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Após Lula em Washington, Trump visita a China, e encontro reforça papel do Brasil com potências

Pauta deve incluir situação no Irã, Taiwan, minerais raros e comércio

Brasília|Do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A visita de Trump à China é crucial para discutir temas como Irã, Taiwan e comércio, sucedendo a idas de Lula a Washington.
  • O Brasil pode ser um parceiro estratégico para os EUA em minerais raros, embora não esteja no centro da geopolítica entre EUA e China.
  • Especialistas recomendam que o Brasil mantenha uma postura neutra e busque cooperação pacífica, aproveitando suas vantagens em tecnologia e recursos.
  • Há riscos para o Brasil se tornar um campo de disputa entre potências, e a eficiência da negociação dependerá de uma política industrial bem definida.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Encontro entre Trump e Xi ocorre uma semana após ida de Lula aos EUA Ricardo Stuckert/PR - 26.10.2025

A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China nesta semana marca um momento decisivo para ambas as potências, principalmente em meio à guerra prolongada no Oriente Médio e conflitos econômicos. A expectativa é que a situação no Irã, Taiwan, minerais raros e comércio sejam as principais pautas do encontro, que ocorre uma semana após a ida de Lula a Washington.

Especialistas entendem que a reunião entre Trump e Xi Jinping, logo depois o encontro com Lula, sinaliza a volta do Brasil como peça relevante para as potências, o que pode fortalecer o país, caso haja estratégia. Entretanto, não significa que o país esteja “no centro” da disputa.


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As terras raras, por exemplo, têm sido a pauta principal discutida entre os EUA e o governo brasileiro, que ocupa a posição do segundo país com maior reserva desses minerais, atrás apenas da China. Neste cenário, o Brasil pode surgir como um potencial parceiro estratégico dos norte-americanos, que tentam diversificar as fontes de fornecimento dos minerais.

Ainda assim, não é o suficiente para colocar o Brasil no centro da disputa geopolítica entre EUA e China, mas, sim, para negociar melhor acesso a mercados, financiamento para infraestrutura, parcerias em transição energética e agregação de valor às exportações.


“O centro continua sendo a competição direta entre Estados Unidos e China por tecnologia, energia, comércio, IA, minerais críticos e influência militar. O Brasil entra como potência intermediária valiosa: grande produtor de alimentos, energia, minérios, petróleo, mercado consumidor e ator diplomático com canais abertos com Washington, Pequim e parte do Sul Global”, explica João Alfredo Lopes Nyegray, coordenador do Observatório de Negócios Internacionais da PUC-PR.

Em meio a essa dinâmica, o professor e diplomata Paulo Roberto de Almeida entende que o Brasil não deve se colocar no “centro” ou mesmo à margem da disputa geopolítica entre os dois países, mas, sim, se manter neutro.


“Ele tem de ser absolutamente neutro nessa disputa, na qual ele não pode entrar, e sim aproveitar a situação para se colocar como parte interessada num encaminhamento pacífico e cooperativo desse ‘grande jogo’, que não contribui em nada para seus interesses e objetivos nacionais, que se situam inteiramente no plano do desenvolvimento, da cooperação tecnológica”, concluiu Almeida.

Consequência para o Brasil

Apesar do clima de tensão entre os países, tanto os EUA quanto a China possuem interesses em ganhos táticos. A comunidade diplomática prevê que o líder chinês busque concessões dos EUA em relação aos controles de exportação de tecnologia, às tarifas e a Taiwan — onde Xi quer que declarem oposição à soberania taiwanesa.


Já Trump deve focar em grandes compras chinesas de produtos americanos, maior acesso dos EUA às terras raras chinesas e progresso na cooperação sobre o fentanil.

Mesmo tendo a China como principal parceiro comercial, os norte-americanos seguem relevantes em investimento, tecnologia, indústria, serviços, defesa e finanças. Portanto, a reunião Trump-Xi interessa ao Brasil porque pode redefinir fluxos comerciais, explica Nyegray.

“Se houver acomodação entre as duas potências, o Brasil pode ganhar previsibilidade. Se houver novo choque tarifário ou tecnológico, o Brasil pode ser pressionado a escolher lados em temas como semicondutores, IA, defesa, infraestrutura digital, energia e cadeias minerais. A melhor posição brasileira não é neutralidade passiva, mas pragmatismo seletivo: vender para a China, atrair tecnologia dos EUA, proteger setores estratégicos e evitar dependência excessiva de qualquer lado”, diz.

Em relação aos ganhos econômicos para o Brasil, os especialistas se mostram com uma leve divergência em relação aos resultados gerados ao país. Nyegray, por exemplo, acredita que o interesse simultâneo das duas potências pode fortalecer o Brasil, mas apenas se o país souber transformar demanda externa em estratégia nacional.

“Se usar esse momento para atrair investimentos em infraestrutura, fertilizantes, energia, mineração crítica, defesa, tecnologia agrícola, semicondutores de nicho, data centers e indústria de transformação, poderá capturar ganhos muito maiores. A aproximação dos EUA pode beneficiar setores brasileiros que dependem de tecnologia, investimentos financeiros, defesa, aviação, energia e cadeias industriais mais sofisticadas. A relação com a China, por outro lado, segue decisiva para agronegócio, mineração, energia, infraestrutura e exportações de grande escala”, pontua.

O especialista entende que o Brasil pode negociar melhor acesso a mercados, financiamento para infraestrutura, parcerias em transição energética e agregação de valor às exportações. Porém, também pode sair perdendo caso vire território de disputa entre capitais estrangeiros, sem política industrial, sem segurança jurídica e sem capacidade de impor contrapartidas.

“O interesse externo só fortalece o país quando encontra um Estado capaz de negociar bem e um setor privado capaz de executar”, diz.

Já Almeida afirma que, do ponto de vista econômico, pode haver uma leve vantagem em alguma barganha para concessões ou ganhos setoriais, numa disputa entre os dois grandes por mercados ou investimentos. Pelo lado geoeconômico, o diplomata acredita que o Brasil não deve entrar em uma briga em que não tem condições de apresentar grandes interesses estratégicos.

“Mas esse é um jogo para o qual o Brasil ainda não está muito preparado, pois precisaria ter grandes projetos de investimentos (em infraestrutura, tecnologia e outros) prontos para serem barganhados, o que ainda não é o caso, sequer em terras raras, pois não tem mapeamento adequado”, conclui.

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