Uma Itália, 20 territórios, infinitas taças
Da diversidade de solos e microclimas às uvas autóctones de cada território, o país oferece um universo de vinhos que parece impossível de esgotar — e que ganha cada vez mais espaço entre os consumidores brasileiros

Falar de vinho é, inevitavelmente, falar de território e de legado. Mas a diversidade da vitivinicultura italiana a torna especial.
São 20 regiões produtoras, cada uma com características próprias, histórias, tradições e uma identidade que chega à taça. É essa combinação entre as uvas autóctones de cada território, as variedades internacionais cultivadas no país, os diferentes microclimas e a diversidade de solos que explica por que o vinho italiano conquistou o mundo.
“Do calcário ao vulcânico, do frio ao quente, das planícies às montanhas, dos ventos e da umidade marítima às regiões mais secas, essa combinação se traduz naturalmente na taça”, disse Ronaldo Padovani, coordenador do setor agroalimentar do ITA (Italian Trade Agency).
Não são apenas os elementos naturais que ajudam a construir essa diversidade. Os métodos de produção também variam, passando da mecanização ao trabalho manual e preservando técnicas e conhecimentos transmitidos ao longo de gerações.
O resultado é uma variedade impressionante de estilos e expressões.
Há brancos minerais e frescos, tintos encorpados e complexos, espumantes clássicos e vinhos que revelam toda a influência do tempo, da madeira e do envelhecimento.
Para o consumidor brasileiro, esse patrimônio representa um convite permanente à descoberta.
“O consumidor brasileiro gosta de novidades, e o patrimônio vitivinícola italiano oferece um universo de descobertas. Nem o enófilo mais dedicado conseguiria esgotar”, disse Padovani.
E talvez seja justamente isso que me deixa cada vez mais fascinada pelo universo do vinho italiano.

Há rótulos para diferentes paladares. Dos vinhos mais leves e frescos aos exemplares mais estruturados, com passagem por barrica e longo potencial de envelhecimento.
E a oportunidade de novos mercados está na diversidade que o país tem para oferecer.
A 5ª edição do I Love Italian Wines, iniciativa da ICE – Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas, em parceria com as feiras Vinitaly e Wine South America, reúne 56 expositores e cerca de 600 rótulos. Depois de passar por Brasília, o roadshow chega hoje ao Rio de Janeiro e, na sequência, desembarca em São Paulo, no dia 16, e em Curitiba, no dia 18.
“É uma oportunidade para descobrir novos produtos, ampliar o portfólio, antecipar tendências e ter contato direto com vinícolas que buscam representação no Brasil”, destacou Padovani.
A programação paulistana terá duas masterclasses conduzidas por Jorge Lucki — o meu professor e amigo, que conheci durante a viagem para Cortina D’Ampezzo com a ITA —, um dos maiores críticos de vinhos do Brasil e membro da Académie Internationale du Vin.
Em São Paulo, o roadshow terá a presença de Milena Del Grosso, diretora da Agência ICE para o Brasil, e de Marcos Milaneze, diretor da Milanez & Milaneze, responsável pela realização da Wine South America — evento que tive o prazer de prestigiar neste ano, em Bento Gonçalves (RS).
Para quem trabalha com vinhos, a iniciativa representa a possibilidade de encontrar novos produtores, ampliar o portfólio e identificar tendências.
Mas, para mim, que estou do outro lado da taça e atrás de histórias, é uma oportunidade única.
Porque a Itália não cabe em uma garrafa.
E o encanto está justamente aí. Como Padovani sempre reitera, na Itália, sempre existe mais um vinho para descobrir.
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