Caso Master vira fator de risco para palanques nos estados
Candidatos associados à pauta anticorrupção podem conquistar eleitor, avaliam cientistas políticos
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Para além de impactar a disputa nacional, o último desdobramento das investigações sobre o Banco Master, que botou o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), no centro do alvo, tem potencial de ser decisivo para os arranjos finais dos palanques estaduais. O caso ainda vai exigir dos candidatos afinar o discurso sobre as relações com envolvidos em investigações.
Nas negociações estaduais, pré-candidatos já vinham pontuando nos últimos meses preocupação com os impactos do escândalo nas eleições. Em São Paulo, ato que formalizaria o apoio do PP à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na próxima segunda-feira (11) foi adiado na última quinta (7), dia da operação de busca e apreensão em endereço de Ciro Nogueira.
Interlocutores do governo negaram publicamente relação entre o adiamento e a operação, mas fontes do partido de Nogueira admitiram que a decisão foi tomada para, no mínimo, distanciar o anúncio da nova fase das investigações da PF. A chapa de Tarcísio contará com o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública, como candidato ao Senado.
Tarcísio defendeu que as investigações avancem “doa a quem doer”, em declaração à imprensa na qual tentou se afastar do caso.
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Na Bahia, as preocupações com a situação de ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo, se intensificaram com o avanço sobre Ciro Nogueira. ACM aparece empatado com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) nas últimas pesquisas. Ele viu seu nome envolvido no escândalo. Empresa ligada ao ex-prefeito de Salvador recebeu R$ 3,6 milhões em pagamentos feitos pelo Master e pela gestora de investimentos Reag, segundo dados do (Coaf) Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
Adversário político de ACM, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), também apareceu no noticiário sobre o Master. Empresa da nora do senador, pré-candidato à reeleição, manteve contrato com o Master por três anos.
‘Federação fragilizada’
O cientista político do Real Time Big Data, Bruno Soller, pontua que outros nomes também devem ser prejudicados pelo escândalo. São os casos de Joel Rodrigues, pré-candidato do PP ao governo do Piauí, e Márcio Canella (União Brasil), pré-candidato ao Senado do Rio de Janeiro.
Soller avalia que, se, além de Ciro Nogueira, as investigações avançarem sobre o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que já foi citado antes em operações, “a federação (entre União e PP) sairá muito fragilizada”.
“Se os dois grandes líderes que organizam essa federação [Ciro Nogueira e Antônio Rueda] forem impactados, pode haver divisões que impactam na candidatura de ACM Neto na Bahia, que é onde o Master surgiu, por exemplo”, pontua.
O pré-candidato do PP ao governo do Piauí, Joel Rodrigues, por exemplo, cancelou o lançamento do seu vice-candidato em evento que seria realizado no mesmo dia em que a PF deflagrou operação contra Ciro. “Joel Rodrigues vai ter provavelmente muita dificuldade porque ele vai enfrentar [o governador do estado e candidato à reeleição] Rafael Fonteles (PT), que está forte nas pesquisas”, explica Soller.
O impacto de Márcio Canella é porque o ex-prefeito de Belford Roxo é apoiado por Rueda. Já em São Paulo, “houve o cancelamento do apoio do PP ao Tarcísio de Freitas, e isso pode pegar para a candidatura do Derrite”.
Beneficiados
Por outro lado, candidatos associados à pauta anticorrupção tendem a se beneficiar com os desdobramentos das investigações. A avaliação de cientistas políticos é que o caso pode aglutinar o eleitorado que tem essa pauta como uma das principais na hora de decidir o voto.
Um dos que podem ganhar votos, na avaliação do cientista político Bruno Soller, é o pré-candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL). Isso porque o senador é um nome visto por parte do eleitorado como defensor da pauta anticorrupção, atendendo a um anseio do eleitor que encontrou na Lava Jato, investigação da qual era juiz, apelo forte contra casos de desvio de dinheiro público.
“O que a gente está percebendo, no Paraná, por exemplo, é um fortalecimento da candidatura do Sergio Moro, nessa ânsia da população em encontrar novos salvadores”, explica.
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