Mercadante critica postura de Flávio de incluir EUA em eventual transição de governo
Em carta enviada em junho, candidato do PL disse que poria equipe à disposição caso vença a eleição para a Presidência da República
2026|Do R7
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O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, criticou na última quarta-feira (23) a postura de Flávio Bolsonaro de incluir os EUA na transição de governo caso o candidato do PL vença as eleições de outubro. Mercadante alertou para o risco de vazamento de informações sensíveis de diversas áreas e disse que o país pode perder a autonomia sobre recursos estratégicos.
“Você tem acesso a todas as informações, da defesa, de milhares de clientes, do Banco Central, do PIX. Como é que você vai abrir essas informações para outro país?”, questionou Mercadante durante a 5ª edição da J.Safra Investment Conference, realizada em São Paulo.
Em junho, Flávio Bolsonaro enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em que dizia que, em caso de vitória, colocaria sua equipe de transição “imediatamente à disposição” dos americanos. “Para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações”, completa o candidato na carta.
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Ainda durante o evento, o presidente do BNDES disse que o Brasil corre o risco de entrar em um processo de “neocolonialismo”. Mercadante criticou a possibilidade de que decisões brasileiras sobre exploração de recursos naturais sejam condicionadas previamente aos interesses de outros países.
“Nós não podemos vender nenhuma empresa, nem podemos definir o que nós vamos explorar antes de consultar se os americanos têm interesse. Nós vivemos 400 anos como colônia. Nós estamos indo para um neocolonialismo digital e um neocolonialismo na região. Isso não é sustentável, isso não é correto”, afirmou.
Para o presidente do banco estatal, o Brasil precisa se posicionar nas relações diplomáticas e nas negociações com nações estrangeiras “com altivez, com autonomia, com interdependência, com realismo em relação aos minerais críticos”. “Nós somos um país independente, grande, estamos entre as três maiores economias do mundo, na nova fronteira mineral”, concluiu.
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