Assassinos do ex-delegado Ruy Ferraz ‘não eram principiantes’, afirma desembargadora do TJ-SP
Ivana David explica que o Estado só consegue garantir a segurança do profissional enquanto ele estiver ativo no cargo
Jornal da Record News|Do R7
“A forma em que eles se comportaram ali deixa bem claro que eles não eram principiantes, são criminosos que sabiam e que tinham uma forma de atuar semelhante a policiais”, aponta Ivana David, desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, sobre o assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz em Praia Grande (SP).
Em entrevista ao Jornal da Record News desta terça-feira (16), Ivana afirma que execuções semelhantes contra autoridades como Ferraz, que investigam organizações criminosas, ainda acontecem em proporções menores quando comparadas a outras máfias do mundo.
“Nós não temos uma cultura, por exemplo, do Pablo Escobar, que explodia aeronaves, veículos, sempre tentando atacar políticos que eram contra suas condutas. [...] Aqui no Brasil, a gente não tem um quadro dessa magnitude, nós temos fatos pontuais que ainda se consegue controlar”, explica.
Essa contenção, contudo, só é possível enquanto a autoridade está exercendo a sua função. Segundo ela, o Estado não fornece nenhum tipo de estrutura que garanta a segurança do profissional quando o mesmo deixa o cargo, ficando a cargo dele garantir a própria defesa.
“A gente nunca viveu tanta violência como nós estamos vivendo agora. Tem 88 facções criminosas desenhadas, identificadas pelo Ministério da Justiça, e isso tem que ser enfrentado. Como o PCC (Primeiro Comando da Capital), Comando Vermelho, que um dia foram pequenas e hoje têm quase 25 estados sob seu comando, essas pequenas facções um dia podem crescer”, alerta.
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