De auditor a CEO: como asfaltar uma trajetória sólida em meio aos obstáculos
Do sonho de um jovem estudante ao legado de uma das maiores empresas do setor de condomínios logístico-industriais do Brasil

Lembro como se fosse ontem. O ano era 1983, concluía a FAAP, onde cursava Administração de Empresas, cheio de expectativas sobre o futuro em um Brasil com inflação anual batendo 200%. Mesmo em meio às incertezas, eu já sabia que iria empreender, construir algo meu e deixar, de alguma forma, um legado.
Do primeiro ao segundo ano de faculdade, comecei a atuar como auditor na Ernst & Young, aprendendo o valor de processos sólidos e controles financeiros rigorosos. Em seguida, como auditor sênior na Abril S/A, na década de 80, refinei minha habilidade de negociação e liderança em cenários de alta pressão.
Aos 31 anos, decidi mergulhar no empreendedorismo e fundei em Manaus a Injepet Embalagens. Três anos depois, iniciamos a operação em um prédio apropriado à divisão de embalagens.
No ano seguinte, foi inaugurada a fábrica de Alphaville, no estado de São Paulo, um galpão que já previa o crescimento do negócio. A estrutura era simples, com chão em cimento cru, poucas máquinas e equipe enxuta. Mas foi ali que vivi minhas primeiras grandes lições: montar um time resiliente, fazer mais por menos e transformar cada obstáculo em oportunidade.
Foi assim que o resultado veio: onde os demais viam um espaço de negócios, me obriguei a enxergar um vão. Em menos de uma década da fundação, o faturamento saltou de US$ 4 milhões para mais de US$ 100 milhões nos anos 2000.
Em 1997, fizemos um private equity na Injepet e, em 2000, com o business plan devidamente cumprido, vendemos a empresa toda para um parceiro estratégico.
Com o know-how da Injepet, fundei a Fulwood em 1994, antecipando o boom dos condomínios logístico-industriais. À época, se tratava de um ativo pouco valorizado, “o patinho feio do real estate”. Só quem já tinha precisado de um galpão, como aconteceu comigo no passado, dava o devido valor ao produto.
Era uma janela de oportunidade. Hoje, com o boom do e-commerce, o mercado reconhece não apenas a rentabilidade, como a liquidez desses ativos. Assim, somamos mais de 1,6 milhão de m² de galpões incorporados e administramos 1 milhão de m² de área bruta locável (ABL) em padrão AAA, sempre unindo eficiência operacional e sustentabilidade, muito valorizado por empresas de alto nível de governança ao longo de 32 anos de trabalho árduo.
Em 2021, estruturamos a empresa para entrar na B3, mas a janela de IPOs, que é a oportunidade ideal para a abertura de capital, fechou e retiramos a nossa oferta. Desde então, trabalhamos como uma companhia aberta, com conselho consultivo com membros independentes e comitês de auditoria e compliance.
Como CEO da Fulwood, carrego comigo o entusiasmo daquele jovem recém-formado e a experiência de décadas para criar empreendimentos que façam a diferença para empresas, clientes, investidores, comunidades do entorno e para a sociedade como um todo.
Não por acaso, a eficiência operacional dos nossos condomínios logísticos resulta em vacância zero, levando em consideração mais de 30 condomínios logísticos distribuídos em oito cidades diferentes, dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Há alguns anos, meus dois filhos, após passarem pelo plano de carreira, ocupam cargos de liderança. Ambos são sócios diretores, com participação ativa tanto na operação quanto no conselho consultivo, de modo que o processo de sucessão se consolida de forma cada vez mais robusta, alicerçado em planos estratégicos e projetos ousados que expandem nosso legado.
A confiança gerada por essa nova geração, aliada à experiência que construímos ao longo de décadas, nos coloca em uma trajetória de crescimento contínuo, indo além do óbvio.
Mais do que fortalecer frentes complementares de negócios, como a gestão ativa de ativos, a reciclagem de capital por meio de desinvestimentos estratégicos, resolvemos dar início a uma nova empresa: a gestora de fundos imobiliários Fulwood Capital Partners, atualmente em fase de aprovação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Com foco estratégico em fundos de investimento imobiliário (FIIs) de pequeno e médio porte, além dos nossos próprios parques de galpões industriais e logísticos, incluiremos ativos de outros players do mercado. É, o melhor está por vir!
Semanalmente, dividirei aprendizados ao longo da jornada, sobretudo no que diz respeito à oportunidade escondida em cada um dos desafios, pois quanto mais difícil a obra, mais interessante é o processo construtivo e quanto mais esburacada a via, mais valorizamos o asfalto.
Lado a lado de meus filhos, em um novo negócio, sinto a renovação da juventude, da curiosidade, de um horizonte ainda mais interessante! Talvez esse seja o maior legado da trajetória!
Isso é ser o CEO da própria história! É esse olhar que faz a diferença aos negócios e à própria vida! Faça sua vida brilhar também!
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