Mursi não aceita intervenção militar e se recusa a deixar o poder no Egito
Presidente deposto está isolado em um quartel da guarda revolucionária no Cairo
Internacional|Do R7, com agências internacionais

Mohammed Mursi, deposto na noite de quarta-feira (3) pelo exército como chefe de Estado, disse que as medidas anunciadas pelo chefe das Forças Armadas, Abdel Fatah al Sisi, são um "golpe" e que ele continua sendo o presidente do país.
Mursi pediu aos altos comandantes militares e aos soldados que cumpram a Constituição e a lei e não respondam ao "golpe" e que evitem envolver-se no derramamento de sangue.
A onipresente influência do exército na política do Egito
Em sua página de Facebook, o islamita destacou que "todos enfrentarão sua responsabilidade perante Deus, o povo e a história", depois que as Forças Armadas o substituíram como presidente pelo chefe do Tribunal Constitucional, Adly Mansour.
Em discurso televisado à nação, o chefe do Exército, marechal Abdel Fatah al Sisi, anunciou que foi decretada a suspensão temporária da Constituição egípcia.
O presidente da Corte Constitucional administrará a etapa interina e convocará eleições presidenciais antecipadas, dentro do roteiro estipulado pelo exército com as forças do país.
O líder terá todo o poder para fazer declarações constitucionais e para designar um chefe de governo com prerrogativas, disse Al Sisi. Além disso, será formado um comitê de especialistas para emendar a Constituição, segundo o plano traçado por Al Sisi, que estava rodeado por líderes políticos além do xeque da instituição islâmica de Al-Azhar, Ahmed Tayyip, e o papa copta, Teodoro 2.
O grande imã Ahmed Al-Tayeb, da Al-Azhar, principal autoridade sunita do mundo, e o patriarca copta ortodoxo Teodoro 2 tomaram a palavra após o chefe do Exército do Egito ter anunciado a deposição de Mohamed Mursi.
O primeiro apoiou a convocação de uma eleição presidencial antecipada, enquanto Teodoro assegurou que "todos estarão protegidos".
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O líder liberal de oposição egípcio Mohamed ElBaradei disse após a intervenção do Exército que a revolução Primavera Árabe de 2011 foi relançada pelo anúncio de um roteiro patrocinado pelo Exército do Egito que retirou do cargo o presidente islamita Mohamed Mursi.
O representante da oposição foi a público depois do general Sissi, com quem havia negociado durante o dia, e comentou que as medidas dos militares "atendem às aspirações do povo".
Novo governo
As consultas para formar um governo de transição após o golpe militar que derrubou o presidente islâmico do Egito, Mohamed Mursi, já começaram, revelou o ex-candidato presidencial Amr Musa.
"As consultas começaram agora para formar um governo e para a reconciliação" nacional, acrescentou Musa, que dirige o partido liberal.
"É o fim do regime de Mursi", baseado na Irmandade Muçulmana. "Está acabado", afirmou Musa.
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Estopim da crise atual
Desde domingo (30), milhares de egípcios exigem a saída de Mursi em manifestações em massa e sem precedentes desde a revolta que derrubou no início de 2011 o presidente Hosni Mubarak.
Mursi reagiu denunciando um "total golpe de Estado", que não pode ser aceito "por todos os homens livres de nosso país", em uma mensagem postada no Twitter.
Segundo um de seus colaboradores, o presidente também fez um apelo para que todos os egípcios "resistam pacificamente a este golpe".
O "presidente pede a todos os egípcios que resistam pacificamente ao golpe de Estado, como ele mesmo fará", disse à AFP esse assessor que pediu para não ser identificada.
"O que fizeram é ilegal, não têm autoridade para fazer isso", ressaltou o colaborador de Mursi.
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