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Silvia Poppovic: "Nas redes sociais, sou meu secretário, publicidade, produtor, iluminador, meu tudo"

Pioneira nos programas de debate sobre comportamento humano na tevê, apresentadora fala sobre seu canal, sucesso no Instagram, e a dor pela perda do marido, Marcello Bronstein, no final de 2022

Entrevista|Eduardo Marini, do R7


Após longa carreira na tevê, Silvia faz aposta bem sucedida nas redes sociais
Após longa carreira na tevê, Silvia faz aposta bem sucedida nas redes sociais

A história da evolução dos programas de debates sobre comportamento humano na televisão brasileira passa, obrigatoriamente, por Silvia Belotti Poppovic. Mais velha dos três filhos de uma educadora e de um editor de origem austríaca, essa paulistana de 68 anos, apenas Silvia Poppovic para o público cativo, foi uma das pioneiras desse modelo de atração, que ajudou a desenvolver nas principais emissoras brasileiras, entre elas a Record TV.

Formada em Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, Silvia iniciou a carreira como repórter do Jornal Hoje, na Rede Globo. Em 1980, apresentou o Globo Rural. Após passagens pela TV Gazeta e Abril Vídeo, foi repórter do Jornal de Record e apresentadora do São Paulo à Tarde na Record TV entre 1984 e 1988.

Como mediadora, integrou a equipe do Canal Livre, da Band. Novamente na Record TV, em 1990, passou pelo Fala Brasil e, em seguida, rumou para o SBT, onde estreou o Programa Silvia Poppovic. A atração foi levada para a Band em 1992 e desembarcou na TV Cultura em 2005.

Em seu mais recente projeto em tevê aberta, dividiu a apresentação do Aqui na Band com Luís Ernesto Lacombe entre 2019 e 2020. Com o fim do programa, em plena pandemia, renovou-se nas redes sociais. Seu canal de comportamento, moda, culinária, entretenimento e estilo de vida, aberto inicialmente no Facebook, hoje faz sucesso entre os seguidores no Instagram. “É minha principal atividade atualmente. Espero todos lá. Quem ainda não conhece certamente vai gostar”, aposta.

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Nessa conversa com o R7 ENTREVISTA, Silvia fala de suas origens, dá detalhes do trabalho nas redes sociais, relembra episódios da carreira e conta que perdeu mais de 40 quilos após se submeter a uma cirurgia bariátrica cinco anos atrás.

Destaca ainda a dor ainda sentida pela morte do marido, o endocrinologista Marcello Bronstein, pai de sua única filha, Ana, 20 anos, em 25 de novembro de 2022. “Apenas três meses se passaram. Ainda estou no olho do furacão”, admite. Conversa franca. Acompanhe:

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O conteúdo do meu canal no Instagram é baseado em vídeos sobre moda%2C comportamento%2C culinária%2C receitas%2C entretenimento%2C universo feminino e estilo de vida. Tudo dentro da ideia da prestação de serviço%2C de passar algo útil. O número de seguidores tem crescido muito. O canal atrai pessoas acima dos 45 anos e%2C para minha alegria%2C também jovens. É minha principal atividade. Estou me dando e as pessoas estão me recebendo

(SILVIA POPPOVIC)

Como estão seus projetos nas redes sociais?

Silvia Poppovic – Estou satisfeita com o trabalho, iniciado no Facebook e desenvolvido no Instagram. O conteúdo é baseado majoritariamente em vídeos sobre moda, comportamento, culinária, receitas, entretenimento, universo feminino e estilo de vida. Tudo dentro da ideia da prestação de serviço, de passar algo útil. Felizmente, o número de seguidores tem crescido muito. O canal atrai pessoas acima dos 45 anos e, para minha alegria, também jovens. Boa parte da juventude de hoje sabe buscar ensinamentos em ambientes e canais teoricamente dedicados à maturidade. Busca o que os mais velhos têm de bom e eles não possuem. O canal é, atualmente, minha principal atividade. Estou me dando e as pessoas estão me recebendo. Espero todos lá. Tenho certeza de que irão gostar.

Você estava na Band antes desse projeto, não é?

Sim, no Aqui na Band. Quando veio a pandemia, passei a fazer o programa daqui de casa, mas pouco depois ele acabou, por discordâncias e questões ideológicas, entre outras coisas. Pensei: se eu fazia de casa um programa em rede nacional, teria condições também de aprender a dominar a linguagem da internet e realizar algo meu no ambiente da internet e das redes sociais. Naquela situação de estarmos todos confinados, houve uma cumplicidade com o público que ajudou a coisa a crescer. Afinal de contas, estávamos todos na mesma situação.

O que acha mais positivo em um canal próprio?

Sem dúvida a liberdade para imprimir meu estilo e minhas ideias na plenitude. É outra coisa. No meu canal não preciso pensar no que está ou não dentro das expectativas de um veículo de comunicação. O desejo do veículo é o meu. Mas isso tem um custo de trabalho. Muito trabalho. Nas redes sociais, eu sou minha secretária, meu iluminador, meu produtor, meu departamento de publicidade, meu marketing, meu setor de recursos humanos, meu tudo (risos). Uma vez por semana, tenho a ajuda técnica de um colaborador, mas todo o resto fica por minha conta.

A grande maioria dos influenciadores digitais%2C independentemente de serem bons ou nem tanto%2C mesmo porque isso varia de acordo com o interesse de cada um%2C foi feita dentro da internet. De certa forma%2C são%2C ao mesmo tempo%2C pais e filhos%2C criadores e crias das redes sociais. Meu caso é diferente. Levei para a rede uma carreira longa e diversificada como repórter%2C redatora%2C editora e apresentadora%2C em televisão e impressos. Essa bagagem diversificada acaba por fazer a diferença na produção do conteúdo

(SILVIA POPPOVIC)

Você levou uma longa experiência profissional para a internet…

Considero esse ponto fundamental. A grande maioria dos influenciadores digitais, independentemente de serem bons ou nem tanto, mesmo porque isso varia de acordo com o interesse de cada um, foi feita dentro da internet. De certa forma, são, ao mesmo tempo, pais e filhos, criadores e crias das redes sociais. Meu caso é diferente. Levei para a rede uma carreira longa e diversificada como repórter, redatora, editora e apresentadora, em televisão e impressos. Essa bagagem diversificada acaba por fazer a diferença na produção de conteúdo.

Fale um pouco sobre sua vida familiar com seus pais.

Sou de uma família de imigrantes europeus. Uma parte, de italianos e franceses, foi para a Argentina. Tenho dois irmãos homens, mais novos. Meu pai, Pedro Paulo, veio da Áustria, filho de pai austríaco e mãe nascida na Turquia. Trabalhou por muito tempo como editor na Abril. Lançou muitas coleções importantes de fascículos, que fizeram sucesso vendidas, à época, em mais de 30 mil bancas de jornais do país. Poppovic é um sobrenome austríaco. Minha mãe, Ana Maria, nasceu em Buenos Aires, na Argentina, e se naturalizou brasileira. Foi professora universitária por muitos anos.

Um ambiente familiar rico.

Exatamente. Com pais intelectuais, tivemos criação liberal, de questionamento, posicionamento crítico e busca do conhecimento, mas sem mimos e preconceitos. Nunca fui filhinha de papai criada em redoma. Estudei em escola pública experimental. O contato com a realidade brasileira sempre foi valorizado entre nós. Essa combinação de fatores me ajudou demais na carreira. Amo o país e gosto muito de gente. Tenho facilidade para me entender com pessoas diferentes. Quando encaro um determinado público, sei exatamente com quem estou falando. Identifico no ato. Para uma jornalista e comunicadora, essa combinação foi positiva.

Com a filha Ana e o marido Marcello Bronstein, que morreu de leucemia no final de 2022
Com a filha Ana e o marido Marcello Bronstein, que morreu de leucemia no final de 2022

Você se formou na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, a USP. Vinda de uma academia tão intelectualizada, sofreu preconceito por ter ido para a televisão?

Não, mesmo porque comecei na imprensa escrita e trabalhei em grandes veículos de comunicação impressos antes de migrar. E também porque fui no início de uma revolução no meio, num momento em que a tevê começava a abrigar grandes nomes do jornalismo impresso, como, aqui em São Paulo, Luiz Fernando Mercadante e Paulo Patarra, dois mestres inesquecíveis, entre vários outros no país. Hoje está claro que esse movimento cresceu e se solidificou. Penso ter feito coisas importantes na televisão. Fui precursora dos programas de debate sobre comportamento humano e sexualidade. Muito da linguagem que desenvolvi para falar com públicos variados veio do meu trabalho no Globo Rural, onde éramos obrigados a transmitir informações técnicas em linguagem clara para o homem do campo. E também nas reportagens de rua para o jornalismo de tevê. Entendemos que as coisas na tevê precisariam ser mais simples, com uma quantidade menor de palavras. Aprendemos a linguagem e assumimos o veículo e os desafios com muito respeito.

O destino às vezes nos reserva mesmo ironias. Marcello%2C generoso%2C deu-me a chance de realizar o sonho de ser mãe pela primeira vez aos 45 anos. Vinte anos depois%2C em julho de 2022%2C nossa filha Ana%2C generosa como ele%2C foi doadora da medula no transplante que quase o fez permanecer entre nós

(SILVIA POPPOVIC)

Alguma característica pessoal ou profissional funcionou como motivação para buscar a tevê?

Quando acabar de escrever as reportagens, no jornalismo impresso, percebia que as minhas descrições verbais, para os colegas, do que tinha visto na apuração eram quase sempre melhores e mais ricas do que os textos que fazia. Sei escrever bem, mas entendi que a parte mais forte do meu talento era a fala. Se precisar falar um minuto, cinco, quinze, uma hora, falo com naturalidade. Há outros jornalistas que, ao contrário, escrevem divinamente e são tímidos até para conversar com companheiros de trabalho. Diante de uma câmera, então, sentem-se torturados. Você e eu conhecemos muitos assim.

Verdade. Seu marido, o endocrinologista Marcello Bronstein, morreu em 25 de novembro de 2022, aos 78 anos, vítima de complicações derivadas da leucemia, diagnosticada um ano antes. A dor certamente ainda é grande...

Imensa. Olhe, o destino às vezes nos reserva mesmo algumas ironias. Marcello tinha três filhas do primeiro casamento. Aos 44 anos, eu, que não tinha filhos, assumi que queria viver a maternidade. Estávamos juntos há quatro anos. Como eu tinha dificuldade para engravidar por causa dos ovários policísticos, fiz tratamento, engravidei rapidamente e a Ana veio. Aos 45 anos, me senti mais forte como ser humano e mulher. Marcello, generoso, deu-me a chance de realizar o sonho de ser mãe e, vinte anos depois, em julho de 2022, a Ana, generosa, foi doadora da medula no transplante que quase o fez permanecer entre nós. Precisava ser um doador jovem, que ainda não tivesse engravidado, no caso de mulher, e, claro, compatível. Das três filhas do primeiro casamento, duas tinham já ficado grávidas e a outra tinha 40 anos, não era tão jovem para o caso. Ana tinha o perfil ideal. Quando os exames mostraram a compatibilidade para o transplante, ficamos muito emocionados. Foi bem sucedido, mas o Marcello sofreu com outros problemas logo depois. Teve apendicite por conta da imunidade baixa e não resistiu. Morreu há três meses. Ainda estou no olho do furacão.

Perdi mais de 40 quilos após a bariátrica. Como a cirurgia reduz o sistema digestivo%2C muitos passam a ingerir exageradamente líquidos calóricos%2C refrigerantes%2C leite condensado e coisas do tipo. Como entender alguém que se propõe a fazer uma cirurgia que%2C como todas%2C traz algum grau de risco%2C e depois boicota a operação dessa forma%3F Se for para isso%2C é melhor continuar a engordar sem limites. Pelo menos não corre o risco existente em qualquer cirurgia

(SILVIA POPPOVIC)

Você emagreceu bastante. Fez cirurgia bariátrica?

Sim, a mais completa, cinco anos atrás. Tenho 1,70 metro de altura e estou pesando pouco menos de 60 quilos. Cheguei a passar dos cem quilos, mas hoje nem importa lembrar qual foi meu peso máximo. O importante agora é passar a mensagem correta aos interessados. Quem pensa em seguir esse caminho deve, em primeiro lugar, se informar muito bem para encontrar profissionais sérios e centros hospitalares preparados para o processo. Outra coisa é não sabotar a cirurgia. Como o sistema digestivo é reduzido, muitos passam a ingerir exageradamente líquidos calóricos, refrigerantes, leite condensado e coisas do tipo. Como entender alguém que se propõe a fazer uma cirurgia que, como todas, traz algum grau de risco, e depois boicota a operação? Se for para isso, é melhor continuar a engordar sem limite. Pelo menos não corre o risco existente em qualquer cirurgia.

O R7 ENTREVISTA agradece.

Eu também. A conversa foi boa. Aguardo todos no Instagram.

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