Nicarágua liberta assassino de brasileira e Itamaraty protesta
Ex-militar condenado pela morte de Raynéia Gabrielle Lima foi anistiado como outros envolvidos em crimes ligados aos conflitos de 2018
Internacional|Cristina Charão, do R7

Um ano após o assassinato da médica brasileira Raynéia Gabrielle Lima na capital da Nicarágua, a Justiça nicaraguense colocou em liberdade o homem condenado por sua morte. A decisão motivou um protesto formal do Itamaraty.
Em nota divulgada nesta quinta-feira (25), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil classificou a medida como uma demonstração da "deterioração das instituições na Nicarágua e comprova padrão de sistemática violação das garantias individuais e de direitos fundamentais naquele país".
O ex-militar, tratado pela mídia nicaraguense como um paramilitar ligado aos grupos de apoio ao presidente Daniel Ortega, foi liberado por conta da anistia declarada pelo governo da Nicarágua para os crimes cometidos no período de confrontos que sacudiu o país ao longo de 2018.
A decisão do Tribunal de Apelação de Managuá foi divulgada um dia depois do assassinato da brasileira completar um ano.
Família de Raynéia questiona investigação
Raynéia morreu em 23 de julho de 2018, alvejada por um tiro de fuzil no peito, disparado contra o seu carro quando ela voltava de uma festa, após completar seu plantão em um hospital na capital nicaraguense.
A mãe de Raynéia, Maria José Costa, não acredita na versão oficial da polícia da Nicarágua, que levou à prisão do ex-militar Pierson Adám Gutiérrez Solís.
“Eu vou lutar até o último dia da minha vida para descobrir a verdade”, desabafou Maria José em entrevista ao R7 no dia do aniversário da morte da filha.
Investigação sob suspeita
A primeira versão para a morte de Raynéia foi que ela teria sido alvejada por um segurança particular por engano. A promotoria da Nicarágua chegou a apontar Raynéia como culpada pela própria morte.
A pressão da diplomacia brasileira à época fez o governo da Nicarágua voltar atrás e apontar Solís como o culpado.
Depois de confesar o crime, o paramilitar foi condenado por um tribunal em 12 de novembro a 15 anos de prisão. Porém, a mídia local e a mãe de Raynéia suspeitam que ele nunca tenha sido preso. Nunca se viu uma imagem de Solís após a condenação.
Culpado nunca foi visto após condenação
Ele teria ligações com o Partido Sandinista de Ortega e trabalharia oficialmente como segurança na Empresa Nicaraguense de Petróleo, liderada à época por Chico López, importante figura de apoio ao presidente.
Com isso, a morte da brasileira foi incluída entre os crimes relacionados aos confrontos entre forças governistas e grupos de oposição, que pediam a renúncia de Daniel Ortega após uma frustrada reforma da previdência.
Estes crimes foram anistiados por decisão do presidente.
A imprensa local trata Solís como um bode expiatório.












