95% das propostas dos presidenciáveis para a saúde exigem recursos adicionais, diz estudo
Levantamento aponta ainda que 83% das propostas dependem de articulação com estados e municípios
2026|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Uma pesquisa feita pelo IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) em parceria com a Umane mostrou que 95% das propostas dos principais presidenciáveis para a saúde demandam recursos adicionais sem indicar a fonte de financiamento.
O estudo analisou os planos de governo dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
Além da questão orçamentária, o estudo aponta dificuldades relacionadas à implementação das medidas: 83% das propostas dependem de coordenação com estados e municípios, enquanto 56% correspondem a alguma política ou programa que já existe.
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Para Julia Pereira, gerente de relações institucionais do IEPS, a necessidade de articulação entre os diferentes níveis de governo pode dificultar a execução das propostas, principalmente diante das diferenças de capacidade institucional entre estados e municípios.
“A capacidade institucional dos estados e municípios é muito diferente, o que demandaria que, em cada uma das ações que demandam essa articulação, o governo federal precisasse criar estratégias que pudessem auxiliar esses entes a atuarem na direção proposta”, afirmou.
Pressão
O estudo aponta que a necessidade de financiamento do setor deve crescer, em média, 3,9% ao ano em termos reais na próxima década, impulsionada principalmente pelo envelhecimento da população e pelo aumento de doenças crônicas complexas.
Segundo as projeções apresentadas no estudo, somente para manter a cobertura e o padrão de qualidade atuais do SUS (Sistema Único de Saúde), a necessidade orçamentária deve superar o mínimo constitucional obrigatório para a saúde em R$ 29,7 bilhões em 2030.
O levantamento também aponta que os gastos públicos em saúde, atualmente entre 3,9% e 4,3% do PIB (Produto Interno Bruto), permanecem abaixo da referência de 6% do PIB considerada necessária para o setor.
Propostas não abordadas
Outro desafio apontado pela pesquisa é que os planos de governo analisados trataram de maneira superficial, ou não apresentaram propostas, para questões que vêm pressionando o sistema de saúde brasileiro.
Entre os temas estão os impactos das bets, as mudanças climáticas e os efeitos do ambiente digital sobre a saúde da população e o SUS.
Segundo a análise, esses desafios tendem a ganhar importância nos próximos anos e deveriam ser considerados nas prioridades do próximo ciclo político.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe
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