Supremo ouvirá PGR sobre alegada ameaça a Rueda
Ministro Kassio Nunes Marques fez pedido na última sexta-feira; procedimento é habitual por envolver autoridades federais
Brasília|Agência Estado

O ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu na última sexta-feira (15) que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre a denúncia do presidente eleito do União Brasil, Antônio de Rueda, de que teria sido ameaçado de morte pelo dirigente da sigla Luciano Bivar. O pedido é de praxe, pois envolve autoridades federais.
Rueda foi eleito para comandar o União Brasil em 29 de fevereiro, após uma tentativa de "virada de mesa" de Bivar, que tentou cancelar a convenção. A posse do dirigente está prevista para maio. Há uma disputa pelo controle do partido, que foi criado em 2022 como resultado da fusão entre o DEM e o PSL. As duas alas nunca se acertaram.
Em meio à crise, duas casas de Rueda pegaram fogo simultaneamente na semana passada. Bivar foi apontado por aliados do presidente eleito como mandante dos incêndios. Ele nega. Rueda disse que o deputado o ameaçou. A ala majoritária do partido solicita a expulsão de Bivar. Procurado pela reportagem, o parlamentar não comentou. O procedimento é praxe na Justiça, pois envolve autoridades federais.
Leia também
Perícia particular
Rueda disse que contratou uma perícia particular, paralelamente à da Polícia Civil de Pernambuco, que aponta que o incêndio que atingiu a casa dele e da irmã foi criminoso. Segundo o presidente eleito do União Brasil, o resultado ainda não é definitivo, mas informações preliminares indicam que a "hipótese está descartada" do incêndio ter sido causado de forma acidental.
Rueda diz que recebeu ameaças de morte de Bivar. A defesa do presidente recém-eleito diz que o dirigente tem uma casa no mesmo condomínio dos imóveis incendiados. "Luciano está, de uma forma desenfreada, atacando a mim e a minha esposa", diz Rueda, que afirma que Bivar está "desequilibrado".
Bivar acusa a mulher de Rueda de roubar notas de dólar e libra esterlina, que estavam guardadas no cofre de um apartamento do deputado em Miami, nos Estados Unidos. Segundo ele, Rueda pediu a senha do cofre para guardar joias quando se hospedou no imóvel, em 2022.
O presidente-eleito afirma que a acusação é "calúnia, é uma forma desesperada de atacar minha família".
Processo de afastamento
Por 17 votos favoráveis e 15 ausências, a executiva do União Brasil aceitou no último dia 13 a representação de governadores e parlamentares do Senado e da Câmara dos Deputados que pedia o afastamento de função e expulsão com cancelamento de filiação do presidente do partido, Luciano Bivar.
A decisão da reunião não passa a valer imediatamente. O presidente tinha um prazo de 72 horas para se manifestar sobre a representação. Só depois a executiva pode decidir se cumpre as penalidades de forma cautelar ou não. Bivar pode apresentar uma defesa, e a decisão final deve ser tomada em até 60 dias. Membros da legenda afirmam que a decisão será rápida.
















