Petrobras gastou R$ 14,2 milhões em publicidade sobre alta de preços em meio à guerra
Estatal pediu sigilo sobre montante gasto, mas valor foi mencionado em documento ao qual R7 Planalto teve acesso com exclusividade
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A Petrobras gastou R$ 14,2 milhões em uma publicidade veiculada entre abril e maio deste ano para explicar a alta do preço dos combustíveis em meio à guerra dos Estados Unidos com o Irã. A estatal chegou a pedir que a informação fosse considerada confidencial, “visto que sua divulgação pode afetar a competitividade” da empresa estatal. O valor, no entanto, consta em documento ao qual o R7 Planalto teve acesso com exclusividade.
A publicidade é motivo de questionamentos da oposição ao governo Lula, pois, na campanha, é dito que “o Governo do Brasil está fazendo a sua parte para reduzir” o valor do combustível. Na avaliação de deputados bolsonaristas, houve mistura entre comunicação corporativa da empresa e defesa política do governo federal.
A Petrobras justificou, contudo, que “a inclusão decorreu da necessidade de esclarecimento ao público sobre os impactos nos preços de combustíveis, decorrentes do contexto excepcional de volatilidade internacional do preço do petróleo e derivados devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã”.
“O conflito na região comprometeu o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — corredor estratégico por onde transita parcela significativa do petróleo comercializado mundialmente —, reduzindo a oferta disponível ao mercado e elevando de forma expressiva a volatilidade e as cotações internacionais do petróleo e derivados”, explicou.
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Segundo a estatal, o cenário repercutiu “sobre os preços e até mesmo sobre a disponibilidade de combustíveis em diversos países”.
“A campanha buscou, então, apresentar, de forma objetiva e transparente, os diferentes fatores que influenciavam a oferta de produtos e a formação de seus preços no Brasil, demonstrando que a atuação da Petrobras coloca o país em posição diferenciada no contexto dado, incluindo medidas adotadas por distintos agentes públicos e privados, evitando a atribuição equivocada de responsabilidade exclusiva à Petrobras pelas variações percebidas pelo consumidor”, pontuou.
Na avaliação da Petrobras, a referência de que “o Governo do Brasil está fazendo a sua parte para reduzir esse valor” “não constituiu o objeto central da comunicação, tampouco teve finalidade de promoção institucional de ente público”.
“Sua inserção decorreu exclusivamente da necessidade de apresentar, de forma completa e fidedigna, os fatores que influenciavam o preço final do diesel ao consumidor. A menção buscou apenas informar ao consumidor que o preço final decorre da atuação de diferentes agentes e instrumentos regulatórios, evitando a percepção equivocada de que sua formação dependeria exclusivamente da Petrobras. A omissão dessa informação comprometeria a compreensão da dinâmica de mercado e poderia induzir o público à conclusão equivocada”, garantiu.
A empresa pública acrescentou que seguiu os parâmetros regulatórios, “com identificação clara da fonte, sem simulação de conteúdo editorial, e focada em tema diretamente ligado à atuação da Companhia — preços e abastecimento —, em linha com o dever de transparência”.
“A mensagem veiculada é plenamente compatível com o objeto social da Petrobras e com as disposições do seu Estatuto Social. A Companhia tem por objeto, entre outras atividades, a pesquisa, produção, refino, processamento, comércio, transporte e distribuição de petróleo, derivados e demais formas de energia, bem como atividades correlatas e afins”, defendeu.
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