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A prova dos seus sonhos não existe; quanto antes você aceitar, mais perto fica da vaga

Nenhuma banca vai montar um edital com o que você gosta

Radar dos Concursos|Felipe GratonOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A prova dos sonhos, que só contém matérias de interesse pessoal, não existe nos concursos públicos.
  • Os editais são elaborados para avaliar competências necessárias ao cargo, como português, matemática e informática.
  • Fugir de matérias difíceis é uma estratégia ineficaz, pois elas são comuns em diversos concursos.
  • O sucesso nos concursos vem da adaptação e estudo das matérias exigidas, não da espera por um edital ideal.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Concurseiro realizando prova de concurso.
Concurseiro aprovado não se ilude com a prova Inteligência Artificial/Sora

Eu já perdi a conta de quantas vezes ouvi a mesma frase, sempre com aquele tom de quem acha que descobriu um atalho: “estou só esperando sair o concurso certo pra mim”.

Quando eu pergunto o que faz um concurso ser o certo, a resposta quase nunca fala de salário, de carreira ou de vocação. Fala de matéria. “Esse aí cai muita matemática, não é pra mim.” “Esse tem informática demais.” “Queria um que fosse mais de português, que é comigo mesmo.”


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No fundo, a pessoa não está escolhendo um concurso. Está montando, na cabeça, a prova dos sonhos dela. E eu preciso te dizer, com todo o respeito e com toda a experiência de quem acompanha concurseiro de perto há anos: essa prova não existe.

Vamos para a realidade?

A prova dos seus sonhos seria aquela feita sob medida pro seu gosto. Só o que você domina, nada do que te incomoda. Só que a banca não está ali pra te agradar. Ela existe pra fazer o trabalho oposto: separar quem consegue exercer aquele cargo de quem ainda não consegue.


O edital não é um cardápio em que você escolhe os pratos que quer. É um retrato da função. Se o cargo exige interpretar textos, redigir com clareza, raciocinar com números, lidar com sistemas e entender regras, a prova vai cobrar exatamente isso. Não porque a banca é má, mas porque é assim que ela cumpre o papel dela.

E aqui está a parte que quase ninguém quer encarar. As matérias das quais o candidato mais foge são justamente as que se repetem em praticamente todo edital.


Português está em todos, porque nenhum serviço público funciona com gente que não lê nem escreve direito. Matemática e raciocínio lógico aparecem em quase tudo, porque pensar de forma ordenada é requisito de qualquer função séria. Informática virou presença obrigatória, porque não existe mais cargo público que não passe por uma tela.

Ou seja: você pode trocar de concurso dez vezes, e vai reencontrar as mesmas matérias em todos eles, te esperando na esquina. A fuga é uma estratégia derrotada antes de começar, porque simplesmente não existe pra onde fugir.


E não me entenda mal. Estratégia na escolha do concurso existe e é importante. Olhar concorrência, número de vagas, afinidade com o conteúdo específico do cargo, tudo isso é legítimo e inteligente.

O que eu estou falando é de outra coisa. É daquele critério que a pessoa nem admite pra si mesma, disfarçado de estratégia, mas que, no fundo, é só medo.

“Escolhi esse porque cai menos matemática” soa técnico, soa esperto. Mas, se a matemática fosse a única diferença, e o cargo fosse pior, o salário menor, a carreira mais fraca, você ainda escolheria? Na maioria das vezes, a resposta honesta é sim. E isso denuncia que a decisão não foi estratégica. Foi uma fuga bem vestida.

Essa fuga tem um preço, e é um preço alto

Eu vi gente boa, gente inteligente, queimar dois, três, cinco anos da vida pulando de edital em edital à procura da prova perfeita. A cada concurso novo que saía, lá estava a esperança: “quem sabe esse não seja o meu”.

Aí a pessoa lia o conteúdo, batia o olho na matéria temida e desistia antes mesmo de sentar pra estudar. Trocava de alvo. Recomeçava do zero. E o relógio correndo o tempo inteiro.

Enquanto isso, do lado, alguém que aceitou o edital do jeito que ele veio, com as matérias chatas e tudo, sentou, estudou e passou. Não porque era mais talentoso. Porque parou de negociar com a realidade.

Existe um momento na vida de todo concurseiro em que ele precisa fazer uma escolha silenciosa, que ninguém vê, mas que decide tudo. É a escolha entre esperar a prova se ajustar a você ou ajustar você à prova. Quem passa é sempre o segundo.

A maturidade no estudo começa no dia em que você para de perguntar “por que essa matéria cai?” e passa a perguntar “como eu vou dominar essa matéria, já que ela cai?”.

É uma mudança pequena na frase, mas enorme na prática. Ela tira você do papel de vítima do edital e te coloca no comando do seu próprio estudo.

E tem uma coisa que a experiência me ensinou e que eu faço questão de repetir: a matéria que você tanto teme quase nunca é tão intransponível quanto parece de longe. O medo é sempre maior que a dificuldade real.

Matemática de concurso não é a matemática que te traumatizou na escola. Informática cobrada em prova tem um recorte bem definido, não é o universo inteiro da tecnologia.

O que falta, na imensa maioria dos casos, não é capacidade. É método e é constância. Encarar a matéria difícil um pouco por dia, de forma progressiva, construindo base antes de exigir desempenho, transforma o monstro em rotina.

Foco não é estudar só o que agrada. Foco é ter coragem de abrir todos os dias exatamente a matéria da qual você quer fugir.

Como mentor, o que eu preciso que você entenda é:

Escolher um concurso é uma decisão séria. Envolve o cargo que você quer, a carreira que você projeta, o salário que muda a sua vida, a rotina que combina com quem você é.

É por aí que a escolha deve passar. O que não pode acontecer é você planejar os próximos dez anos da sua vida com um único critério escondido no meio do caminho: não ter que abrir uma apostila da matéria que você não gosta. Isso é deixar a sua pior dificuldade dirigir o seu futuro. É pequeno demais pra uma decisão tão grande.

Então aceita logo, para parar de perder tempo: a prova dos seus sonhos não vai sair. Nenhuma banca vai publicar um edital feito sob medida pra você.

Mas existe uma prova possível, real, que está ao seu alcance. E ela fica alcançável no exato instante em que você para de procurar uma porta que não existe e abre a porta que está bem na sua frente, com as matérias difíceis do outro lado, esperando pra serem vencidas uma a uma.

A vaga nunca foi de quem gostava mais das matérias. Sempre foi de quem teve coragem de estudar as que não gostava.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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