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Sócio da VTCLog nega vantagens a Dias, mas se cala sobre conta paga

Raimundo Nonato Brasil disse não responder pela Voetur, empresa responsável pelo pagamento e do mesmo grupo da VTCLog

Brasília|Isabella Macedo, do R7, em Brasília


CPI obteve indícios de que contas de Dias foram pagas por empresa do grupo da VTCLog, mas Nonato Brasil disse não responder pela outra empresa
CPI obteve indícios de que contas de Dias foram pagas por empresa do grupo da VTCLog, mas Nonato Brasil disse não responder pela outra empresa

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 nesta terça-feira (5), Raimundo Nonato Brasil, sócio da VTCLog, afirmou que a empresa não fez pagamentos a Roberto Ferreira Dias pela assinatura de aditivo ao contrato com o Ministério da Saúde. Enquanto estava no cargo de diretor do Departamento de Logística (DLog) da Pasta, Dias assinou um reajuste de 18% no valor a ser pago à empresa em um contrato para prestação de serviço de armazenamento e distribuição de insumos para o ministério, como vacinas e medicamentos.

O aditivo ao contrato, firmado em 2018, foi assinado por Dias em maio deste ano. O ex-diretor do DLog é alvo da comissão por suposto pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina contra a Covid-19. O reajuste aprovado por ele alterou a forma de aferir os serviços executados e, segundo despacho do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou a suspensão do aditivo no mês passado, teria havido a aceitação do DLog de pagar à empresa um valor "1.800% superior ao recomendado por meio de parecer técnico, o que poderia caracterizar sobrepreço".

Ao responder às perguntas do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), Nonato Brasil afirmou que a empresa nunca ofereceu vantagem a Dias pela assinatura do aditivo. A resposta foi contestada pelo senador, que apontou que a CPI obteve comprovação de que a VTCLog pagou “compromissos” de Roberto Dias, como contas e boletos.

“Então, sabemos que ela pagou compromisso do Roberto Ferreira Dias. Eu estou perguntando se, para que ele assinasse esse aditivo, se convencesse, houve também pagamento igual a esse que nós já comprovamos aqui”, insistiu o relator.

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“Afirmo para o senhor, dou a minha palavra com toda a modéstia, excelência. Palavra de homem: nunca existiu pagamento para o sr. Dias”, repetiu Nonato Brasil.

Calheiros também questionou por que razão a Voetur, empresa do mesmo grupo da VTCLog, pagou boletos de Dias, mas o depoente não explicou por que motivo as contas em nome do ex-diretor do Ministério da Saúde foram pagas pela empresa. Segundo o empresário, ele não responde pela Voetur.

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“[Dias] É cliente. Ele deve ter comprado algum serviço, alguma passagem. O processo é o inverso, ele teve pago um compromisso dele pela empresa. É diferente. Na prática, ele recebeu, não é? Ele não pagou, ele recebeu, porque ele teve pago um compromisso dele, um boleto. O que ele fez então pra receber esse dinheiro da Voetur ou da VTCLog?”, questionou o relator, mas não obteve resposta.

Ricardo Barros

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O relator também questionou Raimundo Nonato Brasil sobre a relação da VTCLog com o deputado federal e líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Durante a época em que o deputado ocupou o cargo de ministro da Saúde, entre 2016 e 2018, a área responsável por fazer transporte e logística foi extinta, dando espaço para que a VTCLog passasse a fazer os serviços.

Nonato Brasil negou conhecer o deputado. “Com relação ao deputado Ricardo Barros, não temos nenhuma relação, nunca tivemos. Não conheço o sr. Ricardo Barros. Nunca tivemos nenhum contato com o sr. Barros”, disse o sócio da VTCLog.

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