Lula diz que Trump pode gostar de Bolsonaro, mas alerta: ‘Não se meta nas eleições do Brasil’
Presidente brasileiro diz que, ‘se Trump conhece o Brasil pela família Bolsonaro, desconhece o país’
Brasília|Débora Sobreira*, do R7, em Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve “se meter” nas eleições do Brasil.
Lula fez o comentário durante coletiva de imprensa após o fim da cúpula do G7, na França. Horas antes da entrevista de Lula, Trump classificou o ambiente político brasileiro como “perigoso” e “desagradável”. Além disso, confundiu-se ao comentar a situação envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afirmando que ele teria sido preso e estava indo bem nas pesquisas presidenciais.
Segundo Lula, o líder americano “conhece pouco o Brasil”. O presidente disse que Trump “pode continuar gostando do Bolsonaro”, mas não pode interferir nas eleições.
“Gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições no Brasil são um problema do Brasil, assim como as eleições americanas são um problema deles. É um problema meu. Então, a única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil que eu tenho pelos Estados Unidos. Só isso”, afirmou Lula.
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Após tomar ciência das falas de Trump por meio de um repórter, Lula respondeu que “se ele conhece o Brasil pela relação dele com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil”, e que ainda aguarda a colaboração do governo americano com a captura de brasileiros condenados e residentes nos EUA.
“Eu entreguei para ele a fotografia e o endereço da casa em que essas pessoas estão em Miami, que eles podem entregar para a gente. Querem combater o crime organizado? Entreguem os bandidos brasileiros para a gente poder prender”, afirmou Lula, citando o caso do ex-deputado Alexandre Ramagem, que chegou a ser detido pela polícia americana, mas acabou solto.
Lula acrescentou que as eleições nos Estados Unidos ocorrem como “no século passado”, referindo-se ao voto de papel, e que o país americano poderia aprender com o Brasil a como ter uma eleição “mais tranquila, mais leve e menos conturbada”.
“Não tem país no mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que, duas horas após terminarem as eleições, a gente já sabe o resultado. A gente não fica como no século passado, com voto no papel, uma lista com 500 nomes. Se alguém tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil, é o meu amigo”, disse Lula.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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