Senadora pernambucana é cotada para substituir Jaques Wagner em meio à irritação de Lula
Presidente não gostou de declarações do líder do Senado, que disse que Lula já passou por situação pior que a dele
R7 Planalto|Amanda Almeida, do R7, em Brasília
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A senadora Teresa Leitão (PT-PE) passou a ser cotada para substituir Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado, em meio ao forte desgaste do petista com o Palácio do Planalto. Interlocutores de Lula relatam que o presidente está irritado com a forma como Wagner reagiu publicamente à crise.
A escolha de Teresa, porém, está longe de representar consenso ou entusiasmo dentro do PT. Sua ascensão é vista sobretudo como consequência da falta de alternativas. Nomes considerados mais fortes por Lula enfrentam obstáculos. O ex-ministro Camilo Santana (PT-CE) está dedicado à difícil campanha petista no Ceará, enquanto o senador Otto Alencar (PSD-BA) é considerado peça estratégica na presidência da CCJ.
A própria Teresa tampouco era entusiasta de assumir funções de comando. Segundo integrantes do partido, ela resistiu inclusive à liderança do PT no Senado e acabou aceitando o posto pela falta de opções na bancada, já que outros nomes estão absorvidos pelas articulações eleitorais em seus estados.
Mesmo entre petistas, Teresa não é vista como um quadro de grande capacidade de interlocução política nem como uma articuladora forte dentro da bancada.
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Gota d’água
A irritação de Lula com Jaques Wagner aumentou após declarações públicas do senador. Auxiliares do presidente listam ao menos quatro episódios que agravaram o mal-estar. O primeiro foi Wagner ter tornado pública uma ligação feita por Lula em caráter pessoal, interpretada no Planalto como gesto de solidariedade entre amigos, e não como um movimento político a ser explorado publicamente.
O segundo incômodo veio quando Wagner comparou sua situação à do próprio presidente, afirmando que Lula enfrentou acusações mais graves e, ainda assim, permaneceu de pé. No entorno presidencial, a fala foi interpretada como tentativa de usar a trajetória de Lula para relativizar o próprio desgaste.
O terceiro ponto foi a declaração de que Lula teria dito a ele que a operação seria uma “armação política”, o que gerou desconforto por colocar o presidente em aparente contradição com o discurso de autonomia da Polícia Federal.
Há ainda o quarto motivo de irritação: ao afirmar publicamente que permaneceria na liderança e que Lula seguia confiando nele, Jaques, na avaliação de aliados do presidente, emparedou politicamente o chefe do Executivo.
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