Citricultura busca novas tecnologias para enfrentar calor, seca e doenças
Setor aposta em inovação, manejo nutricional e novas áreas de produção para enfrentar desafios

O avanço das mudanças climáticas e do greening tem acelerado transformações na citricultura brasileira.
Além da adoção de novas tecnologias para proteger os pomares, o setor já observa mudanças no mapa de produção e maior investimento em irrigação, adensamento e manejo fisiológico.
Em entrevista ao Mundo Agro, Silvio Cezar Gregório, gerente comercial da Fortgreen, analisou os principais desafios enfrentados pelos citricultores e apontou as estratégias que vêm contribuindo para a manutenção da produtividade.

Mundo Agro: Como o aumento das temperaturas e o estresse hídrico têm impactado a produtividade dos pomares de citros na prática?
Silvio Cezar Gregório: A elevação das temperaturas e o estresse hídrico afetam os citros ao reduzir o tamanho das frutas, causar queda de flores e atrasar o rendimento industrial. Em áreas severas, o desequilíbrio térmico eleva o estresse oxidativo da planta e agrava a manifestação de doenças como a Clorose Variegada dos Citros (CVC).
Mundo Agro: O manejo da florada passou a ser um dos principais pontos de atenção da citricultura moderna?
Silvio Cezar Gregório: Com produtos de alta tecnologia com foco em diminuição do estresse oxidativo (mitigação de estresse), atualmente é a principal e mais eficiente ferramenta de proteção da sua florada, conseguindo reduzir os riscos de quedas das flores e, consequentemente, aumentando a produtividade.
Mundo Agro: Em que medida soluções fisiológicas conseguem reduzir perdas e melhorar o pegamento de flores e frutos no campo?
Silvio Cezar Gregório: Soluções fisiológicas e bioestimulantes reduzem o abortamento floral e aumentam o pegamento de frutos em até 20%. Elas agem fornecendo nutrientes essenciais no momento certo e promovendo o equilíbrio hormonal, tornando a planta mais resistente ao estresse climático.
Mundo Agro: Essas tecnologias já são adotadas de forma preventiva pelos produtores ou ainda entram como resposta a perdas climáticas?
Silvio Cezar Gregório: A escolha dessa tecnologia deve ser usada preventivamente, pois, mesmo que não ocorram períodos de veranicos (hídricos), a planta estará mais nutrida e ocasionará um ganho de produtividade. Plantas com equilíbrio nutricional balanceado serão plantas mais produtivas.
Mundo Agro: O avanço das condições climáticas adversas está mudando estruturalmente a forma de produzir citros no Brasil?
Silvio Cezar Gregório: Sim. Não apenas as questões climáticas, mas também fitossanitárias (HLB), têm forçado o setor a adotar novas práticas e tecnologias para mitigar seca e altas temperaturas. Além da adoção, está havendo uma migração do polo citrícola de SP para regiões com menor intensidade de HLB e seu vetor, o psilídeo, além de regiões com menor intempéries climáticas, adensamento de plantas e irrigação.
Mundo Agro: Como as soluções apresentadas pela empresa na Expocitros contribuem, na prática, para reduzir perdas por estresse hídrico e aumentar a rentabilidade dos pomares?
Silvio Cezar Gregório: Nossas tecnologias incluem o uso de Black Gold (bioestimulante) e do CoMoNi Dry, específico para aplicações de florada e fixação de frutos, evitando ter menos perdas por estresse oxidativo das plantas, que é um dos manejos que mais colhemos resultados positivos nas pesquisas junto às consultorias e tem se mostrado como maior aliado na mitigação de estresse.
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