Trump surpreende Zelensky com promessa pública sobre os Patriots, mas os mísseis podem não chegar a tempo
Produção desses mísseis na Ucrânia pode demorar meses e o país precisa urgentemente de defesas
Internacional|Ivana Kottasová, da CNN Internacional
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A promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, de permitir que a Ucrânia fabrique interceptadores Patriot deu um vislumbre de esperança a milhões de ucranianos aterrorizados pelos ataques mortais de mísseis balísticos da Rússia.
Falando à margem da cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Turquia, Trump disse que um “passarinho me contou... que daremos a eles o direito de fabricar Patriots”.
O anúncio foi uma surpresa, embora a Ucrânia venha trabalhando no assunto há anos e houvesse indícios de que um acordo poderia estar próximo. Sentado ao lado de Trump, o presidente Volodymyr Zelensky às vezes parecia quase não acreditar em sua sorte.
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Os dois homens têm uma relação conturbada e a escalada da guerra no Irã parecia ter deixado Trump de mau humor pouco antes de sua reunião com Zelensky.
A linguagem de Trump foi bastante vaga, e ele admitiu que ainda não havia discutido o assunto com as empresas dos EUA que fabricam os Patriots – Lockheed Martin e Raytheon. Elas não comentaram o assunto.
Zelensky disse que o início da produção acabaria permitindo que a Ucrânia produzisse interceptadores suficientes para suas próprias necessidades, bem como para as de seus aliados.
A Ucrânia sempre enfrentou uma escassez no fornecimento de mísseis Patriot, a única arma capaz de derrubar alguns dos mísseis balísticos mais avançados da Rússia. Mas a escassez tornou-se crítica nas últimas semanas – e os resultados têm sido devastadores.
Ataques russos mataram pelo menos 59 pessoas na região de Kiev em apenas uma semana — com um ataque aéreo massivo ceifando 31 vidas na quinta-feira (2) e outro matando 28 na segunda-feira (6). Mais de 200 pessoas ficaram feridas.
É provável que muitas dessas mortes pudessem ter sido evitadas se Kiev tivesse suprimentos suficientes de interceptadores.
A Ucrânia tornou-se mestre em defender seus céus contra os ataques aéreos russos, usando uma combinação de tecnologia própria inteligente, armas fornecidas pelo Ocidente e táticas militares improvisadas que incluem unidades móveis de soldados e voluntários adaptando armas destinadas a outros fins para derrubar drones e mísseis.
A análise dos dados da Força Aérea Ucraniana mostra que a Ucrânia derruba regularmente 90% dos drones e mísseis de cruzeiro russos. Os mísseis balísticos, no entanto, são outra história, com dois terços deles passando regularmente pelas defesas.
A escassez de Patriots criou um buraco ainda maior no sistema. As Forças Armadas da Ucrânia disseram na quarta-feira (8) que não conseguiram derrubar nenhum dos mísseis balísticos russos disparados contra o país durante a noite de quarta-feira.
Isso ocorre porque os mísseis balísticos seguem uma trajetória curva que os leva para fora da atmosfera da Terra, antes de mergulharem de volta na atmosfera em direção ao seu alvo. Eles viajam a velocidades extremamente altas, o que os torna muito difíceis de interceptar — e a Rússia está disparando atualmente cerca de 100 mísseis desse tipo todos os meses.
O que torna os Patriots tão especiais?
Os Patriots, abreviação de Phased Array Tracking Radar for Intercept on Target, são o principal sistema de defesa de mísseis do Exército dos EUA.
É o sistema mais avançado disponível, e o preço reflete isso. Com a configuração completa de lançadores, radares e mísseis interceptadores, cada bateria custa mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões, na cotação atual), com um único interceptador custando até US$ 4 milhões (cerca de R$ 20 milhões, na cotação atual), de acordo com o Center for Strategic and International Studies.
A tecnologia por trás do sistema é um segredo bem guardado e, atualmente, o Japão e a Alemanha são os únicos países com licenças para coproduzir os Patriots internamente.
A complexidade da arma torna difícil a produção dos mísseis interceptadores mais recentes — apenas 600 são produzidos anualmente, de acordo com o Departamento de Defesa dos EUA.
O recente conflito entre os EUA e o Irã colocou uma pressão extra sobre os estoques já esgotados, e Zelensky disse que o início da produção em seu país acabaria por permitir produzir interceptadores suficientes para suas próprias necessidades e as de seus aliados.
Acredita-se que a Ucrânia tenha pelo menos sete sistemas Patriot: três fornecidos pelos EUA; três da Alemanha; e pelo menos um de um grupo de aliados europeus.
Embora a obtenção da licença seja um avanço importante para Kiev, isso não mudaria muita coisa no curto prazo. Colocar a produção em funcionamento pode levar meses, mas o país precisa das defesas agora.
Na quinta-feira, Kiev disse que pediu a quase 40 países que fornecessem mísseis à Ucrânia a partir de seus estoques existentes o mais rápido possível, “em troca de entregas futuras já contratadas para a Ucrânia”.
Garantir as licenças seria um grande impulso para Kiev, e é por isso que a Rússia está acompanhando de perto qualquer desenvolvimento em torno dos Patriots.
Moscou não faz segredo de que tem como alvo esses sistemas na Ucrânia e alertou os aliados de Kiev contra o seu fornecimento.
Falando a jornalistas durante sua coletiva de imprensa diária na quinta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, minimizou a promessa da licença do Patriot como uma grande mudança na guerra, apontando para o que chamou de uma “certa ambivalência” e “dualidade” na posição de Trump.
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