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Competitividade regional e logística após a Reforma Tributária: a iniciativa é benéfica para quem?

A transição fiscal pode aprofundar disparidades entre regiões se não vier acompanhada de investimentos estruturais e mecanismos de equalização

Logística e Liderança|Gilson SchilisOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Reforma Tributária pode acentuar desigualdades regionais, beneficiando estados com infraestrutura consolidada, como Sul e Sudeste.
  • A visão logística atual do Brasil é centrada em São Paulo, ignorando a diversidade geográfica e econômica do país.
  • Incentivos fiscais são vistos como instrumentos de desenvolvimento territorial, e sua redução pode prejudicar regiões emergentes.
  • Para promover competitividade nacional, é necessário que a Reforma Tributária seja acompanhada por políticas públicas que reduzam desigualdades estruturais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Divulgação/Fulwood

Quem atua no mercado de galpões/logístico nacional está atento às alterações que a Reforma Tributária poderia causar no mapa da logística nacional.

Embora o discurso predominante seja o de que o novo sistema tornará o ambiente de negócios mais equilibrado, uma leitura mais abrangente do território nacional indica que a reforma pode, na prática, fortalecer ainda mais os estados que já concentram mais infraestrutura, consumo e produção, ampliando ainda mais as desigualdades econômico-sociais.


O fato é que a visão logística no Brasil costuma se limitar à percepção criada pelo entorno de São Paulo, como se a lógica do “raio 15” e “raio 30” fosse replicável em todo o país, o que não é verdade. Essa visão, inclusive, ignora a própria geografia nacional.

A Amazônia representa 61% do território brasileiro e o Centro-Oeste ocupa aproximadamente 19%. Somadas, as Regiões Sul e Sudeste, que dominam as análises de mercado, correspondem a apenas 17,6% da área total.


Os demais 3% funcionam em realidades distintas, com demandas e oportunidades que raramente aparecem nas avaliações tradicionais. Desconsiderar essa diversidade não é apenas um erro de escala, mas de interpretação econômica.

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O argumento de que a competitividade regional nunca dependeu exclusivamente da tributação é correto, mas é justamente por isso que a Reforma Tributária pode reforçar a concentração logística no Sul e no Sudeste.


Ao reduzir o peso dos incentivos fiscais, historicamente utilizados como instrumentos de desenvolvimento territorial, a reforma desloca a competição para fatores que já são desigualmente distribuídos. Infraestrutura, energia, mão de obra qualificada, proximidade dos mercados consumidores e segurança jurídica são elementos que não se reorganizam com a mesma velocidade que o sistema tributário.

No real estate, a decisão de investir em determinada localização envolve variáveis complexas. Disponibilidade de terrenos, qualidade das vias, acesso à mão de obra, rapidez no licenciamento, custos operacionais e isenção de impostos municipais, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), influenciam diretamente a escolha das empresas.


A crescente demanda por energia, impulsionada pela automação e por sistemas integrados de armazenagem, tornou esse item decisivo. Além disso, operações como cross-docking e single-dock têm impactos distintos sobre custos e eficiência. Reduzir essa complexidade ao custo por metro quadrado ou ao peso tributário significa ignorar variáveis que o mercado não apenas considera, como valoriza.

Centros de distribuição e parques logísticos são planejados para horizontes longos, e cadeias produtivas não se deslocam rapidamente. Assim, regiões que já possuem infraestrutura consolidada pelo incentivo fiscal continuarão atraindo investimentos, enquanto áreas que carecem de infraestrutura terão mais dificuldade de crescimento econômico.

A distribuição da atividade econômica brasileira também revela características estruturais que tendem a permanecer relevantes independentemente das mudanças tributárias. Compostas por sete estados, as Regiões Sul e Sudeste são ocupadas por 56% da população e concentram cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Os demais 30% do PIB correspondem a 19 estados e ao Distrito Federal.

Composta em sua totalidade por 213 milhões de pessoas, uma parte considerável da população está inserida em políticas de benefícios sociais, o que limita hábitos de consumo. É o caso do Programa Bolsa Família, que beneficia 19% dos brasileiros, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Analisando regionalmente, a Região Nordeste concentra 35,5% dos beneficiários do país, seguida pelo Norte, com 31,7%, e o Centro-Oeste, com 12,8%. Ainda que reúnam mais da metade da população nacional, somadas as Regiões Sul e Sudeste apresentam apenas 20,7% dos beneficiários, com os menores indicadores de todo o Brasil, segundo dados do Painel de Informações do Bolsa Família, mantido pelo MDS.

O fato é que a demanda real do consumo determina o mapa da logística. Portanto, a premissa de que o imposto ficará concentrado na região de destino tem potencial para agravar ainda mais a desigualdade social já preexistente.

Incentivos fiscais não são subsídios artificiais. São instrumentos de desenvolvimento territorial que permitem que regiões emergentes atraiam investimentos, construam e efetivem vocações econômicas. Ao diminuir o papel desses mecanismos, a Reforma Tributária pode enfraquecer áreas que ainda estão em processo de consolidação logística e que ainda não têm seu ecossistema formado, como o interior do Nordeste, o Norte e parte do Centro-Oeste, enquanto reforça a atratividade das regiões já maduras.

Quando falamos em regiões incentivadas, estamos falando de um ecossistema composto por segurança pública, rodovias com acesso rápido aos grandes centros e baixa tarifação de pedágio, disponibilidade de mão de obra, saúde e educação pública de qualidade, além da tarifação de IPTU reduzida. São características consolidadas nos estados do Sul do país, especialmente Curitiba, e do Sudeste, como Minas Gerais, que tornam essas áreas tão cobiçadas.

Se o objetivo é promover competitividade nacional, a Reforma Tributária só cumprirá sua promessa de equilíbrio se vier acompanhada de políticas públicas capazes de reduzir assimetrias estruturais. Sem isso, o país corre o risco de modernizar o sistema fiscal enquanto preserva ou, pior ainda, aprofunda a geografia histórica da desigualdade econômico-social.

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