Aliados de Ibaneis avaliam que buscas são 'estapafúrdias'
Procuradoria-Geral da República pediu buscas da PF em casa e em escritório do governador e no Palácio do Buriti
Brasília|Do R7

Aliados do governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), avaliam que a operação da Polícia Federal desta sexta-feira (20) é "estapafúrdia". A pedido da Procuradoria-Geral da República e com a autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na casa e no escritório de advocacia do governador, bem como no Palácio do Buriti, para investigar a responsabilidade de Ibaneis nos atos de vandalismo em prédios públicos de Brasília em 8 de janeiro.
Fontes ligadas a Ibaneis ouvidas pelo R7 reclamam de atuação do procurador-geral da República, Augusto Aras. As investigações, no entanto, são conduzidas pelo subprocurador Carlos Frederico Santos.
Carro da Polícia Federal saindo da casa de Ibaneis Rocha
Carro da Polícia Federal saindo da casa de Ibaneis Rocha
As buscas no escritório do governador, sobretudo, são criticadas pelo grupo ligado a Ibaneis Rocha devido ao suposto risco de quebra do sigilo de clientes. Em nota compartilhada em um aplicativo de mensagens, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, questionou a ação.
"Ibaneis foi presidente da OAB e era, até a posse no cargo de governador, um advogado militante com intensa atuação. A busca e apreensão atinge por tabela todos os clientes, com a quebra do sigilo sagrado entre advogado e cliente", disse.
Kakay argumenta que não é uma questão política, mas de respeito aos direitos do advogado e dos que precisam se socorrer da advocacia. "Na verdade, é um atentado à estabilidade democrática. É assim que se instalam a arbitrariedade e o abuso contra o Estado democrático de Direito."
A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB/DF) acompanhou as buscas no escritório de Ibaneis. "Como é imposição legal, [a OAB] acompanha casos em que a Justiça determina busca e apreensão contra escritórios de advocacia em vista de não serem feridas as suas prerrogativas profissionais e sempre no estrito cumprimento da ordem judicial. Assim fez, acompanhando a ação, especificamente, no escritório de advocacia, do qual, ressalta-se, o governador Ibaneis Rocha está licenciado por exercer cargo incompatível com a advocacia", disse a entidade, em nota.
Buscas em endereços ligados ao governador
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao governador nesta sexta. Havia ao menos sete agentes da PF na casa do governador por volta das 15h30. Ibaneis é investigado por suposta omissão e inação nos ataques à sedes dos poderes da República em 8 de janeiro por grupos de extremistas inconformados com o resultado da eleição.
De acordo com informações obtidas pelo R7, também ocorreram buscas no Palácio do Buriti, sede do governo local. Além de Ibaneis, é alvo das buscas Fernando Oliveira, ex-secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública do DF.
Em nota, os advogados de defesa de Ibaneis, Alberto Toron e Cleber Lopes, disseram que o mandado de busca e apreensão na casa do governador afastado e no seu antigo escritório foi "inesperado". "O governador sempre agiu de maneira colaborativa em relação à apuração dos fatos em referência; certamente será a prova definitiva da inocência do chefe do Executivo do Distrito Federal", diz o texto.
Ibaneis usou as redes sociais no início da noite desta sexta para negar relação com os atos de vandalismo nas sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro.
"Não há nada que possa me ligar aos golpistas que atacaram os Três Poderes. Eu sempre me comportei de modo a colaborar com as investigações e mantenho a mesma postura. Cheguei a fazer um depoimento espontâneo à Polícia Federal, mostrando que não há o que temer", escreveu o emedebista.






















