Acordo Mercosul-UE pode ampliar as exportações do Brasil em 11 bi de euros, diz entidade
Estudo da Federação das Indústrias de MG indica que oportunidades extrapolam o agro e atingem bens industriais de alto valor agregado
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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O acordo entre Mercosul e União Europeia tem potencial para ampliar em cerca de 11 bilhões de euros as exportações brasileiras ao bloco europeu, segundo análise do CIN (Centro Internacional de Negócios) da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais). O montante corresponde a aproximadamente um quarto de toda a pauta exportadora brasileira destinada à União Europeia, considerando as importações projetadas para 2025.
O levantamento indica que as oportunidades não se restringem ao agronegócio, embora ele siga como protagonista, mas também se estendem à diversificação da pauta com produtos industrializados e de maior valor agregado.
De acordo com o estudo, parte significativa das exportações brasileiras já entra no mercado europeu com tarifas reduzidas ou zeradas — cerca de 30 bilhões de euros, o equivalente a 73,4% do total. No entanto, há um espaço relevante de expansão em produtos que ainda enfrentam barreiras tarifárias ou cotas.
Setores beneficiados
Entre os segmentos com maior potencial de ganho, estão itens já exportados pelo Brasil, como suco de laranja, café solúvel, madeira processada, frutas, carnes, milho, etanol, tabaco e couro.
Também aparecem oportunidades em setores industriais, como autopeças, partes de motores, insumos químicos e materiais processados, que podem ganhar competitividade com a redução gradual de tarifas ao longo do acordo.
A análise destaca ainda produtos pouco presentes na pauta atual, mas que podem se beneficiar das novas condições comerciais, especialmente com regras preferenciais e maior acesso ao mercado europeu.
Linha fina
Diversificação e valor agregado
Para o CIN de Minas Gerais, o principal impacto positivo do acordo está na qualificação da pauta exportadora brasileira. Como grande parte das vendas atuais ao bloco europeu é composta por commodities agrícolas e minerais, muitas com baixa tributação, o avanço mais significativo tende a ocorrer em produtos processados, semielaborados e industrializados.
Nesse contexto, itens como café industrializado, sucos, rochas ornamentais, máquinas e equipamentos e insumos industriais despontam como estratégicos. Além disso, setores já integrados com cadeias europeias, como automotivo, farmacêutico e de bens de capital, podem ganhar competitividade com a redução de custos e maior integração produtiva.
Outro ponto relevante é o potencial de modernização da indústria brasileira. A diminuição das tarifas sobre insumos e bens intermediários importados da União Europeia pode estimular a adoção de novas tecnologias, aumentar a produtividade e fortalecer parcerias industriais.
Desafios e riscos
Apesar das oportunidades, o estudo alerta para pontos de atenção. A abertura comercial também deve intensificar a concorrência com produtos europeus no mercado brasileiro, especialmente em setores como máquinas, autopeças, vestuário, calçados, químicos e fármacos.
Empresas com menor escala ou baixa produtividade podem enfrentar dificuldades para competir, sobretudo diante de produtos europeus com maior valor agregado. Além disso, o acesso ao mercado europeu exige o cumprimento rigoroso de normas ambientais, sanitárias, técnicas e de rastreabilidade, o que pode elevar custos, especialmente para pequenas e médias empresas.
Outro fator de risco são possíveis limitações ao acesso preferencial, como cotas, salvaguardas e medidas de ajuste, que podem reduzir parte dos ganhos esperados. Há ainda preocupação específica com segmentos como ferroligas, que enfrentam restrições e medidas de proteção no mercado europeu.
Ganhos dependem de adaptação
O CIN de Minas Gerais ressalta que os benefícios do acordo não serão automáticos. O aproveitamento das oportunidades dependerá da capacidade das empresas brasileiras de se adaptar às exigências do mercado europeu, cumprir regras de origem e elevar padrões de qualidade.
Ainda assim, a avaliação é de que o acordo representa uma janela estratégica para reposicionar o Brasil no comércio internacional, com maior inserção em cadeias produtivas globais e avanço em produtos de maior valor agregado.
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