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Jaques Wagner: Mendonça autorizou PF a monitorar celular após suspeita de vazamento

Em decisão, ministro citou pedido de reunião no mesmo dia de ação da PF; senador é investigado por suspeita de propina no caso Master

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O ministro do STF, André Mendonça, autorizou a PF a monitorar o celular de Jaques Wagner devido a suspeitas de vazamento na Operação Compliance Zero.
  • A investigação apura pagamentos de propina do Banco Master para Wagner, incluindo a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões.
  • Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da operação, e tentou vender um terreno de R$ 15 milhões, mas a venda foi barrada.
  • A PF justificou o monitoramento para evitar que a operação fosse descoberta prematuramente, comprometendo as investigações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero Jefferson Rudy/Agência Senado - Arquivo

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça autorizou a PF (Polícia Federal) a quebrar o sigilo telefônico do ex-líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e monitorar os movimentos de seu telefone celular após suspeitar do vazamento de um pedido de operação da PF contra o petista, apresentado na Operação Compliance Zero. Procurada, a defesa de Wagner ainda não se manifestou.

Detalhes dessa investigação foram antecipados pela reportagem. A apuração da PF indica pagamentos de propina do Banco Master para Jaques Wagner e aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador seguiu o mesmo esquema da aquisição de imóveis de propina para o ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília) Paulo Henrique Costa.


Além disso, a corporação identificou que o dono do Master, Daniel Vorcaro, marcou encontro com Wagner no Senado, disponibilizou avião “em hangar discreto” para o senador e citou em um diálogo que o senador seria um intermediário para mandar recado a Lula.

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O ministro retirou o sigilo do processo que tratou da quebra do sigilo telefônico e do monitoramento do celular de Wagner nesta quinta-feira (30). Na decisão que autorizou o monitoramento da antena do aparelho do senador durante dez dias, Mendonça citou ter recebido um pedido de audiência em seu gabinete no mesmo dia em que a PF protocolou a solicitação de operação contra o petista.


“Impende realçar a ocorrência de fato que agudiza os riscos de vazamento indevido da operação no presente caso. Trata-se de solicitação de audiência, por parte de um dos investigados, recebida pelo meu gabinete, enquanto Ministro relator do caso, no mesmo dia em que aportaram as representações da Polícia Federal relacionadas à presente fase investigativa (09/06/2026), inclusive em horário anterior à distribuição de algumas das representações formuladas”, escreveu na decisão.

Estratégia da PF

Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. Um dia depois da operação, como revelou a reportagem, o senador tentou efetuar a venda de um terreno de R$ 15 milhões na região metropolitana de Salvador, mas a operação foi barrada pelo cartório por causa de uma ordem de bloqueio de bens.


A PF pediu o monitoramento da antena de seu celular por receio de que uma vigilância presencial feita pelos agentes despertasse a desconfiança de que a operação estava prestes a ser deflagrada. É comum esse trabalho de campo, por exemplo, para confirmar e mapear endereços dos alvos antes do cumprimento dos mandados.

“Nesse cenário, diligências ostensivas de campo, vigilância presencial ou coleta aberta de informações junto a terceiros podem expor prematuramente a investigação, permitindo troca de aparelhos, destruição de provas digitais, evasão, ocultação de documentos ou coordenação de versões”, justificou André Mendonça.

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