Governo vê abertura dos EUA para cooperação contra crime em meio a tarifaço, diz ministro
Proposta de ações integradas de segurança defendida por Lula ganha respaldo em reuniões com representantes de Washington
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O governo brasileiro avalia que as negociações com os Estados Unidos sobre o tarifaço avançaram em um ponto considerado estratégico: a possibilidade de cooperação bilateral no combate ao crime transnacional. A avaliação foi feita pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em exercício, Márcio Elias Rosa, após mais uma rodada de negociações com representantes do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), nesta terça-feira (7).
Segundo o ministro, a reunião técnica deu continuidade às conversas iniciadas na última quinta-feira e abriu espaço para discutir uma agenda defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito de cooperação integrada de combate ao crime transnacional. Há reconhecimento de que é possível avançar nesse ponto”, ressaltou.
Márcio Elias Rosa disse que a expectativa é de que as negociações tenham sequência ainda nesta semana, com uma reunião entre as equipes técnicas e um encontro político com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. “O dia 15 já é na próxima semana. A expectativa é de que tenhamos mais uma reunião técnica e mais uma reunião política. Tenho expectativa de me reunir com o Greer ainda esta semana”, afirmou.
Leia Mais
Limites da negociação
Apesar do avanço em alguns temas, o ministro reforçou que o governo não pretende ampliar o escopo das negociações além da pauta tarifária. “A principal orientação do presidente é que não sairemos da mesa e também não deixaremos que outros temas sejam discutidos”, revelou.
Durante a agenda, representantes de setores produtivos brasileiros também participaram das conversas. Segundo Márcio Elias Rosa, a presença do empresariado teve caráter consultivo e ajudou a reforçar a posição do Brasil.
“Avaliamos como positivo o fato de que setores produtivos brasileiros tenham participado defendendo a nossa posição. Essas participações de brasileiros comprometidos com a nossa economia é que têm valia. Hoje, eles não têm papel decisório, mas ajudam a compor o quadro”, disse.
Etanol fora da pauta
O ministro também voltou a defender que o etanol fique fora das negociações envolvendo as tarifas. Segundo ele, a abertura do mercado brasileiro ao etanol norte-americano não pode ser discutida de forma isolada, devido à relação entre as cadeias produtivas de açúcar e biocombustíveis.
“O governo vem defendendo que o etanol não seja tratado nessa discussão. É uma pena que outras pessoas pensem diferente para que o etanol americano possa entrar no mercado brasileiro com facilidade”, afirmou.
Ele destacou ainda que o setor é estratégico para o país, especialmente para a região Nordeste, e lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta barreiras significativas no mercado norte-americano.
“Esse é um setor muito importante, principalmente no Nordeste. Nosso açúcar tem sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Não dá para dissociar as duas cadeias”, explicou.
Diante do prazo apertado para um entendimento entre os dois países, Márcio Elias Rosa afirmou que o governo pretende concentrar esforços nos temas com maior possibilidade de avanço. “O prazo é curto. Temos que focar no que pode dar resultado positivo.”
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp














