Trump aprovou entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA após derrota na eleição brasileira, diz fonte
Senador não entregou os passaportes à Polícia Federal, que cancelou os documentos
2026|Max Saltman, Alayna Treene, Kevin Liptak, Julia Vargas Jones e Jennifer Hansler, da CNN Internacional
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O presidente Donald Trump aprovou a entrada do senador brasileiro Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos após sua derrota eleitoral, disse à CNN um assessor de Trump.
Autoridades do governo Trump tinham conhecimento, na segunda-feira (26), de que Bolsonaro tinha cerca de 24 horas para entregar seu passaporte e deixaram claro ao derrotado candidato à Presidência do Brasil que ele teria permissão para entrar nos Estados Unidos, segundo o assessor.
Os EUA estão emitindo vistos para Bolsonaro e sua família, disseram anteriormente duas autoridades americanas à CNN.
Uma fonte brasileira próxima a Bolsonaro afirmou que o político temia ser preso no Brasil. Atualmente, ele é investigado pela mais alta corte do país por supostos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Uma pessoa familiarizada com a situação disse à CNN, na tarde de terça-feira, que Bolsonaro havia chegado aos Estados Unidos. Ainda não está claro onde ele desembarcou.
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Também não se sabe se Trump e Bolsonaro conversaram diretamente por telefone antes da partida do político brasileiro.
Fontes confirmaram anteriormente à CNN que Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos após perder a eleição presidencial de domingo. A Polícia Federal brasileira cancelou os passaportes de Bolsonaro depois que ele não os entregou, informou a afiliada CNN Brasil.
As especulações sobre os deslocamentos de Bolsonaro aumentaram após o jornal argentino Infobae informar que o candidato alinhado a Trump havia deixado o Brasil pela Argentina depois de perder o segundo turno da eleição presidencial de domingo para o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva. O governo argentino afirmou em nota que “não há registro da entrada de Flávio Bolsonaro” no país.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, ordenou na segunda-feira que Bolsonaro entregasse seus passaportes em até 24 horas. A CNN procurou Bolsonaro, seu partido político e a Polícia Federal para comentar o paradeiro do senador.
Bolsonaro disse que a polícia brasileira o informou pessoalmente sobre a decisão e que foi comunicado de que estava proibido de deixar o Brasil. Em vídeo publicado no Instagram na segunda-feira, o senador negou que pretendesse fugir.
Uma das acusações contra Bolsonaro está ligada a possíveis plataformas ilegais de apostas on-line. Outra envolve a produção da cinebiografia de seu pai, Dark Horse, que, segundo a Polícia Federal, teria recebido recursos do Banco Master, banco que entrou em colapso e esteve no centro de um esquema semelhante a uma pirâmide financeira de US$ 7 bilhões em 2025. Bolsonaro nega qualquer irregularidade.
No momento de sua saída do Brasil, não havia mandados de prisão contra ele. No entanto, segundo analistas jurídicos, o descumprimento da ordem judicial para entregar os passaportes poderia ser motivo suficiente para a emissão de um mandado.
Conservadores de direita no exílio
Ao deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, Bolsonaro se junta a uma grande comunidade de conservadores brasileiros no exílio, entre eles seu irmão Eduardo Bolsonaro, o ex-chefe da inteligência brasileira Alexandre Ramagem e o podcaster Paulo Figueiredo.
Pouco antes do segundo turno, Eduardo sugeriu que Flávio deveria deixar o Brasil caso fracassasse em sua tentativa de chegar à Presidência. Na terça-feira, Eduardo classificou os rumores de que o irmão teria fugido como uma “mentira”.
A viagem de Flávio lembra a atitude de seu pai após a derrota na eleição presidencial de 2022. Pouco depois de perder o pleito, Jair Bolsonaro foi para Orlando, na Flórida, onde permaneceu por três meses. Durante esse período, centenas de seus apoiadores invadiram os prédios dos Três Poderes, em Brasília, depredando o STF, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto, em um ataque que remeteu à invasão do Capitólio dos Estados Unidos em 2021.
Os esforços de Bolsonaro e seus aliados para reverter o resultado da eleição de 2022 levaram o ex-presidente a ser condenado a 27 anos de prisão. Trump, apoiador declarado da família Bolsonaro, chegou a impor tarifas ao Brasil em resposta ao processo criminal contra Jair. Nesta semana, Trump afirmou, sem apresentar provas, que a vitória de Lula foi “fraudada”.
A saída de Bolsonaro ocorre logo após sua surpreendente derrota para Lula no fim de semana. O político conservador era considerado favorito, mas Lula conseguiu superá-lo no domingo, obtendo 4,4 milhões de votos a mais no segundo turno.
Em discurso para apoiadores na terça-feira, Lula classificou a saída de Bolsonaro do Brasil como “vergonhosa” e afirmou que seu adversário poderia ter permanecido no país para responder às acusações na Justiça.
Inicialmente, Bolsonaro recusou-se a reconhecer a vitória de Lula, afirmando que sua equipe pediria a anulação do resultado.
Dias depois, porém, o Partido Liberal mudou de posição. “Reconhecemos o resultado da eleição presidencial”, disse o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, segundo a CNN Brasil. “Mas acreditamos que as questões levantadas precisam ser devidamente esclarecidas.”
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