Fulwood: o negócio que nasceu de uma escassez e virou referência nacional em condomínios logísticos
A jornada de quem transformou um vazio do setor em oportunidade
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Quando olho para trás, percebo que a Fulwood não nasceu de um plano grandioso. Nasceu de uma dor, de uma necessidade tão concreta quanto o chão da fábrica de plásticos onde passei minha primeira década como empreendedor.
Nos anos 90, o mercado de galpões logísticos era quase uma caricatura do que é hoje. Um galpão de 2.500 m² era considerado grande e um de 10.000 m² era praticamente um delírio, um ativo raríssimo. Era difícil ter um cliente para alugar e era ainda mais difícil localizar um espaço como esse.
O produto era rudimentar, o pé-direito baixo, o piso fraco não suportava 6 toneladas e a tecnologia era inexistente. O galpão era o “patinho feio” do real estate, pois ninguém queria, ninguém valorizava. Isso porque, naquela época, o mercado de galpões no Brasil era tratado como coadjuvante.
Durante décadas, investidores e empreendedores preferiram o brilho dos escritórios corporativos, enquanto os galpões eram vistos como um ativo secundário. De certa forma, isso foi bom, pois foi assim que consegui capitalizar e capturar bons resultados ao longo dos anos.
É aquela máxima: onde todos enxergavam um espaço, eu enxergava um vão, uma janela de oportunidade onde ninguém via possibilidade. Hoje, com o boom do e-commerce, o mercado reconhece não apenas a rentabilidade, como a liquidez desses ativos.
Atualmente, um galpão competitivo precisa ter no mínimo 50 mil m², e isso diz muito sobre a mudança do comportamento do consumo no Brasil. Mas, naquele tempo, a demanda por galpões vinha especialmente da indústria.
E na Injepet, minha primeira empresa, vivíamos uma operação sazonal: no verão, havia o aumento no consumo de água e refrigerante. Portanto, a produção era aquecida, enquanto no inverno o estoque crescia.
Precisávamos de espaços que acompanhassem esse respiro do negócio, com estoques reguladores. Mas o mercado não oferecia nada que atendesse. Prova disso é que aluguei um galpão aberto em uma cidade vizinha de Itupeva, no interior de São Paulo, e as caixas de embalagem chegavam sujas.
Para uma operação que atendia à indústria alimentícia, essas condições eram inadmissíveis, inclusive para nós, fabricantes, que precisávamos descartar o produto ou promover a reciclagem. Foi ali que entendi: se o galpão que eu precisava não existia, eu teria que construí-lo.
Naquela época, a região que se desenvolvia para galpões era a de Alphaville-Tamboré, na Região Metropolitana de São Paulo. Por isso, fomos para lá. O primeiro espaço foi improvisado, em Alphaville.
Era hermeticamente fechado para evitar contaminação, porém, a operação ainda poderia ser melhorada. A produção parava e cobríamos as máquinas com plástico.
Depois, veio Tamboré. Quando a área ficou pequena, comprei um terreno ao lado para construir mais 5.000 m², mas, pela nossa necessidade, buscamos uma área maior. Com o passar do tempo, os preços foram subindo na região e começaram a surgir as “cidades secundárias”, aquelas que poderiam abrigar novos projetos.
Naquela época, um galpão no interior de São Paulo custava oito reais o metro quadrado. Com esse valor, o retorno era excelente. Já tinha crossdocking, piso de concreto, dez metros de pé direito e distanciamento entre colunas mais apertado do que é hoje, mas era um galpão inovador para a época.
Recebi uma oferta para vender o terreno de Tamboré e, com o capital, investi nesta boa área em Jundiaí. Mais longe, porém, maior e com escala. Foi ali que construí o primeiro galpão de verdade, com cerca de 14 mil m², onde implantei a Injepet. Foi assim que, em 1994, nasceu o embrião da Fulwood.
Depois que eu fiz esse galpão em Jundiaí, vi que havia um terreno vizinho à venda. Comprei. Entendi que um fornecedor de máquinas ia se instalar naquela região. Naquele tempo, todos os fabricantes estavam se instalando ali e tinha um ponto de terreno disponível por lá. Vendi para o meu fornecedor.
Com o dinheiro da venda do terreno, realizei a terraplanagem do Colinas Business Park. A placa da Fulwood foi instalada no terreno da Injepet. Fez sucesso. O negócio foi acontecendo naturalmente em cadeia: vendi um terreno, comprei outro, vendia o próximo e comprava o seguinte, dando origem ao Bandeirantes Business Park, todos em Jundiaí.
Sempre o movimento de compra e venda fez parte das transações, seja na venda de galpão sob o regime de incorporação, seja na participação em Sociedades de Propósito Específico (SPEs).
E foi ali que percebi que cada terreno vendido financiava o próximo. Cada movimento abria uma nova porta e cada porta revelava outra oportunidade. Sem perceber, eu estava construindo uma empresa.
A Injepet foi meu MBA prático. Crescemos de 25 para 600 funcionários e multiplicamos 25 vezes o nosso faturamento. Nesse processo, aprendi o que um galpão realmente precisa ter: docas cruzadas, rampa traseira para empilhadeira entrar sem guindaste, pé-direito generoso, piso resistente, controle de pragas, restaurante, ambulatório, infraestrutura humana e não apenas física.
Tudo que não encontrei no mercado, fui construindo, adaptando, incrementando, pois era realmente necessário. Depois, transformei essa solução em um produto rentável, o que entendemos hoje como condomínio logístico.
A Injepet foi o primeiro cliente da Fulwood, pois o espaço era alugado a partir de um valor negociado em Conselho de Administração, pois naquele tempo eu tinha sócios.
Quando aluguei um prédio de 10.000 m² para uma empresa de celulares, todos duvidavam que alguma companhia pudesse se interessar por uma área mais ampla, mas ocorreu e com sucesso. Foi ali que entendi que havia uma oportunidade real. A ideia inicial era ter dois ou três galpões. Antes de transformar a Fulwood em uma desenvolvedora de condomínios logísticos, a intenção era que fosse uma gestora de ativos da família, que acabou se transformando em uma empresa rentável.
Quando eu vendi a minha parte na Injepet, a empresa permaneceu alguns anos no galpão da Fulwood em Jundiaí. Aluguei, então, um andar inteiro para abrigar a estrutura que ainda existia por causa dos sócios estrangeiros. O restante da área ficou para a Fulwood e para as minhas demandas pessoais. O que sobrava, eu alugava. Quando devolveram a área, alugamos para uma multinacional distribuidora de bebidas.
O fato é que, após vender o negócio para um parceiro estratégico, eu tinha apenas 40 anos e muita energia para empreender. E, naquele momento, eu não decidi me dedicar 100% à Fulwood. Foi a própria Fulwood que decidiu por mim, crescendo por acumulação, não por intenção. Era um processo natural e prazeroso.
Algumas situações marcaram profundamente meu jeito de fazer negócios. Uma delas foi o leilão do terreno da Cica, em Jundiaí. Todo mundo me desaconselhava. Fui lá e arrematei. Ali construímos o condomínio que mais tarde abrigaria uma das maiores operações da nossa história. O sócio desse leilão virou amigo e investidor.
Outro bom case foi em Santa Catarina, quando compramos o terreno de Governador Celso Ramos antes da construção de um viaduto que mudaria o acesso da região. A obra veio. O GCR Business Park hoje entrega exatamente o que prevíamos à época da aquisição da área.
E há também a história de Extrema, em Minas Gerais. Começou com a gestão de um galpão de uma fornecedora. A negociação não andava. Comprei outro terreno, desenvolvi o condomínio e atraímos as empresas depois, gerando ocupação. Extrema virou polo logístico, atualmente com sete empreendimentos nossos e vacância zero. Lá, temos um marco: o primeiro condomínio logístico do Brasil com selo LEED Platinum em operação e manutenção.
Ao longo de 32 anos de Fulwood, aprendi que trabalho é insubstituível, que perseverança separa quem tenta de quem realiza, que qualidade não é um destino, é um processo, e que humildade para mudar de rota é tão importante quanto a coragem para começar.
Aprendi também que a maturidade empresarial se mede pela capacidade de dizer não. Na Injepet, eu aceitava o que vinha. Na Fulwood, só fazemos o que faz sentido. Com essa visão, hoje somamos mais de 1,6 milhão de m² de galpões incorporados e administramos 1 milhão de m² de área bruta locável (ABL) em padrão AAA, sempre unindo eficiência operacional e sustentabilidade, características muito valorizadas por empresas de alto nível de governança.
Chegamos lá? Com vacância zero em todo o nosso portfólio, ainda há muito campo para expandir. Por isso, a Fulwood Capital Partners é o próximo passo natural, pois a gestora fecha o ciclo entre desenvolvimento, gestão e liquidez. Permite montar FIIs, trabalhar com produtos de terceiros, ampliar captação e democratizar o acesso ao mercado de galpões AAA. Com meus filhos já em posições de liderança, a gestora é também o instrumento que consolida a sucessão com visão de longo prazo. É assim que prevemos a expansão do mercado e do nosso próprio futuro. O melhor está por vir!
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