Dúvidas sobre equipe econômica fazem dólar disparar 2% e fechar acima de R$ 5,17
Moeda atinge a maior valorização diária desde 24 de outubro; planos de gastos extrateto para 2023 preocupam investidores
Economia|Do R7

O dólar saltou mais de 2% frente ao real nesta segunda-feira (7), em meio a temores sobre a configuração da futura equipe econômica do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujos planos de gastos extrateto para 2023 têm preocupado investidores.
A moeda americana à vista fechou em alta de 2,39%, a R$ 5,1733 na venda, a maior valorização percentual diária desde 24 de outubro (+2,94%) e o patamar de encerramento mais alto desde 28 de outubro (R$ 5,3023) — pregão que antecedeu o segundo turno das eleições.
Na sessão, o real teve, de longe, o pior desempenho entre uma cesta de divisas globais. Investidores mostravam-se preocupados com a falta de indicações claras de quem será o ministro da Fazenda de Lula.
Há semanas os mercados vêm se atendo a esperanças de que o petista poderia indicar para o cargo um nome amigável aos mercados, como Henrique Meirelles. Mas o ex-presidente do Banco Central já disse várias vezes que não recebeu convites para integrar o governo eleito, não toma decisões com base em hipóteses e tem responsabilidades no setor privado.
Enquanto o próximo chefe da pasta econômica brasileira continua indefinido, crescem os temores de que o Ministério da Fazenda acabe sendo liderado por alguém mais à esquerda e que poderia ser inclinado a uma maior flexibilidade das regras fiscais do país.
Diante dessa possibilidade, alguns agentes financeiros entenderam o tombo dos ativos brasileiros nesta segunda-feira como um "recado" dos mercados.
"É bom o recado do mercado... Aventuras não serão aceitas", disse Sergio Machado, sócio da NCH Capital, em publicação no Twitter.
Os ganhos desta segunda-feira vieram depois de, na sessão anterior, na sexta (4), a moeda americana spot ter perdido 1,36%, a R$ 5,0524, o menor patamar para encerramento desde 29 de agosto (R$ 5,0330). No acumulado da semana passada, período que sucedeu a vitória eleitoral de Lula, o dólar despencou 4,71%, a maior queda semanal desde o período findo em 29 de julho (-5,91%).
"Logo depois das eleições, [o dólar] apontou uma tendência de queda após uma sinalização de uma transição um pouco mais tranquila. Porém, para que se confirme essa tendência, se faz necessária a divulgação da equipe que vai compor o gabinete nos próximos anos, em especial da equipe econômica", disse Márcio Riauba, chefe da mesa de câmbio da StoneX.
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O especialista também citou temores sobre a PEC (proposta de emenda à Constituição) que a equipe de transição para o próximo governo planeja encaminhar, para garantir uma excepcionalidade ao teto de gastos. O objetivo é adequar o Orçamento do ano que vem às promessas de campanha de Lula, como a manutenção dos R$ 600 do Auxílio Brasil e o reajuste real do salário mínimo.
Os valores embutidos na PEC ainda não foram definidos oficialmente, mas a expectativa é que possam superar os R$ 200 bilhões.
A disparada do dólar no mercado doméstico destoou do clima no exterior, na tarde desta segunda, no qual a moeda americana caía 0,9% contra uma cesta de seis pares fortes.
Nesta semana, investidores ficarão atentos à divulgação dos dados da inflação americana e às falas de dirigentes do Federal Reserve, que podem oferecer pistas sobre as próximas decisões de política monetária do banco central dos Estados Unidos.
O BTG Pactual disse, em relatório nesta segunda-feira, que ainda vê "suporte para um dólar global forte", depois de indicações recentes do Fed de que pode elevar os juros a um patamar mais alto do que se pensava anteriormente e mantê-los assim por mais tempo.
O foco também se volta para as eleições de meio de mandato nos EUA, que acontecerão nesta terça-feira (8). Um resultado muito dividido entre republicanos e democratas seria visto, de modo geral, como positivo para ativos arriscados.












