Do galpão ao consumidor: a nova era da logística impulsionada pelo e-commerce
Qualidade do serviço exige das empresas a capacidade permanente de adaptação
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O crescimento do e-commerce costuma ser associado à transformação da logística. De fato, o avanço das compras pela internet mudou a maneira como produtos são armazenados e entregues.
Porém, após acompanhar essa transformação por tantos anos, acredito que a mudança vai muito além dos galpões, dos caminhões e dos prazos de entrega, e concluo que o comércio eletrônico alterou a expectativa das pessoas em relação ao tempo, à conveniência, qualidade, eficiência e rapidez do serviço. Isso obrigou as empresas a repensarem a maneira como trabalham e se relacionam com seus clientes.
Costumo usar o exemplo da farmácia para explicar essa mudança. Uma pessoa entra para comprar cosméticos, sabonete, creme ou algum medicamento e não encontra a marca desejada. Precisa ir a outra loja, às vezes, a uma terceira.
Para quem trabalha, tem filhos e precisa administrar diferentes tarefas ao longo do dia, esse deslocamento representa um custo de tempo que passou a ser questionado.
O e-commerce surgiu como uma alternativa para resolver esse tipo de problema e, ao mesmo tempo, criou uma expectativa: receber aquilo que se procura de maneira rápida e conveniente.
Recentemente, precisei ir ao supermercado comprar itens variados e produtos pesados, que precisavam ser carregados até em casa. Pensei, então, por que não receber tudo na porta?
Quando a compra chega no mesmo dia, o ganho não está apenas na comodidade. O tempo que seria gasto com deslocamento pode ser aproveitado com a família, no descanso ou em outras atividades. E é justamente esta comodidade e eficiência que proporcionam o crescimento acelerado do comércio digital.
Essa lógica também mudou a forma como comparamos produtos e preços. Fui ao shopping recentemente procurando uma capinha de celular e encontrei uma por um valor que considerei muito alto.
Pesquisei no e-commerce e encontrei uma opção semelhante por um quinto do preço. Hoje, preço, prazo, disponibilidade e conveniência estão permanentemente lado a lado na decisão de compra.
O comércio eletrônico também digitalizou categorias que, durante muito tempo, pareciam depender exclusivamente da presença física. Atualmente é possível fazer compras de supermercado, medicamentos, peças, equipamentos de cozinha e eletrodomésticos sem precisar entrar em uma loja.
Isso não significa que o varejo físico perdeu importância, mas que se precisa encontrar uma nova função nessa jornada, oferecendo experiência, demonstração, relacionamento e aquilo que desperta o desejo pelo produto.
A loja física pode ser o lugar para conhecer e experimentar, enquanto o comércio eletrônico assume parte importante da transação. Assim, o mundo e a sociedade vão se transformando.
Em categorias como roupas e calçados, tamanho e expectativa interferem diretamente na decisão de compra e nas devoluções. A empresa precisa pensar na experiência do consumidor desde o primeiro contato até o momento posterior à entrega, entendendo que a relação não termina quando o produto chega.
Na Fulwood, tivemos contato com essa transformação quando ainda começava a ganhar força. Acompanhávamos o movimento de uma plataforma de comércio eletrônico de artigos esportivos e fomos conversar com a empresa.
Em 2010, assinamos um contrato e entregamos o ativo entre janeiro e fevereiro de 2011, antes de a companhia ser adquirida por uma das maiores empresas de varejo multicanal e de tecnologia do Brasil.
O que nos chamou a atenção naquele momento foi que a operação ainda não apresentava lucro, mas crescia consistentemente em dois dígitos. Percebemos que havia uma demanda sendo construída e que outros negócios viriam na mesma direção. Enxergamos ali um nicho, acertamos a oportunidade e acertamos o timing de execução.
Essa experiência reforçou uma convicção que carrego há décadas: nem sempre é preciso esperar que uma tendência esteja consolidada para tomar uma decisão. Em determinados momentos, os sinais ainda são pequenos, mas consistentes. Cabe ao empresário observar, analisar e entender se aquela mudança representa uma ameaça ou uma oportunidade. Em ambos os casos, é preciso se movimentar.
Hoje, o e-commerce continua funcionando como um dos grandes motores desse movimento. Se ele cresce, outros setores acompanham a evolução, como o farmacêutico, o varejo, a logística e a indústria.
É o que eu chamo de “digitalização da economia”. A velocidade aumenta, o controle aumenta e a capacidade de entrega também. Estamos começando a enxergar isso de maneira muito concreta dentro dos próprios galpões, com empilhadeiras autônomas, inventários realizados em poucas horas e sistemas capazes de emitir notas fiscais automaticamente quando o produto passa por um determinado ponto da operação.
Quando essas tecnologias avançam, não basta substituir uma máquina por outra. É preciso repensar o próprio galpão. Se uma empilhadeira autônoma sabe exatamente onde está determinado produto, pode trabalhar com corredores menores e com uma estrutura diferente daquela necessária em uma operação convencional.
Isso modifica também os espaços de apoio, como iluminação, banheiros e refeitórios. O produto imobiliário precisa acompanhar a transformação da operação de seus ocupantes.
A energia e o uso racional de água são pontos que ganham importância nesse cenário. À medida que processadores, equipamentos automatizados e veículos elétricos passam a fazer parte das operações, o consumo energético se torna uma variável cada vez mais relevante.
Nossos galpões inicialmente previam geração de energia no telhado, mas entendemos que, em determinadas situações, comprar energia no mercado livre poderia ser mais competitivo.
O Brasil tem grande capacidade de geração de energia limpa, mas também precisa avançar na gestão e no armazenamento dessa energia, especialmente diante do crescimento dos data centers. O fato é que a sustentabilidade ganhou relevância em todas as pautas.
Ao mesmo tempo, existe algo que a velocidade do e-commerce não muda: a importância da confiabilidade. Negócios de longo prazo continuam sendo construídos com reputação, seriedade e capacidade de entrega.
Ao longo da minha trajetória, percebi que reputação também funciona como uma espécie de crédito. Existe o crédito financeiro, mas existe também aquele construído pela performance e pela maneira como a empresa se relaciona com o mercado. Quando você entrega aquilo que prometeu e mantém consistência, constrói uma história que passa a fazer parte da própria marca.
O mercado de galpões também mudou nesse sentido. Quando comecei a atuar no segmento, os preços eram muito mais baixos, mas a qualidade também era menor.
Hoje existe uma barreira de capital maior, envolvendo terrenos, construção e financiamento, enquanto os clientes têm acesso à diversidade de informação. Grandes empresas conseguem comparar preços por região, acompanhar índices de vacância e conhecer melhor as condições do mercado.
A capacidade do desenvolvedor de condomínios logísticos está em compreender essas variáveis e, dentro de um valor competitivo, conseguir produzir resultado.
Essa evolução exige capacidade analítica. É preciso controlar as variáveis, fazer investimentos de maneira racional, entregar e buscar resultado. Crescer não significa necessariamente aumentar o tamanho da operação em qualquer circunstância. Em determinados momentos, a decisão mais responsável é permanecer sólido até encontrar condições para avançar com segurança.
Nunca fomos uma empresa de jogar tudo ou nada. Quando não conseguíamos crescer, permanecíamos consistentes. Existe uma diferença importante entre querer ser maior e trabalhar para ser o melhor. E esta disciplina gera solidez e confiabilidade da empresa.
Atualmente, discutimos distância entre pilares, evolução tecnológica, consumo de energia, aproveitamento de água e sustentabilidade. Cada geração de galpão precisa melhorar a anterior, e essa evolução não pode acontecer apenas quando o mercado exigir. Para estar à frente, é fundamental antecipar o passo.
Provavelmente, essa é uma das principais lições deixadas pelo crescimento do e-commerce. Adaptação deixou de ser uma resposta a uma crise ou a uma mudança pontual de mercado e passou a fazer parte da própria continuidade dos negócios.
Não sabemos exatamente como serão os próximos galpões ou quais tecnologias estarão incorporadas às operações daqui a alguns anos, mas sabemos que a velocidade das transformações continuará aumentando.
Para quem empreende, a questão não é apenas acompanhar esse movimento. É desenvolver a capacidade de perceber o que está mudando, analisar o impacto antes que se torne evidente para todos e tomar decisões que mantenham a empresa relevante.
O e-commerce mudou a logística e o que o consumidor considera conveniente, como a velocidade com que espera uma resposta, a forma como compara empresas e preços e a maneira como o varejo precisa se posicionar.
Do ponto de vista do desenvolvimento de condomínios logísticos, não dá para aguardar a transformação acontecer para se adaptar. É necessário caminhar junto e, se possível, tentar antecipar o próximo passo.
Na Fulwood, a meta é sempre antecipar, afinal, o mercado muda, o produto evolui e a empresa precisa evoluir junto, não apenas para acompanhar uma transformação que já aconteceu, mas para estar preparada quando a próxima começar.
Em função disso, hoje temos uma visão muito clara de como será o galpão do futuro. Mas isso é uma reflexão que iremos explorar em outra oportunidade.
E por aí, como está a adaptação à digitalização da economia? Estar um passo à frente representa a própria continuidade dos negócios. Vamos refletir sobre a caminhada?
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