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Veja a cronologia da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil até a chegada aos EUA

Saída de Flávio do Brasil foi marcada por informações distorcidas, divulgadas, principalmente, por aliados

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Flávio Bolsonaro deixou o Brasil descumprindo ordens judiciais, usando um passaporte italiano para cruzar a fronteira com a Argentina e seguir para os EUA.
  • Informações distorcidas sobre sua saída foram divulgadas por aliados e pelo governo americano, com especulações sobre sua localização e encontros nos EUA.
  • A Polícia Federal cancelou seus passaportes após ele não entregá-los no prazo determinado, e Flávio usou um passaporte brasileiro cancelado para entrar nos EUA.
  • Nos EUA, Flávio recebeu uma autorização temporária para permanecer por um ano e, nas redes sociais, contestou o resultado das eleições brasileiras, alegando fraude sem apresentar provas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Senador e sua família chegaram aos EUA na manhã desta quarta REUTERS/Eva Marie Uzcategui

Da travessia da fronteira com a Argentina ao desembarque nos Estados Unidos, a viagem de Flávio Bolsonaro foi marcada pelo descumprimento de determinações judiciais: proibido de deixar o Brasil, o senador cruzou a fronteira na noite de terça-feira (27) com um passaporte italiano, embarcou em um jato particular com destino ao Equador e seguiu para os EUA, onde chegou nesta quarta-feira (28). Ele também não entregou os passaportes à Polícia Federal no prazo determinado e, já em território americano, utilizou um documento brasileiro cancelado pela corporação para ser liberado pelo serviço migratório.

Desde terça-feira (27), a saída de Flávio do Brasil foi marcada por informações distorcidas, divulgadas, principalmente, por aliados dele e pelo governo americano. Pessoas próximas ao senador disseram que ele tinha desembarcado nos EUA ainda na terça e até se encontrado com o irmão Eduardo Bolsonaro.

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Apesar do que foi dito inicialmente, Flávio efetivamente deixou o Brasil só na noite de terça-feira. A seguir, veja a cronologia do caso.

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26 de outubro

Um dia após o resultado das eleições, o senador foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes e ficou proibido de deixar o país, por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

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Nas redes sociais, o político se manifestou sobre a decisão e negou que deixaria o país. Ele disse que entregaria os passaportes e se defenderia do que chamou de “aberração” e “clara tentativa de me intimidar”.

A decisão de Moraes foi dada no processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro.

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Manhã de 27 de outubro

Na manhã de terça-feira, surgiram as primeiras especulações sobre Flávio deixar o Brasil e ir para a Argentina.

Em meio ao burburinho, a Polícia Federal acionou as autoridades do país vizinho ainda cedo. Porém, a polícia argentina não teria dado informações precisas sobre a suposta entrada de Flávio no país. “Não confirmam, nem negam”, disse uma fonte ao R7.

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Policiais brasileiros consideraram “muito estranha” a resposta das autoridades argentinas. Segundo eles, a troca de informações entre os dois países costuma ocorrer sem a necessidade de apresentar documentos. Desta vez, porém, os argentinos alegaram que não poderiam fornecer os dados por se tratar de uma pessoa politicamente exposta.

As especulações ganharam força após Flávio não entregar os passaportes à PF no prazo estabelecido, até as 11h daquele dia. Com isso, a corporação cancelou os documentos.

Tarde de 27 de outubro

No início da tarde de terça, o governo argentino, por meio do porta-voz Adrian Ravier, disse que Flávio não tinha solicitado asilo ao país. “Em relação a Bolsonaro [Flávio], não há nenhum pedido de asilo. Portanto, não há mais nada a acrescentar”, disse.

Por volta das 16h, uma falsa confirmação da chegada do senador aos EUA foi dada pelo advogado e empresário mexicano Simón Levy, aliado do presidente dos EUA, Donald Trump. Na fala, ele disse, ainda, que a ida do senador foi conduzida pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Na sequência, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e um dos coordenadores da campanha presidencial de Flávio, afirmou que o parlamentar tinha enviado uma mensagem pela manhã dizendo que queria “dar um tempo” e que procuraria os aliados mais tarde.

Marinho também disse que não foi previamente avisado por Flávio sobre o plano de ele deixar o país e admitiu surpresa com a informação.

Ainda na terça, uma autoridade do governo americano afirmou que Flávio e sua família receberiam vistos para entrar nos EUA.

As informações distorcidas sobre o paradeiro do senador ganharam mais força após fontes ligadas a Eduardo Bolsonaro confirmarem que Flávio havia se encontrado com o irmão nos Estados Unidos.

Noite de 27 de outubro

Contrariando as informações repassadas por aliados do senador, a Direção Nacional de Migrações da Argentina afirmou que, às 22h50, Flávio, a mulher dele e as duas filhas do casal atravessaram a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) com Porto Iguaçu, na Argentina.

Para entrar na Argentina, o senador usou um passaporte pessoal italiano. A Polícia Federal informou que não há registro oficial de saída de Flávio pelos postos de controle migratório brasileiros.

Às 23h30, Flávio e a família embarcaram em um voo privado pela companhia Baires Fly S.A. com destino à cidade de Guayaquil, no Equador.

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A rota traçada no plano de voo que levou o senador da Argentina aos Estados Unidos preferiu percorrer uma distância maior e evitar o espaço aéreo brasileiro, visto que a aeronave poderia ser interceptada pela Força Aérea Brasileira e ser obrigada a pousar na pista mais próxima.

O voo que operou a fuga de Bolsonaro sobrevoou o Paraguai, a Bolívia e o Peru antes de parar para o reabastecimento em Guayaquil.

De Guayaquil, o senador foi para os Estados Unidos e chegou por volta das 10h30 desta quarta-feira (28) em Miami. O site da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (U.S. Customs and Border Protection, em inglês), mostrou que Flávio entrou nos EUA utilizando um dos passaportes brasileiros que foi cancelado pela Polícia Federal.

Manhã de 28 de outubro

O avião que levou Flávio e a família aos EUA aterrissou no Aeroporto Executivo de Opa-locka, perto de Miami.

Na hora de sair do aeroporto, Flávio, a mulher e as filhas usaram guarda-chuvas para evitar a imprensa. Contudo, foi possível registrar o momento em que o senador deixou a aeronave.

Flávio recebeu uma autorização excepcional e temporária, conhecida como parole, ao entrar nos Estados Unidos. Ele poderá permanecer no país assim por um ano.

O mecanismo permite que estrangeiros entrem e permaneçam no país por razões humanitárias ou de interesse público.

Tarde de 28 de outubro

Flávio se manifestou pela primeira vez após ir embora do Brasil. Pelas redes sociais, ele publicou duas versões de uma carta na qual contestava o resultado das urnas e alegava fraude, sem apresentar provas.

Na primeira versão do documento, ele se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, contudo, alterou a carta e substituiu a expressão por “líder do Brasil”.

Na versão original, o senador começava o texto com a seguinte frase: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.

No texto alterado, a apresentação passou a ser: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil”.

Ainda na primeira versão, senador afirmava: “Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.”

Contudo, ele mudou esse trecho para: “Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o líder e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.”

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