Advogado revolta colegas ao pedir expulsão de judeus de entidade jurídica
O Instituto dos Advogados Brasileiros abriu processo administrativo contra Hariberto de Miranda
Quarta Instância|Clébio Cavagnolle e Gabriela Coelho e Quarta Instância
Em discurso de quinze minutos, o advogado Hariberto de Miranda provocou a revolta de colegas e da comunidade israelita do Rio de Janeiro ao pedir, durante uma sessão ordinária do Instituto dos Advogados Brasileiros, IAB, a expulsão de todos os judeus da presidência das comissões e da diretoria da entidade. Hariberto afirmou que o instituto deve "adotar o mesmo princípio" dos franceses, que teriam adotqdo regra para não admitir judeus na diretoria do Barreau de Paris, órgão similar à Ordem dos Advogados do Brasil. Segundo ele, alguns advogados judeus teriam atuado em apoio aos nazistas após Segunda Guerra Mundial.
O vídeo da fala de Hariberto foi enviado ao Quarta Instância. (Veja abaixo). Em um dos momentos mais exaltados, ele diz: “Ante o fato concreto aqui, devemos adotar o mesmo princípio evitando futuras imundices de judeus sionistas ou não”. O advogado também criticou o IAB porque a entidade não se manifestou contra as ações israelenses na Faixa de Gaza.
A fala do advogado também causou perplexidade pela crítica que fez à Federação Israelita do Rio de Janeiro, Fierj: Hariberto afirmou que q organização deveria ser fechada por ser “antidemocrática e reunir fascistas, evangélicos e bolsonaristas, que nada tem a ver com o IAB”. Em outro momento, chegou a afirmar que no instituto “existem verdadeiras quintas colunas de covardes judeus sionistas, que repetem as ações realizadas no passado por adoradores de Hitler na Alemanha nazista”.
O IAB abriu procedimento administrativo disciplinar contra o advogado. Em nota, o presidente da entidade, Sydney Sanches, disse repudiar “os impropérios ditos na sessão e se solidarizar com todos os judeus e aqueles ofendidos em suas crenças”. Ao Quarta Instância, autoridades do judiciário e integrantes do instituto afirmaram que Hariberto pode responder criminalmente pelo discurso. Ações criminais e de danos morais são avaliadas por grupos de advogados. O advogado já é alvo de um procedimento ético-disciplinar aberto na OAB pela Fierj por outras falas antissemitas. Procurado pela coluna, Hariberto não retornou o contato.












