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Desinformação pode ser maior risco após suspensão da vacina da dengue, dizem médicos

Especialistas dizem que medida não deveria gerar descrédito, já que foi adotada justamente para garantir a segurança dos pacientes

Saúde|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Ministério da Saúde suspendeu a vacina da dengue do Instituto Butantan após reações graves, afetando a confiança nas campanhas de imunização.
  • Especialistas afirmam que a suspensão é uma medida preventiva para garantir a segurança dos pacientes e investigar possíveis relações com o imunizante.
  • A comunicação clara e transparente é crucial para evitar desconfiança nas vacinas e preservar a confiança pública.
  • A farmacovigilância é destacada como essencial para a segurança em saúde, e a população deve buscar informações confiáveis.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vacina contra a dengue do Butantan foi suspensa temporariamente após relatos de reações graves Instituto Butantan/Reprodução

O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de reações severas. Além disso, a pasta investiga se duas mortes foram causadas por complicações relacionadas ao imunizante.

A interrupção, adotada de forma preventiva, levanta dúvidas sobre os impactos da medida na confiança da população nas campanhas de imunização.

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Mais de 500 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas no país. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a vacinação permanecerá suspensa até a conclusão das investigações que apuram uma possível relação entre os casos registrados e o imunizante.

Especialistas ouvidos pelo R7 avaliam que a suspensão de um fármaco pode, sim, afetar a confiança da população. No entanto, destacam que a medida não deveria gerar descrédito, já que foi adotada justamente para garantir a segurança dos pacientes e permitir a investigação adequada dos casos, minimizando riscos.

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Para a médica generalista Rossana Furquin, o ideal seria que a população fosse adequadamente informada sobre os protocolos de segurança dos medicamentos e vacinas. Segundo ela, embora seja natural haver apreensão, a suspensão do imunizante deve ser vista como um indicativo de que os sistemas de vigilância e segurança estão funcionando.

“Infelizmente, a desinformação e o pânico conquistam espaço muito mais rápido do que a educação, inclusive a educação em saúde”, afirma.

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Rossana ressalta a importância da investigação para esclarecer os casos. “Qualquer que seja a causa — a vacina ou não —, ela deve ser identificada e abordada corretamente para que seja possível minimizar os riscos de recorrência. Se concluirmos, sem fundamentos, que a vacina causa um evento grave ou fatal, perdemos em dobro: sufocamos a chance de resolver ou atenuar o evento adverso e perdemos o benefício de um potente imunizante. Os impactos para a saúde pública seriam lamentáveis.”

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Medida de cautela

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética, Raul Canal, a suspensão temporária deve ser apresentada como uma medida de cautela, e não como uma confirmação de falha da vacina.

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“Em saúde pública, investigar possíveis eventos adversos faz parte dos protocolos de segurança e demonstra que os mecanismos de vigilância estão funcionando. É importante esclarecer que a investigação busca justamente verificar se existe ou não relação entre os casos observados e o imunizante”, explica.

Segundo Canal, a transparência com a população é essencial para preservar a confiança nas campanhas de imunização. “As autoridades devem informar os fatos conhecidos, explicar o estágio da investigação e atualizar os dados de forma contínua, sem antecipar conclusões. Do ponto de vista jurídico, o direito à informação é parte integrante do direito à saúde e deve ser exercido com responsabilidade e clareza”, afirma.

Na avaliação de Raul Canal, existe o risco de que o episódio afete a adesão a outras vacinas. “A população não diferencia uma vacina específica das demais campanhas de imunização. Por isso, uma comunicação inadequada pode gerar desconfiança em relação a todo o programa vacinal. O desafio é garantir a investigação necessária sem transmitir a falsa percepção de que todas as vacinas estão sob suspeita”, analisa.

Impacto da interrupção

Para Rossana Furquin, a dimensão do impacto varia conforme a localidade, o período do ano, a forma de transmissão da doença e a população contemplada pela vacinação.

“Quando a imunização, por algum motivo, é pausada, aumenta a parcela da população suscetível à doença e capaz de transmiti-la. Isso repercute diretamente no número de casos, no volume de ocorrências graves, nos gastos públicos com assistência à saúde — que costumam ser mais elevados do que os investimentos em prevenção — e nos recursos destinados ao controle da doença pelos órgãos competentes, entre outros desdobramentos”, explica.

Hesitação vacinal

A médica afirma que a principal mensagem do governo para evitar a hesitação vacinal deve ser mostrar que a farmacovigilância é uma ferramenta fundamental para a segurança em saúde.

“Ver esse sistema sendo acionado demonstra que a segurança e o cuidado com a vida estão sendo priorizados e que as medidas de controle funcionam conforme previsto nos protocolos técnicos. As demais vacinas recomendadas pelo Ministério da Saúde são monitoradas pelo mesmo padrão e têm eficácia e segurança amplamente comprovadas. Precisamos buscar informações em fontes confiáveis, baseadas na ciência e na medicina baseada em evidências. Vacinar e prevenir será sempre melhor do que remediar”, alerta.

Raul Canal acrescenta que uma das melhores estratégias para mitigar os impactos é investir em comunicação clara e transparente.

“As informações oficiais precisam chegar antes dos boatos, ser baseadas em evidências e transmitidas de forma alinhada entre as instituições envolvidas. Em saúde pública, comunicar bem é tão importante quanto agir corretamente, porque a confiança da população também é um fator de proteção coletiva”, conclui.

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