Futuro de Jaques Wagner como líder do governo no Senado deve passar por redução de danos
Após operação da PF contra o petista, saída do cargo deve ser discreta, a fim de evitar maior desgaste
Brasília|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília
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Os próximos passos do senador e líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ainda são indefinidos. Nos bastidores, aliados dividem opinião sobre a melhor decisão para o momento.
Uma ala defende que Jaques deveria deixar o cargo para evitar desgastes, enquanto outros compartilham da decisão do senador, que afirmou, no dia da operação da Polícia Federal, que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva “bater o martelo”.
Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de manter Jaques Wagner na liderança, Lula não respondeu, mas sinalizou positivamente com as mãos.
No entanto, especialistas apontam que o ideal seria que o senador saísse da liderança por conta própria, sem uma ruptura por parte do governo.
“Se esse movimento for acontecer, vai ser mais sutil. É um movimento onde ele deixa o cargo sem precisar de uma demissão ou de um pronunciamento, algo que coloque mais combustível na crise”, analisa o cientista político André Rosa.
Para ele, dificilmente Lula ou o PT colocariam Jaques Wagner em uma situação em que ele fosse exposto.
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O professor do Instituto de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília) Edvaldo Fernandes também acredita que a mudança deve ser discreta, a fim de evitar um maior desgaste.
“Será uma operação das mais delicadas na carreira política de Lula, e possivelmente seria – ao menos publicamente – a pedido do Senador Jaques Wagner para preservá-lo", avalia.
O que resta, agora, é encontrar um caminho que ajude na redução de danos, tanto para o senador petista, quanto para o governo.
“Aparentemente, a estratégia do governo será montar operação para remover Jaques Wagner da liderança cirurgicamente, cortar na carne, com muita cautela, para reduzir os danos para o senador e para o próprio governo”, pondera o professor.
Consequências e nova liderança
De acordo com especialistas, o estrago já foi feito, independentemente da decisão sobre a permanência ou saída de Jaques Wagner do cargo. As apreensões feitas pela Polícia Federal em endereços do senador, durante o cumprimento de mandados na nona fase da Operação Compliance Zero, revelaram quase R$ 600 mil em espécie, que ele justifica como diárias pagas pelo Senado e recursos próprios.
As investigações apuram um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo o extinto Banco Master. Para os especialistas, diante deste cenário, manter Jaques Wagner na liderança seria a pior escolha.
Segundo Rosa, a ligação de um ator político tão próximo a Lula com Daniel Vorcaro a meses das eleições é algo que “abala muitas estruturas”.
Já Edvaldo Fernandes acredita que a manutenção de Wagner seria uma “estratégia defensiva que demonstraria desespero e falta de capacidade de gerenciamento da crise”. Para o professor da UnB, tal possibilidade teria capacidade de “aumentar o desgaste político para o governo e para o próprio senador, com enfraquecimento da articulação política da base aliada em um momento crucial”.
Para o lugar de Jaques Wagner, o governo agora se vê diante de duas possibilidades: optar por substituto mais aguerrido, que sustente uma postura combativa em meio à crise, ou buscar um nome mais conciliador.
“O PT tem uma bancada de oito senadores, além de Jaques Wagner, todos muito experimentados e em condições de exercer bem a liderança do governo no Senado. Isso sem contar que a escolha pode recair em nome de outro partido da base aliada”, completa o professor.
Alguns nomes já estão cotados para assumir a função, como os do ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE), da senadora Teresa Leitão (PT-PE) e do atual presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Otto Alencar (PSD-BA).
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