Etanol de milho vai precisar de uma floresta para crescer
Expansão das usinas pode elevar a demanda por biomassa e abrir uma nova frente de negócios para produtores rurais
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O etanol de milho cresceu rápido no Brasil. As usinas se multiplicaram, novos projetos continuam surgindo e o milho ganhou mais uma função no campo: além de alimentar a indústria de ração e alimentos, passou a ser matéria-prima de uma das cadeias mais dinâmicas dos biocombustíveis.
Mas a expansão traz uma nova pergunta: de onde virá a energia para manter tantas usinas funcionando?
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Uma parte importante da resposta está na biomassa, principalmente na madeira. Hoje, parte desse material ainda vem de áreas de supressão vegetal autorizada. Mas, com o avanço das exigências ambientais e regulatórias, essa fonte tende a perder espaço. A alternativa é ampliar a oferta de biomassa produzida em florestas plantadas.
É aí que surge uma nova oportunidade — e também um novo desafio para o agro.
Segundo projeções do Itaú BBA, a capacidade instalada de produção de etanol de milho no Brasil pode passar de 10,9 bilhões de litros em 2025 para 25,3 bilhões de litros em 2030.
Mais usinas significam mais milho. E significam também mais madeira. Uma capacidade de produção de 13 bilhões de litros exigiria cerca de 35 milhões de metros cúbicos de biomassa de eucalipto por ano para atender à demanda energética das usinas.
Para garantir esse fornecimento de forma contínua, seria necessário um estoque de aproximadamente 440 mil hectares de eucalipto, com cerca de 63 mil hectares entrando em corte todos os anos.
No Mato Grosso, onde o etanol de milho avança com mais força, a conta é ainda maior. Considerando uma produção de 12 bilhões de litros até 2030, a demanda potencial por biomassa poderia exigir aproximadamente 383 mil hectares de eucalipto plantado.
É muita floresta. E há um detalhe importante: árvore não cresce na velocidade de uma usina. Uma indústria pode ser construída em poucos anos. Uma floresta precisa de tempo para crescer, ser manejada e chegar ao ponto de corte. Por isso, a oferta de biomassa precisa ser planejada antes que a demanda apareça.
Esse descompasso pode se transformar em um dos próximos gargalos da indústria. E também em uma oportunidade para o produtor rural. Plantar uma floresta exige capital hoje para gerar receita no futuro. Sem segurança sobre preço, volume e comprador, o investimento fica mais arriscado.
Há ainda espaço para outras fontes de biomassa, como resíduos agrícolas, palhadas e capins energéticos. Ganhos de eficiência nas caldeiras e nos processos industriais também podem reduzir o consumo de madeira.
Mas, enquanto essas alternativas avançam, o eucalipto aparece como uma das opções mais escaláveis para acompanhar o crescimento da indústria.
O etanol de milho já mostrou que é possível transformar uma grande produção agrícola em combustível.
Agora, a próxima etapa pode exigir outra transformação: plantar hoje a energia que as usinas vão precisar amanhã.
A corrida do etanol começou pelo milho. A próxima pode ser pela madeira.
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