanham em buscar apoio nas potências estrangeiras que prometem colocá-los no poder caso conquistem a população. Algumas regiões proíbem idiomas, trocam mapas e bandeiras e ensinam nas escolas os que os grupos de pressão julgam ser os princípios que apoiam os seus ideais. Há em andamento uma verdadeira lavagem cerebral, o passado é deturpado e vale o que a força impõe.

A 2ª Guerra (1939-1945) começou a partir da invasão da Polônia pela Alemanha Nazista
A 2ª Guerra (1939-1945) começou a partir da invasão da Polônia pela Alemanha Nazista

A organização mundial das nações não tem força nem apoio para impedir o crescimento dos antagonismos. Muitos vêm ainda dos conflitos anteriores e não foram solucionados com tratados e promessas dos partidos políticos que chegam ao poder. O horizonte é sombrio, mas as potências ocidentais estão otimistas quanto a tudo poder se resolver sem guerras.


Os confrontos militares não se restringem mais às fronteiras. Mercenários, extremistas de toda ordem, arregimentados à força formam batalhões genocidas. Os poloneses estão atentos a toda essa agitação e ameaças, mas confiam em que os tratados de defesa que assinaram com a França e o Reino Unido lhes dão garantia. Deladier e Chamberlain tentam apaziguar os nazistas que propagam o Lebensraum, ou seja, a política do espaço vital. A fronteira da Alemanha vai até onde existirem alemães. Hitler recebe o apoio de outro ditador, Mussolini. Com o Tratado de Munique, os nazistas ganham o aval para anexar parte da Tchecoslováquia. Isso acalma os desejos do Führer, dizem os líderes democráticos em seus pronunciamentos em Paris e Londres.

Contudo a sanha nazista estende o tratado como uma fraqueza e por isso acumula tropas na fronteira da Polônia. A próxima vítima. Segundo os estrategistas ocidentais, ela está garantida pela presença da União Soviética, que não admitiria a presença de tropas alemãs próximo às suas fronteiras. Nos bastidores, as chancelarias nazista e soviética negociam. Os chanceleres Ribbentrop e Molotov escondem cláusulas do Pacto de Não Agressão. Em 1º de setembro de 1939, os nazistas invadem a Polônia e dão início à 2ª Guerra Mundial. Os tanques rolam em direção a Varsóvia. Duas semanas depois, é a vez de os soviéticos invadirem a Polônia pelo leste. O país é devastado pelas duas ditaduras.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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