O futuro do campo começa dentro de casa
Famílias que trabalham com a raça Santa Gertrudis mostram como sucessão, genética e rentabilidade podem aproximar novas gerações da pecuária
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Manter os filhos no campo é um dos grandes desafios da pecuária familiar. Mais do que transmitir uma propriedade, a sucessão exige criar condições para que a nova geração enxergue na atividade uma oportunidade de negócio e de construção de futuro.
Entre criadores de Santa Gertrudis, esse processo vem sendo construído dentro das próprias famílias.
Na Agropecuária WS, a relação com a raça começou ainda na infância dos filhos de Walter Sleutjes.
“O meu pai sempre falava que as vacas são muito amorosas e os touros são fáceis de lidar. Esse temperamento dócil fez com que o gado sempre estivesse por perto, literalmente no quintal de casa, tornando a atividade parte do nosso dia a dia”, contou Walter.
A participação precoce acabou se transformando em interesse pelo negócio. Hoje, Lívia e Henrique, da terceira geração, já investem recursos próprios na formação de seus rebanhos.
A rentabilidade também é parte importante dessa equação. No Santa Gertrudis, a capacidade de produzir animais funcionais e de contribuir para cruzamentos industriais amplia as possibilidades do pecuarista.

“A vaca Santa Gertrudis tem uma habilidade materna excepcional, é boa mãe e entrega ótimos resultados no cruzamento industrial”, disse Walter, citando um ensinamento deixado por seu pai.
No Sítio Malagueta, a sucessão está associada à evolução da seleção genética. Pedro Mello deu continuidade ao trabalho iniciado pelo pai, Wladimir Álvares de Mello, há mais de quatro décadas, mas incorporou novas ferramentas para atender às exigências do mercado de carne premium.
“Queremos um gado que atenda aos mais altos níveis de qualidade de carne, através de DEPs como área de lombo e marmoreio”, afirmou Pedro.
Na Fazenda Duas Águas, Artur Afonso também representa a continuidade de uma história familiar. Filho de Elizabeth Afonso, que atuou na direção de Marketing da Associação Brasileira de Santa Gertrudis, ele cresceu acompanhando a seleção genética e as ações de fomento da raça.
“A sucessão acontece quando os filhos enxergam propósito no que a família construiu. Desde cedo participei do dia a dia da fazenda e das ações da Associação, aprendendo que produzir genética é muito mais do que criar animais: é olhar funcionalidade, preservar um legado e preparar a raça para o futuro. Hoje, meu compromisso é dar continuidade a esse trabalho, trazendo novas tendências do mercado, sem perder a essência do trabalho feito pelos nossos pais”, disse Artur.
As histórias mostram que a sucessão no campo não acontece apenas pela transferência de patrimônio. Ela depende de envolvimento, conhecimento, tecnologia e perspectiva de rentabilidade.
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