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Uma jornada para decifrar o vinho italiano

O Mundo Agro participou da masterclass que abriu a programação da 5ª edição do I Love Italian Wines no Brasil

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Mário Lescano, Julyana Fiorin, Stevie Kim, Bernardo Pinto, Lupa Santiago e Ronaldo Padovani Foto cedida: Gladstone Campos

Quatro brasileiros embaixadores do vinho italiano sentaram-se à mesa diante de oito rótulos-ícone para uma degustação que mostrou, em diferentes taças, a força da tradição da vitivinicultura italiana.

A aula premium contou com a presença de Matteo Zoppas, presidente da ICE – Italian Trade Agency; Federico Bricolo, presidente da Veronafiere; Milena Del Grosso, diretora da ICE no Brasil; Ronaldo Padovani, Trade Analyst Sr. da agência; Marcos Milaneze, da Wine South America; e da estrela do futebol mundial Roberto Baggio.


Milena Del Grosso, Ronaldo Padovani, Roberto Baggio e Matteo Zoppas Foto cedida: Gladstone Campos

O encontro antecedeu a abertura da 5ª edição do I Love Italian Wines, que começa hoje, em Brasília, e segue para o Rio de Janeiro (14/9), São Paulo (16/9) e Curitiba (18/9).

À frente da degustação estiveram quatro Italian Wine Ambassadors brasileiros: Lupa Santiago, Bernardo Pinto, Mário Marcio Lescano e Julyana Fiorin. Cada um conduziu a análise de diferentes rótulos e regiões, em uma aula que combinou história, terroir, técnica e, sobretudo, a identidade dos vinhos italianos.


Timorasso: um branco para romper paradigmas

Lupa Santiago apresentou o DerthonaCà Degli Olmi” Colli Tortonesi DOC Timorasso, da Canevaro Luca, 2024, e o “Sul Vulcano Etna DOC Bianco, da Donnafugata, 2021.


“O Timorasso veio para mudar essa ideia do vinho italiano ralo, simples, sem persistência. É justamente o contrário,” disse Lupa.

Para ele, trata-se de um vinho de grande estrutura e capacidade de envelhecimento: “O Timorasso é um vinho complexo, persistente e que tem muito tempo para durar,” ponderou Lupa.


Etna DOC Bianco “Sul Vulcano”, da Donnafugata, 2021 Foto: Arquivo pessoal

Na comparação com o Etna Bianco, o embaixador chamou atenção para a acidez e para o caráter mais fresco do vinho siciliano. “O Etna Bianco veio para mudar essa ideia: é um vinho que vai crescer e ganhar complexidade na garrafa,” disse Lupa.

A comparação entre os dois rótulos também sintetizou uma transformação.

“Essa é uma nova fase, uma nova ideia do vinho italiano: um vinho durável, complexo, que traz tudo isso,” ponderou Lupa.

O Mundo Agro participou da especial Masterclass Foto: Arquivo pessoal

A elegância como assinatura do Trentodoc

Julyana Fiorin conduziu a comparação entre dois dos principais espumantes italianos de método clássico: Franciacorta e Trentodoc.

Para ela, há uma característica que define especialmente o espumante produzido no Trentino.

“A elegância é a veia principal que encontramos no Trentodoc,” disse Julyana.

Na comparação, o Franciacorta apresentou maior presença de frutas tropicais, enquanto o Trentodoc mostrou um perfil mais cítrico e elegante. A diferença também passa pelo terroir. Os solos de origem morênica, herança da ação glacial, são uma das características que marcam o terroir de Franciacorta.

A escolha das variedades também ajuda a contar um pouco sobre os sabores e aromas dos vinhos.

Em Franciacorta, a Chardonnay predomina, enquanto variedades como a Erbamat vêm ganhando importância por sua maturação tardia e capacidade de preservar a acidez em um cenário de temperaturas mais elevadas.

Vigna Gittori, Chiant Classico Docg Gran Selezione Foto: Arquivo pessoal

Tradição e renovação na Toscana

Bernardo Pinto conduziu a degustação de dois vinhos da Toscana, colocando lado a lado diferentes expressões da identidade italiana.

“Esses são vinhos que, pra mim, cheiram a Itália. Têm o gosto de Itália, têm a textura de Itália,” disse Bernardo.

A comparação revelou diferenças de fruta, ervas, taninos e acidez. Em um dos vinhos, a fruta aparece mais negra e as notas balsâmicas são mais evidentes; no outro, a fruta é mais vermelha e a acidez assume um caráter mais elétrico, associado à Sangiovese.

Ao falar do Chianti clássico, recorreu novamente a uma imagem simples e precisa: “O Chianti clássico tem essa característica da cereja ácida que grita: ‘Eu sou um Chianti’,” disse Bernardo.

L'Arco, Amarone della Valpolicella Docg Classico, Aziena Agricola Fedrigo Luca Foto: Arquivo pessoal

Amarone e Taurasi: duas faces da potência italiana

Mário Marcio Lescano colocou frente a frente dois gigantes do sul da Itália: Amarone e Taurasi.

“Quando a gente fala de Amarone, não é só concentração. O appassimento é concentração, mais uma atividade de modulação dos genes,” disse Mário.

Para ele, na taça, a distinção entre eles é simples.

“O Taurasi, para mim, é o dia começando, o sol nascendo: aquele vinho austero, vertical, com um futuro promissor. O Amarone, já é aquele vinho já concentrado, desenvolvido, já passou o calor do dia,” ponderou Mário.

Decifrar grandes rótulos italianos ao lado de renomados experts e ainda conhecer uma lenda do futebol italiano foi, sem dúvida, uma experiência que ultrapassou o conhecimento sobre uvas autóctones e terroirs icônicos. Uma jornada espetacular, que uniu vinho, cultura e paixão pela Itália.

Quer ver a lenda do futebol italiano no I Love Italian Wines?

Confira a cobertura completa no nosso canal do YouTube!

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