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De ‘equívoco’ a ‘resposta firme’; veja a repercussão sobre rejeição de Messias entre autoridades

Após advogado-geral da União ser vetado pelo Senado, aliados falam em ‘injustiça’, enquanto oposição celebra freio ao governo

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A rejeição de Jorge Messias para o STF marca a primeira vez desde 1894 que o Senado rejeita um indicado ao Supremo.
  • Ministros do STF e autoridades expressaram insatisfação com a decisão, defendendo a competência de Messias.
  • A indicação foi criticada por oposicionistas, que veem a rejeição como uma vitória da democracia.
  • Governistas alertaram que a decisão acende um sinal de alerta e pode prejudicar o pacto constitucional no Brasil.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Com placar de 42 a 34, Jorge Messias sofreu a primeira derrota de um indicado ao STF em 132 anos Jorge Silva/Reuters - 29.04.2026

A rejeição histórica de Jorge Messias para a vaga de ministro no STF (Supremo Tribunal Federal) gerou repercussão entre autoridades e políticos brasileiros. A indicação do atual advogado-geral da União foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso, que deixou a corte em outubro do ano passado. Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado rejeitou um indicado ao Supremo.

Apesar de ser evangélico — o que o ajudou a construir pontes com lideranças políticas —, Messias enfrentou resistência de alguns parlamentares desde os rumores de sua indicação.


Para oposicionistas, Lula escolheu Messias não como um gesto aos evangélicos, mas pelo perfil “político” e alinhado ao PT do advogado-geral.

Após a derrota, por 42 votos contrários e 34 favoráveis, autoridades usaram as redes sociais para demonstrar apoio a Messias ou celebrar o resultado.


Ministros do STF, como André Mendonça e Celso de Mello, atualmente aposentado, demonstraram insatisfação com a decisão dos parlamentares. Na visão dos magistrados, Messias estava apto e preparado para ocupar a vaga.

“Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo”, escreveu Mendonça.


Já Celso de Mello foi mais crítico e disse considerar “infeliz” a decisão do Senado. “Trata-se de grave equívoco institucional, pois o Dr. Jorge Messias reúne, de modo pleno, os requisitos que a Constituição da República exige para a legítima investidura no cargo de ministro da Suprema Corte”, opinou Mello.

Gilmar Mendes, também do STF, ressaltou que a decisão do Senado deve ser respeitada, mas prestou elogios ao advogado-geral.


“O Senado Federal exerceu, com a soberania que lhe é própria, sua prerrogativa constitucional de sabatinar e deliberar sobre nomes indicados ao STF — missão centenária que deve ser pautada pelo interesse público e pelos requisitos do cargo. A decisão do Senado deve ser respeitada", declarou o decano do Supremo.

A ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que a decisão foi uma “injustiça” e apontou que as votações contrárias foram motivadas por “objetivos eleitoreiros e pessoais dos que se sentem ameaçados pelas investigações de escândalos financeiros e contra o crime organizado”.

“Votação que amanhã se preparam para repetir na derrubada do veto do presidente na redução/anistia das penas dos condenados pelo golpe. Uma aliança vergonhosa que se volta contra o governo, mas é realmente contra a justiça, a democracia e o país”, acrescentou, referindo-se à análise feita nesta quinta-feira (30), pelo Senado, dos vetos do presidente Lula ao projeto da dosimetria.

Repercussão no Congresso

No Congresso, parlamentares se dividiram. Enquanto uns celebraram, governistas entenderam que o Senado “virou as costas” para o povo com a decisão. Para a oposição, a rejeição de Messias é uma “vitória da democracia” contra o que chamam de “tentativa de aparelhamento do Judiciário”.

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse que o governo Lula “acabou” e comemorou a rejeição de Messias. “Por 42 votos a 34, o Senado fez história e evitou que a esquerda e o PT aparelhassem ainda mais o Estado e a Justiça. Podemos dizer com confiança que o Brasil tem futuro”, afirmou.

Outros senadores, como Carlos Viana (PSD-MG), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Sergio Moro (PL-PR), também se mostraram a favor do resultado e classificaram a decisão como uma “vitória”.

“O Brasil inteiro comenta a vitória histórica do povo brasileiro com a rejeição pelo Senado do indicado ao STF pelo Lula. Queremos um Supremo independente do Governo, vinculado somente às leis e à Constituição. Todos os cantos do Paraná comemoram a vitória da liberdade“, escreveu Moro.

Do lado dos governistas, o ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana prestou apoio a Jorge Messias e afirmou que o “movimento acende um sinal de alerta”. “A decisão de rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF, um nome de reconhecida competência técnica, exige reflexão responsável”, frisou.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, defendeu a indicação de Lula e pontuou que quem “perdeu” foi o Brasil.

“Kassio Nunes Marques e André Mendonça tiveram suas trajetórias respeitadas. O ex-presidente teve sua prerrogativa reconhecida, como deve ser. Messias é um homem honrado e cumpre todos os requisitos constitucionais exigidos. Jorge Messias não perdeu a indicação ao Supremo. Quem perdeu foi o pacto constitucional, foi a Nova República. Foi o Brasil”, salientou.

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