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SIM NÃO

Internacional

26/2/2013 às 00h30

Com parlamento dividido, futuro econômico e político da Itália ainda é uma dúvida para italianos e União Europeia

Líder da coalizão de centro-esquerda afirmou que país enfrenta uma 'situação muito delicada'

Do R7, com EFE, Reuters e AFP

Após contagem de votos, nenhuma coalizão política conseguiu obter maioria para governar a Itália FILIPPO MONTEFORTE / AFP

A Itália se encaminha em direção à ingovernabilidade após as eleições gerais, cujos resultados mostram um Senado no qual nem a centro-esquerda nem a centro-direita têm uma maioria clara, ao mesmo tempo em que ganha força o partido do comediante Beppe Grillo. 

Segundo os dados da apuração oferecidos pelo Ministério do Interior, os resultados das eleições mostram, além disso, como o primeiro-ministro em fim de mandato, Mario Monti, que assumiu o governo em novembro de 2011, não obteve o respaldo dos eleitores para um segundo mandato. 

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Os mercados da Itália - terceira maior economia da zona do euro - pareceram assustados com o andamento dos resultados, depois de inicialmente subirem com a esperança de que um governo sólido de centro-esquerda se formasse, provavelmente com o apoio do atual premiê, o tecnocrata Mario Monti.

O primeiro-ministro disse que todos os partidos têm a responsabilidade de garantir que um novo governo seja formado após as eleições inconclusivas.

Caso um acordo entre os partidos não seja viável, o país terá que convocar novas eleições e para formar um outro parlamento. Certamente, este cenário pode atrasar a reformas econômicas e frustrar as expectativas do mercado internacional, além de aumentar a latente insatisfação popular.

Futuro incerto

O líder da coalizão de esquerda na Itália, Pier Luigi Bersani, estimou na última segunda-feira que o país enfrenta uma "situação muito delicada" após os inesperados resultados das eleições legislativas, que deixaram uma situação política pouco clara.

"A esquerda conquistou a Câmara de Deputados e, por número de votos, o Senado. É evidente que o país atravessa uma situação muito delicada", declarou Bersani após destacar que devido ao complexo sistema eleitoral sua coalizão não tem a maioria no Senado, o que ameaça a governabilidade.

O Partido Democrático de esquerda conquistou a Câmara de Deputados, mas a situação indecisa no Senado, após a apuração de quase 90% dos votos, antecipa um panorama difícil, sem maioria definida.

"O resultado será administrado tendo em conta os interesses da Itália", afirmou Bersani.

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O fenômeno Grillo

O bom desempenho do partido "Movimento 5 Estrelas", liderado pelo ator e humorista italiano Beppe Grillo, que alcançou cerca de 25% dos votos tanto na Câmara dos Deputados como no Senado nas eleições gerais, foi celebrado com milhares de mensagens nas redes sociais.

"Tomamos Roma e já começamos a celebrar nossa vitória" e "o resultado de Grilo estava anunciado, quem se surpreendeu com seu avanço não pôs o pé na rua e nem acessou a internet no último ano", eram algumas das mensagens postadas nas redes sociais em referência ao bom desempenho do "Movimento 5 Estrelas".

"A honestidade estará na moda", afirmou o próprio Grillo em seu primeiro Tweet após a jornada de votação do último domingo.

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Tido como um fenômeno pela imprensa local, Grillo já havia demonstrado seu potencial aos seus oponentes na última sexta-feira (22), quando concentrou cerca de 70 mil pessoas na Praça de São João de Latrão de Roma, enquanto os outros candidatos realizavam seus comícios em teatros e hotéis.

Grillo é o único político que percorreu toda Itália a bordo de uma caravana para explicar suas propostas, como a de "devolver os R$ 257 milhões (100 milhões de euros) que teria de reembolso eleitoral caso entrasse no Parlamento".

O genovês e grisalho Giusseppe Piero Grillo, de 63 anos, se lançou com tremenda energia aos comícios, onde denunciou desmoralizações e o suposto espólio do país por parte dos políticos, enquanto repetia que, na junta regional da Sicília, seus 15 deputados concordaram em reduzir 70% de seus salários.

O ponto forte de seu discurso é a "rendição" dos políticos, tidos como "inimigos". O líder da chamada "antipolítica" se caracterizou por não conceder entrevistas nesta campanha eleitoral e nem sequer, em seu último comício em Roma, que a imprensa se aproximasse dele, com exceção do canal "Skytg24".

Em consequência da filosofia de participação popular que sustenta seu movimento, Grillo elegeu seus candidatos através da internet e entre pessoas pertencentes a todos os setores trabalhistas, como donas de casa, estudantes e aposentados, mas nenhum político de profissão. Além de sua presença nas praças de toda Itália, a campanha de Beppe Grillo se desenvolveu ativamente através das redes sociais: seu blog é um dos mais seguidos na Itália, sendo que ele ainda conta com 907,8 mil seguidores no Twitter e com uma média de visitas diárias de 160 mil.

Monti perdeu espaço

O primeiro-ministro da Itália Mario Monti sofreu um duro revés nas eleições gerais realizadas recentemente no país, já que a coalizão de centro que liderava foi apenas a quarta mais votada e está em uma posição quase irrelevante tanto no Senado como na Câmara dos Deputados.

Os italianos deram as costas àquele que assumiu a chefia de Governo em novembro de 2011, após a renúncia de Silvio Berlusconi, quando foi chamado a entrar na primeira linha política para endireitar as contas públicas do país, em um momento no qual despertavam preocupação internacional.

Parecem ter pesado para o resultado de Monti as políticas de austeridade promovidas por seu governo tecnocrata, entre elas um plano de ajuste de mais de R$ 77 bilhões (30 bilhões de euros), a reintrodução do imposto ao primeiro imóvel e reformas como a do mercado de trabalho, que pretendia "flexibilizar" a entrada e a saída dos trabalhadores das empresas.

Além disso, os resultados de Monti no Senado podem agravar a situação de ingovernabilidade criada devido aos resultados equilibrados da centro-direita e da centro-esquerda.

Durante a campanha, cogitava-se que a coalizão de centro-esquerda liderada por Pier Luigi Bersani, caso não conseguisse a maioria absoluta no Senado, poderia recorrer a uma aliança com Monti para obter as margens necessárias.

No entanto, com os resultados atuais, o ex-comissário europeu de concorrência não obtém os números necessários para permitir uma aliança que outorgue essa maioria absoluta.

Monti apresentou sua renúncia como primeiro-ministro no dia 21 de dezembro, depois que o partido de Silvio Berlusconi, o PdL (Povo da Liberdade), lhe retirou seu apoio.

Posteriormente, ele anunciou sua decisão de entrar na batalha eleitoral à frente de uma coalizão de formações de centro, que se mostraram dispostas a apoiar seu programa, de marcado teor europeísta, no qual apostava na manutenção do caminho do rigor orçamentário e em reformas a favor do crescimento.

Entretanto, a decisão de Monti de continuar na política não esteve isenta de anomalias, já que apesar aspirar à presidência do governo, seu nome não apareceu como candidato nas coalizões eleitorais devido a sua condição de senador vitalício, pois já conta com uma cadeira no Parlamento e não pode concorrer a outra.

Participação do eleitorado 

As eleições gerais da Itália realizadas no domingo (24) e na segunda-feira (25) registraram uma queda na participação de 5,33 pontos percentuais em relação ao pleito de 2008, situando-se a afluência de voto para a Câmara dos Deputados em 75,17%.

Segundo os dados divulgados pelo Ministério do Interior italiano, a contagem é menor que o 80,5% registrado em abril daquele ano.

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Em termos gerais, as porcentagens de participação mais altas foram registradas no norte do país, apesar do mau tempo, sobretudo na Lombardia, região-chave para o Senado pela grande quantidade de cadeiras que fornece e tradicional reduto de votos da centro-direita.

A ministra do Interior interina, Anna María Cancellieri, que cifrou em R$ 1 bilhão (390 milhões de euros) o custo para o Estado destas eleições, declarou na segunda-feira que o mau tempo pode ter desanimado alguns italianos a não comparecer aos colégios eleitorais, mas não nessa proporção.

"Não estou em posição de oferecer uma leitura política. Os colégios eleitorais eram acessíveis a todos. Quem quis pôde votar. Não havia um impedimento físico", comentou Anna María.

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