‘Se o Irã voltar a querer conversar, o Trump vai conversar’, afirma especialista
Ricardo Cabral analisa a retomada do conflito no Oriente Médio, com perspectiva de fechamento dos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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A retomada dos ataques entre os Estados Unidos e o Irã criou ainda mais incertezas sobre um acordo definitivo para uma paz permanente. Segundo negociadores de ambos os lados, havia a tentativa de transformar o memorando de entendimento em um fim concreto do conflito, mas o presidente Donald Trump afirmou que não quer mais lidar com os iranianos.
Em conversas com os repórteres na cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o presidente Trump declarou que os iranianos são a “escória”, e ainda ressaltou que é uma perda de tempo lidar com um país “liderado por doentes”.
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O principal comando militar conjunto do Irã condenou os ataques norte-americanos e ameaçou uma resposta “esmagadora” em caso de novas ofensivas dos Estados Unidos, além do retorno do fechamento do estreito de Ormuz.
Durante o Conexão Record News desta quarta (8), o especialista em segurança e estratégia internacional Ricardo Cabral analisou a situação. “Eu tenho certeza de que, se o Irã voltar a querer conversar, o Trump vai conversar”, argumenta. Porém, enquanto isso não acontece, as perspectivas, segundo o especialista, não são nada boas.
“Há uma expectativa de que, caso o Irã opte por retomar as hostilidades, haja um duplo fechamento. De um lado, [o estreito de] Ormuz e, do outro, [o estreito de] Bab el-Mandeb. Esses dois estreitos fechando é um problema sério, muito sério. Paquistão, Egito e Turquia estão conversando com o Irã para acalmar a situação e tentar retomar a conversa. Agora o problema é convencer os americanos de que isso vale a pena”, analisa.
Cabral também menciona uma cisão interna no Irã, entre a Guarda Revolucionária, que quer a guerra, e grupos mais moderados, que preferem o diálogo, como o mercado, que no Irã recebe o nome de “bazar”. Há interesses divergentes envolvidos.
“Até porque um acordo com os americanos tem várias propostas na mesa. De abertura do mercado iraniano para empresas americanas... Ou seja, os Estados Unidos não estão querendo propor só o fim da guerra, o fim do programa nuclear, mas, de alguma forma, trazer o Irã de novo para a comunidade internacional, trazê-lo de novo para o Ocidente”, ressalta.
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