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Porto Alegre conclui comportas que protegem zona norte da cidade contra enchente

Sistema entrou em operação quatro dias antes do prazo e prepara terreno para nova etapa de proteção da região

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Comportas na zona norte de Porto Alegre Luciano Lanes/ PMPA

Porto Alegre acaba de destravar uma peça central no quebra-cabeça de proteção contra enchentes que a cidade monta desde a tragédia de 2024. Nesta quinta-feira (27), o Dmae terminou de instalar as comportas que vão proteger o arroio Passo das Pedras contra o transbordamento do rio Gravataí. É a etapa mais decisiva da obra dos pôlderes 7 e 8, faixa de terra entre os bairros Sarandi e Anchieta que também protege o entorno do Aeroporto Salgado Filho.

O detalhe que chama atenção é o prazo. O sistema ficou pronto quatro dias antes do previsto em contrato, um respiro raro em obras públicas no Brasil, ainda mais em intervenções desse porte, com dique de 100 metros de extensão e mecanismo móvel de fechamento.


Na prática, a lógica é simples. Quando o Gravataí sobe, as comportas fecham e travam a entrada da água pelas galerias que ligam o rio ao arroio. Bombas flutuantes fazem o trabalho inverso, tirando a água da chuva que se acumula dentro da área protegida e devolvendo ao rio. É engenharia pensada para operar sob pressão, literalmente.

A conclusão desta etapa não encerra a obra. Faltam ajustes finos: elevar o novo dique até a cota de 5,8 metros e fechar a estrutura de proteção junto ao Arroio Areia. Mas o ponto de virada já aconteceu. O sistema de Passo das Pedras está operacional.


O investimento total gira em torno de R$ 47 milhões, valor que cobre desde a obra civil até equipamentos como bombas, eletrocentros e geradores. O Dmae já foi além da execução e apresentou aos governos estadual e federal uma proposta para as próximas fases: uma bacia de amortecimento permanente e duas novas estações de bombeamento na região.

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Depois de 2024, Porto Alegre aprendeu, do jeito mais duro possível, que proteção contra cheia não é luxo, é pré-requisito para a cidade funcionar. Cada comporta instalada, cada dique erguido, é um pedaço dessa lição sendo colocado em prática. O que falta agora é que esse ritmo não pare na Zona Norte, e que outras regiões vulneráveis da Capital, e do Rio Grande do Sul como um todo, vejam suas próprias obras saírem do papel com a mesma urgência.

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