Tarifa de 25% amplia disputa entre Brasil e EUA; entenda o papel do Pix e outros atritos
Governo norte-americano anunciou que pretende aplicar nova taxa de 25% sobre produtos brasileiros
Brasília|Bruna Pauxis e Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A nova tarifa de 25% que os Estados Unidos estudam aplicar sobre produtos brasileiros é vista por especialistas como uma ferramenta de pressão política e comercial que vai além do Pix. A medida é resultado de uma investigação aberta pela Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) em julho de 2025, que classificou determinadas políticas brasileiras nos setores digital, financeiro, ambiental e de propriedade intelectual como “irracionais”.
Embora o Pix tenha se tornado um dos principais símbolos da disputa, a lista de atritos apontados por Washington é mais ampla e inclui etanol, minerais estratégicos, acesso a mercado e barreiras regulatórias.
Para especialistas ouvidos pelo R7, a iniciativa do governo de Donald Trump combina interesses econômicos e diplomáticos e não se restringe aos meios de pagamento.
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Segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a leitura predominante é de que a iniciativa combina interesses econômicos e diplomáticos. Ele avalia que o Brasil tem condições de reverter a medida sem colocar o Pix no centro das tratativas.
“Em negociações desse tipo, é comum que os países busquem soluções setoriais, ajustes técnicos ou compromissos específicos para reduzir tensões comerciais sem necessariamente alterar políticas consideradas estratégicas internamente”, analisa Campos. Segundo ele, o sucesso dessa estratégia dependerá da disposição de ambos os governos para negociar.
O economista José Pagnussat concorda que a ofensiva norte-americana possui motivações mais amplas, mas considera que o Pix se tornou um dos principais símbolos da disputa. Segundo ele, o sistema brasileiro é visto com preocupação por empresas americanas de cartões de crédito por oferecer uma alternativa mais barata e eficiente.
“O Pix é considerado prejudicial para as empresas americanas de cartão de crédito. Na prática, trata-se de uma concorrência natural de um modelo mais eficiente contra o sistema oneroso dos cartões tradicionais”, destaca Pagnussat.
Ele sustenta que é improvável que o governo brasileiro aceite mudanças que comprometam o sistema: “Não há razão para retroceder. O efeito internamente seria desastroso, dado que a população já incorporou a tecnologia à rotina e ela tem custo zero, ao contrário de outras alternativas. Dificilmente o Brasil recuará em relação ao Pix.”
Campos observa que a proposta americana deixou de fora segmentos sensíveis para os próprios Estados Unidos, como carne e minerais raros. Para ele, a estratégia busca aumentar a pressão sobre o Brasil sem gerar impactos significativos para consumidores e setores econômicos americanos.
Contudo, para os exportadores brasileiros, o custo adicional pode reduzir a competitividade de alguns setores. “A partir de julho, teremos a definição final do relatório e a implementação das tarifas sobre alguns produtos brasileiros. Não será uma taxação geral, pois sempre há exceções — até porque a população americana é a maior prejudicada, já que pagará mais caro por produtos que consome e aprova”, explica Pagnussat.
Empresários defendem negociação
Empresários defendem a necessidade de diálogo. A Amcham (Câmara Americana de Comércio) informou que acompanha a expectativa de divulgação de um relatório sobre outra investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre importações produzidas com trabalho forçado. O documento poderá resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil.
O presidente da instituição, Abrão Neto, afirma que ainda há tempo para evitar as novas tarifas. “O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão.”
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) também manifestou preocupação. “A eventual adoção de tarifas adicionais vai prejudicar a indústria brasileira e o mercado norte-americano. O momento exige diálogo e análise técnica”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
O que prevê a nova tarifa
O governo dos Estados Unidos anunciou na madrugada dessa terça-feira (2) que estuda aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre a importação de produtos brasileiros. A medida seria uma resposta ao que Washington classificou como “práticas comerciais desleais”.
O USTR classificou determinadas políticas e atos do Brasil como “irracionais”, sob o argumento de que eles sobrecarregam e restringem o comércio americano.
A proposta é resultado de uma investigação aberta em julho de 2025, que analisou políticas brasileiras nos setores digital, financeiro, ambiental e de propriedade intelectual. A decisão final deverá ser anunciada em julho.
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