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Acusados de planejar o 11 de Setembro serão julgados quase 30 anos depois; entenda

Caso envolvendo presos em Guantánamo se arrasta desde os atentados e pode condenar os réus à morte no julgamento de 2028

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Quatro acusados pelos atentados de 11 de setembro de 2001, incluindo Khalid Sheikh Mohammed, serão julgados em 2028, 27 anos após o ataque.
  • O julgamento ocorrerá em um tribunal militar na Baía de Guantánamo, Cuba, e enfrenta desafios devido a confissões obtidas sob tortura e questões de segurança nacional.
  • Os réus, que enfrentam a pena de morte, tentaram um acordo para evitar o julgamento, mas a decisão foi bloqueada em 2024.
  • O processo começará com a seleção de um júri militar e incluirá apresentação de provas e argumentos de ambas as partes, culminando na fase de sentença.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Em 11 de setembro de 2001, em menos de duas horas, as torres gêmeas do World Trade Center foram reduzidas a uma montanha de pó e aço incandescente, o Pentágono ficou destruído e quase 3 mil pessoas perderam a vida
Em 11 de setembro de 2001, as torres gêmeas do World Trade Center foram atingidas por aviões sequestrados pelos terroristas Sara K. Schwittek/Reuters

Quatro presos pelo envolvimento nos atentados de 11 de setembro de 2001 serão julgados a partir de 5 de junho de 2028, 27 anos depois do ataques terroristas que deixaram cerca de 2.700 mortos e levaram os Estados Unidos a uma “guerra ao terror”, implementando uma longa caçada a Osama bin Laden.

Um dos acusados que será julgado daqui a dois anos é Khalid Sheikh Mohammed, apontado como o responsável por planejar os ataques. Seria dele a ideia de treinar pilotos para lançar aviões comerciais contra prédios, além de ter levado esses planos a Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda.


Os outros três réus são:

  • Walid bin Attash, acusado de operar o campo de treinamento no Afeganistão;
  • Ali Abdul Aziz Ali (também conhecido como Ammar al-Baluchi), sobrinho de Mohammed, que teria ajudado a financiar a operação e matriculado os terroristas em uma escola de aviação;
  • Mustafa Ahmad al-Hawsawi, acusado de fornecer dinheiro, cartões de crédito e roupas para os envolvidos no plano.

O processo ocorrerá em um tribunal militar na Baía de Guantánamo, em Cuba, onde os quatro estão detidos.


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Processo longo e com problemas

A nova data foi definida pelo juiz tenente-coronel Michael Schrama, na quarta-feira (26). Schrama é o quinto juiz militar a ser nomeado desde que a comissão militar do 11 de Setembro indiciou os réus em 2012. Durante anos, o caso esteve envolvido em conflitos legais pré-julgamento e disputas sobre as provas que podem ser usadas durante o julgamento.

Segundo o New York Times, entre os maiores problemas estão as confissões obtidas dos homens após terem sido detidos em prisões da CIA, onde foram submetidos a tortura, abusos e isolamento. A promotoria também se valeu do privilégio de segurança nacional para ocultar detalhes importantes dos advogados de defesa, o que levanta questionamentos sobre a imparcialidade do processo.


Foto de arquivo de Khalid Sheikh Mohammed Cortesia da U.S.News & World Report/Arquivo via Reuters - 1º de março de 2003

Os quatro homens enfrentam a pena de morte e já passaram por dezenas de audiências preliminares ao longo dos anos, sem resolução.

No ano passado, um tribunal de apelações dos EUA recusou-se a permitir que Mohammed e dois de seus co-réus se declarassem culpados sob acordos que os teriam livrado da pena de morte.


A decisão do tribunal de apelação reverteu as decisões de um juiz militar e do Tribunal de Revisão da Comissão Militar dos EUA, que haviam apoiado o acordo de confissão de culpa.

O acordo havia sido proposto em 2024 e aceito pelo funcionário que supervisiona o tribunal de guerra de Guantánamo, no Pentágono, mas foi revogado em agosto passado pelo então secretário de Defesa, Lloyd Austin, em meio a críticas de parlamentares republicanos.

A confissão de culpa foi inicialmente vista como um caminho a seguir que encerraria o caso, que, segundo especialistas jurídicos consultados pelo jornal britânico The Guardian, continuará envolto em dificuldades devido à forma como os réus foram tratados durante os interrogatórios.

O atentado e Guantánamo

No próximo mês, completam-se 25 anos desde que sequestradores lançaram aviões comerciais contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, na Virgínia, enquanto outro voo sequestrado por eles caiu em um campo na Pensilvânia. Cerca de 2.700 pessoas morreram nos ataques.

Prisão de Guantánamo foi inaugurada seis meses após os ataques Sgt. Michael R. Holzworth/Flickr/Joint Task Force Guantanamo

O governo dos EUA chamou o atentado de “o ato criminoso mais hediondo em solo americano na história moderna”.

A prisão militar na Baía de Guantánamo foi inaugurada seis meses após os ataques.

Cerca de 15 prisioneiros ainda estão detidos lá. Mohammed, um engenheiro com formação nos EUA, foi capturado juntamente com al-Hawsawi no Paquistão em março de 2003 e está detido em Guantánamo desde setembro de 2026.

Como será o julgamento

O processo se inicia com a seleção de um painel composto inteiramente por militares, que atuarão como júri para julgar o caso de acordo com as normas da justiça militar, segundo a agência de notícias Reuters.

As declarações iniciais terão início 30 dias após a posse do júri, seguidas da apresentação das provas da acusação. Na sequência, os réus poderão apresentar moções para a declaração de não culpado.

A ordem judicial concede a ambas as partes a oportunidade de apresentar seus argumentos e refutar as alegações uma da outra, bem como permite que a promotoria reabra o caso. A defesa apresentará suas principais provas a partir de 60 dias corridos após a conclusão da apresentação das provas pela acusação.

O julgamento termina com a fase de sentença.

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