Monitoramento do sono: um novo olhar sobre a prevenção de doenças graves
Pesquisa sugere que dados de uma única noite de sono podem antecipar riscos de saúde, impulsionando avanços em dispositivos vestíveis
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um estudo publicado na revista Nature Medicine por pesquisadores de Stanford aponta que informações coletadas durante uma única noite de sono podem ser suficientes para prever o risco futuro de diversas doenças graves, como demência, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, doença renal crônica, infarto e mortalidade geral.
A pesquisa utilizou sensores clínicos de alta precisão, mas especialistas avaliam que empresas de smartwatches — relógios inteligentes — e rastreadores de saúde podem adaptar a tecnologia para dispositivos de uso cotidiano.
O trabalho analisou dados de polissonografia, considerado o padrão ouro em exames do sono, que reúne sinais como atividade cerebral, movimentos oculares, frequência cardíaca, atividade muscular e respiração.
A equipe treinou um modelo de inteligência artificial com mais de meio milhão de horas de registros, conseguindo prever riscos para mais de 130 doenças com desempenho considerado elevado.
Embora a polissonografia ofereça dados mais detalhados do que os wearables — dispositivos inteligentes vestíveis como relógios, pendentes, anéis e pulseiras — os dispositivos de consumo têm a vantagem de monitorar usuários por períodos prolongados e em situações cotidianas.
Isso permite identificar alterações graduais em padrões de sono, frequência cardíaca e respiração, que podem servir como sinais precoces de problemas de saúde.
Segundo o estudo, diferentes estágios do sono, como sono leve e REM, contribuíram de forma relevante para a previsão de doenças cardiovasculares e neurológicas.
Sinais de frequência cardíaca foram importantes para doenças circulatórias, enquanto medições de respiração se destacaram em distúrbios metabólicos e respiratórios.
Apesar das limitações dos wearables, que não captam sinais cerebrais com a mesma precisão dos exames clínicos, eles já conseguem monitorar frequência cardíaca e oxigenação do sangue de forma razoável.
O potencial desses dispositivos está em acompanhar tendências ao longo do tempo, o que pode compensar a menor qualidade dos dados individuais.
A aplicação desse tipo de análise em dispositivos vestíveis pode ser mais eficaz inicialmente na detecção de riscos relacionados ao coração e à respiração, como arritmias e distúrbios do sono.
Para condições neurológicas, a precisão ainda é limitada, mas o monitoramento contínuo pode revelar padrões relevantes.
O avanço dessas tecnologias levanta preocupações sobre privacidade e regulação. O uso de dados de saúde para prever riscos pode impactar decisões médicas, seguros e até o cotidiano dos usuários.
Especialistas defendem a criação de regras claras para validação, auditoria e proteção dos dados, sugerindo que parte do processamento seja feita localmente nos dispositivos para evitar o compartilhamento indevido de informações sensíveis.
Os autores do estudo ressaltam que a maioria dos dados analisados veio de pacientes de clínicas do sono, o que pode limitar a generalização dos resultados para a população em geral.
Ainda assim, a pesquisa demonstra o potencial do uso de inteligência artificial e monitoramento do sono para antecipar riscos de saúde, indicando uma possível mudança no foco da medicina preventiva.
O conteúdo deste artigo é baseado em informações do vídeo publicado no canal do YouTube The Quantified Scientist de Rob ter Horst, pesquisador pós-doutor em análise de dados biológicos.














